2020: O risco vai compensar?

17 de abril de 2020

Fed: You have a problem!



O Fed está nacionalizando (ou privatizando, dependendo de quem vê o Fed como público ou privado) todo o mercado de capitais em um ritmo nunca antes visto na história.

Como mostra o gráfico a seguir do Deutsche Bank, o ritmo atual de compras semanais do Tesouro é simplesmente impressionante, sem paralelo com nada visto antes na história.


Não é apenas o Fed: com o QE oficialmente de volta, todos os bancos centrais estão injetando bilhões de liquidez no mercado de títulos e ações.


No auge do final de março, o Fed comprava US $ 75 bilhões em títulos do Tesouro todos os dias, e agora reduzimos para "apenas" US $ 30 bilhões por dia. Essas enormes compras do Fed combinadas com as taxas que se encontram estáveis nas últimas semanas, se pergunta onde estariam as taxas de 10 anos se o Fed não tivesse intervindo. À medida que o Fed se afastar gradualmente nas próximas semanas, e a emissão do Tesouro continuar aumentando para financiar o estímulo fiscal, o mercado estará se concentrando cada vez mais na demanda e oferta no mercado do títulos do tesouro.

E, ao entrarmos no precipício aberto da turbulência econômica, financeira e fiscal, agora que o dinheiro do helicóptero foi liberado sem que alguém aparentemente percebesse o que aconteceu, destaca-se o gráfico a seguir, que estabelece sucintamente o que é preciso agora para evitar uma crise fiscal completa: um Fed que está monetizando duas vezes a emissão líquida do Tesouro.
Quando o Fed fez QE nos anos que se seguiram à crise financeira de 2008, as compras mensais de títulos do tesouro nunca excederam a emissão líquida, mas o Fed está agora no caminho de comprar o dobro da quantidade líquida de emissão.
Faltou o Fed combinar com o Tesouro americano o volume a ser recomprado. Lógico que essa diferença poderá ser feita com a aquisição de títulos já em circulação, porém isso indica uma pressão grande para baixo nos juros, que ficarão artificialmente baixos.
O Japão vive dessa forma por décadas e financia sua dívida a juros “sem juros”, tudo isso é possível se a inflação não subir. Olhando para o futuro não se pode desprezar essa hipótese – aumento de inflação, e nem usar o caso japonês como exemplo, pois as condições em que ocorreu no passado são muito diferentes das atuais – nenhum banco central tinha injetado recursos no sistema, bem como a demografia japonesa permite essa política. Uma das formas clássicas de diminuir a dívida do governo e através do aumento da inflação. Na situação de hoje, esse prejuízo recairá sobre o Fed e não sobre o mercado. Fed you have a problem!

Uma informação interessante em relação aos compradores de ouro pode ser vista na ilustração a seguir. Eu mesmo fiquei impressionado pelo volume representado pelos fabricantes de joias. Com a situação do Convid-19, esse segmento encontra-se parado, pois imagino que a venda desses artefatos deve ter diminuído muito. Talvez esse seja um motivo das grandes oscilações vistas ultimamente.
No post imobilismo-momentâneo, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “ o primeiro intervalo é muito próximo a mínima anterior de 0,3%, podendo atingir 0,15%. Caso não sustente, o próximo nível já seria na casa dos juros negativos em – 0,3%” ...

Passaram-se duas semanas e nada aconteceu nesse mercado, as taxas têm oscilado entre 0,75% e 0,55%, prevalecendo o cenário de novas quedas até os níveis citados acima. No sentido inverso, somente acima de 1,3% se pode conjecturar uma mudança de rumo.

Com o Fed atuando na compra de forma constante, não parece razoável uma ruptura do nível de 1,3%, dando uma certa garantia para quem vende os títulos. Só talvez num cenário de alta da inflação, apontado no início deste post, poderia alterar tanto as compras do Fed, bem como a atitude dos investidores que se ancoraram nos títulos americanos como uma proteção para sua carteira. Porém, isso parece distante.  

O SP500 fechou a 2.874, com alta de 2,66%; o USDBRL a R$ 5,2365, sem alteração; o EURUSD a 1,0868, com alta de 0,30%; e o ouro a U$ 1.682, com queda de 2,04%.

Fique ligado!

Um comentário:

  1. O dólar é a moeda internacional de troca. Há um grande endividamento em dólar mundo afora. Essa externa por dólares não enxuga o excesso de dólares no mercado americano?
    A demanda externa por dólares, com dívidas em dólar vencendo e o comércio internacional em queda não explica a atual demanda por dólares e sua excessiva valorização frente a outras moedas?

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