2020: O risco vai compensar?

24 de abril de 2020

Bolsonaro segue atitude de Nero



Uma passagem na História que talvez exemplifique o pedido de demissão do ex-ministro Sergio Moro, foi o grande incêndio de Roma, em 64 d.C., com diversas interpretações sobre suas causas. Naquele momento, Nero era o Imperador Romano. O Wikipedia elabora essas possibilidades.

Existem várias variantes sobre a motivo do incêndio de Roma. A versão mais contada é a de que os moradores que habitavam as construções de madeira usavam do fogo para se aquecer e se alimentar. E por algum acidente, o fogo se alastrou. Para piorar a situação, ventos fortes arrastavam o fogo pela cidade.  

Outra versão famosa, é de que o imperador Nero teria ordenado o incêndio com o propósito de construir um complexo palaciano, já que o senado romano havia indeferido o pedido de desapropriação para a obra. Há ainda a versão, concebida por romancistas cristãos pósteros que, atribuindo ao imperador a condição de demente, pretende que ele provocou o incêndio para inspirar-se, poeticamente, e poder produzir um poema.

Segundo algumas fontes, enquanto o fogo consumia a cidade, Nero contemplava o cenário, tocando com sua lira. Esta cena é retratada no romance Quo Vadis.[4]

Há ainda uma versão da história que cita que, no momento do incêndio, Nero estava em outra cidade e, ao saber do ocorrido, retornou a Roma, esforçando-se para socorrer os desabrigados, inclusive mandando abrir os jardins de seu palácio para acolhê-lo. Todavia, o fato de, posteriormente, ter usado seus agentes para adquirir, a preço vil, terrenos nas imediações de seu palácio, com a provável intenção de ampliá-lo, tornou-o suspeito, junto ao povo, de ter responsabilidade no sinistro.

Essa madrugada, O Presidente Bolsonaro, resolveu a revelia, exonerar o Diretor da Polícia Federal. Moro não teve dúvida, marcou uma entrevista para anunciar sua decisão. De uma forma didática foi discorrendo sua passagem pelo Ministério, deixando claro que já estava sendo pressionado para fazer essa mudança. Mais claro ainda, sem ser explicito, os motivos da mudança tinham outros objetivos.

Todos nós presenciamos nesses 16 meses de governo, diversas vezes o Presidente fazendo coisas estranhas, mas com um impacto limitado. Aqui no Mosca decidi não levar em consideração essas “atrapalhadas”, se é assim que podem ser classificadas, pois, a economia estava na mão de pessoas competentes, fazendo um trabalho sério.

Mas esse evento, passa a ser um divisor de águas.

Fico pensando qual teria sido o real motivo dessa decisão por parte do Bolsonaro. Uma hipótese é que precisava tirar o Moro e seus colaboradores porque algo comprometedor se aproximava de alguém importante do seu relacionamento. Uma segunda a de que como “Capitão-mor” é ele que manda e todos tem que se subordinar a suas vontades.

Se for o primeiro caso, qualquer preço era preço nesse sentido, agora vai tentar de alguma forma se organizar. Já o segundo caso, se assemelha mais a versão dos romancistas no caso de Nero, a de que ele era demente e provocou o incêndio.

A saída de um ministro que detém certa credibilidade é sempre um problema para o presidente, agora, um com credibilidade e aceitação unanime pela população passa a ter um peso enorme. Acrescenta-se a esse cenário a forma como Moro fez seu discurso de renúncia, deixou uma porta aberta para um eventual impeachment. A única possível boa notícia, é que Moro pode ser candidato a presidência em 2022. Entretanto, isso não passa de uma especulação com muito tempo até lá.

Nessa semana também se noticiou que a sua relação com Guedes estaria azedando, ao tentar enfiar goela abaixo do ministro um plano de infraestrutura de R$ 200 bilhões. Se a intenção do Bolsonaro é também tirar Guedes, realmente fico com a opção que realmente ele quer colocar fogo em Roma. Diferentemente de Nero que pode ter colocado fogo em Roma para ampliar seu palácio, no caso de Bolsonaro estaria colocando fogo na sua própria casa, onde corre o risco de perder.

Para terminar esse dia horrível - foi tão ruim que até esquecemos da pandemia, e olha que os últimos dados não foram animadores, em relação ao impeachment, existe uma possibilidade que agora não se pode descartar. Conhecendo a personalidade do Presidente, e caso o processo para esse fim comece a ganhar forma, não descartam a possibilidade de um AI-5 remodelado, estar sendo imaginado. Tivemos algumas evidencias alguns meses atrás com a declaração de sue filho, bem como as manifestações da semana passada.

Como de costume, hoje eu ia fazer os comentários sobre os juros de 10 anos. A oscilação tem se mantido muito contida que a única mudança que eu faria no texto da última análise séria: ...”   Passaram-se duas três semanas e nada aconteceu nesse mercado, as taxas têm oscilado entre 0,75% e 0,55%, prevalecendo o cenário de novas quedas até os níveis citados - o primeiro intervalo é muito próximo a mínima anterior de 0,3%, podendo atingir 0,15%. Caso não sustente, o próximo nível já seria na casa dos juros negativos em – 0,3%”. No sentido inverso, somente acima de 1,3% se pode conjecturar uma mudança de rumo” ...

No post estatização-da-moeda, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “ Num gráfico com janela diária fica patente essa indecisão, com alguns dias em queda sucedido por outros em alta. Prefiro não fazer nenhum prognostico nesse momento, apenas apontar níveis de importância tanto num sentido quanto no outro”
Na alta: € 1,115 e € 1,13
Na baixa: € 1,075 e € 1,063

O euro voltou a sua forma antiga, depois de alguns soluços desde a eclosão da pandemia, com movimentos nos dois sentidos e oscilações superiores as que predominavam desde 2018, retornou a sua trajetória lenta de queda de forma menos volátil.

Sem a menor condição de sugerir qualquer trade, o euro vem definhando novamente. Agora existe uma diferença em relação ao que vinha acontecendo antes de todas as ações tomadas pelo Fed. Naquele momento o mercado aposta fortemente na desvalorização da moeda única, agora essa tendência se alterou, com apostas no sentido inverso, a da desvalorização do dólar.

Marquei uma região acima onde ocorre uma confluência de retas entre 1,06 a 1,04. É bem provável que os vendidos “empurrem” as cotações até essa região para ver o que acontece. Uma capitulação dos investidores que se encontram posicionado na compra poderia fazer com que o euro caia abaixo de um nível crítico de 1,0363, um divisor de águas, no sentido que, negociando 1 pontinho abaixo irá fazer com que eu reveja todo meu cenário. Ou não, o pessoal comprado segure firme, obrigando os vendidos a zerar suas posições.

Mas muita água ainda vai rolar até que eventualmente chegue até lá. No curto prazo, guie-se pelos níveis apontados acima.

O dólar chegou no objetivo traçado de R$ 5,70, como o movimento foi muito rápido decidi zerar a posição. Na segunda-feira farei a análise técnica do dólar.
O SP500 fechou a 2.836, com alta de 1,39%; o USDBRL a R$ 5,6613, com alta de 0,31%; o EURUSD a 1,0807, com alta de 0,29%; e o ouro a U$ 1.726, com queda de 0,28%.


Fique ligado!

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