2018: Vestibular Político

11 de julho de 2018

O buraco é mais embaixo



Mas uma vez, Trump resolveu conturbar o mundo. Hoje pela manhã anunciou que os EUA estariam prontos para taxar U$ 200 bilhões de produtos chineses importados. Como de costume, a China disse que iria tomar medidas no mesmo sentido. As bolsas que começavam uma trajetória de recuperação mergulharam no negativo ao redor do mundo. Mas será que se pode imaginar quando e onde tudo acaba?


Com declarações bombásticas emanadas de ambos os lados, é fácil esquecer que as economias geralmente fazem os políticos - e políticas - e não o contrário.

Nos EUA, dois desenvolvimentos recentes podem causar problemas para os belicosos comerciais de Washington. A medida de inflação preferencial do Federal Reserve acaba de atingir sua meta de 2% pela primeira vez desde 2011.

Em segundo lugar, o diferencial dos títulos de longo prazo do Tesouro sobre os de curto prazo está nos níveis mais baixos de uma década. Quando esse spread se torna negativo, sinaliza que uma recessão está próxima, muitas vezes porque o Fed teve que elevar as taxas acentuadamente para controlar a inflação.

O primeiro gráfico a seguir aponta na história americana, o que aconteceu com a economia quando esse diferencial se torna negativo. Já o segundo, aponta a probabilidade de uma recessão acontecer em função dessa diferença. Note que, quando fica abaixo de 20 pontos as chances começam a se elevar significativamente. A título de informação, hoje esse diferencial é de + 27 pontos.


Os EUA já estão ficando sem opção de produtos a serem taxados, ou, os que não elevariam os preços ao consumidor: desta vez, produtos como peças de vestuário, móveis e televisores estão na lista.

Os salários dos EUA, um indicador líder confiável da inflação futura, já estão subindo. Os ganhos semanais médios no setor privado aumentaram quase 3% em junho, seu ritmo mais rápido desde 2011, com base na média móvel de seis meses. Se as relações passadas se mantiverem, isso significa que o núcleo da inflação pode estar aumentando em 2,5% ao ano até meados de 2019, mesmo sem uma escalada da guerra comercial.


Se a inflação subir - na época em que o presidente Trump estiver buscando a reeleição - os conflitos que aumentam os preços com o maior parceiro comercial dos EUA, podem começar a parecer menos sábios, especialmente se os preços do petróleo continuarem elevados.


A China tem o conjunto oposto de problemas. A inflação continua sob controle: mas o crescimento parece vulnerável. O investimento subiu apenas 6,1% no ano, nos primeiros cinco meses de 2018, o pior resultado deste milênio. A repressão ao sistema bancário paralelo tem deixado empresas vulneráveis ​​na liquidez. E as exportações estão desacelerando, mesmo antes das tarifas serem atingidas.

Se o crescimento continuar em baixa, a China poderá ter de lançar outro estímulo doméstico significativo, enterrando o fim da desalavancagem do presidente Xi Jinping - um resultado politicamente desastroso. A China pode estar mais disposta a oferecer concessões reais sobre o comércio mais cedo para evitar essa possibilidade.

Por enquanto, nenhuma das economias está na zona de perigo, o que significa que a escalada das tensões comerciais provavelmente continuará no curto prazo.

O clima, no entanto, está prestes a mudar nas duas economias, independentemente de Trump e Xi saberem disso. Qualquer que seja o país, que ache a temperatura insuportável primeiro, provavelmente será o primeiro a não entrar em uma guerra comercial.

Alguns economistas calcularam qual seria o impacto em termos de queda do PIB caso essas ameaças entrem em vigor. A ilustração mostra esse choque levando-se em consideração somente os efeitos diretos, o que por si, já é uma simplificação. Em todo caso, num momento em que buscam o crescimento, não seria nada bom para ambos os países.


Todos esses argumentos são racionais e parece que a guerra comercial que está em curso pode ter consequências que, a inviabilizam a médio prazo, para ambos os lados. Mas como de um lado temos um Presidente desequilibrado e do outro um país onde a honra vale mais que tudo, seria melhor não pagar para ver.

No post inflação-na-mosca, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” O gráfico a seguir aponta para o movimento esperado no curto prazo. Caso a bolsa se recupere para 73,5 mil - 75 mil, e depois tombe abaixo dos 69.000, provavelmente mudarei minha recomendação de alta para baixa. Caso o índice continue a subir e principalmente acima de 80 mil pontos ficaremos felizes, existe uma luz ao final do túnel”...


O primeiro intervalo apontado acima foi atingido de forma milimétrica como apontado abaixo em verde. Isso aconteceu na semana passada e depois uma pequena queda se sucedeu. Como mencionei acima, o nível de 69.000 é crucial, mas antes disso não gostaria de ver a bolsa abaixo de 72.500.


O que deverá imperar no desenrolar do Ibovespa é dependente do que acontece no exterior. Do ponto de vista técnico a situação é delicada, essa recuperação pode ser como o voo de galinha, ou construir uma base mais sólida.

Na verdade, a extensão da queda ocorrida desde o pico de fevereiro último, foi bem superior ao que se poderia esperar de um mercado que continuava em alta. Agora estamos observando se é uma correção mais extensa para em seguida tomar o rumo de alta, ou uma inversão de tendência, onde novas quedas se sucederiam.

Existem algumas possibilidades técnicas desse mercado que tornam a sua análise mais difícil. Nestas situações é melhor ficar sem posições e aguardar o mercado dar as dicas. Let´s the market speak!

O SP500 fechou a 2.774, com queda de 0,70%; o USDBRL a R$ 3,8795, com alta de 1,71%; o EURUSD a 1,1671, com queda de 0,60%; e oo ouro a U$ 1.242, com queda de 1,05%.

Fique ligado!

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