2020: O risco vai compensar?

3 de abril de 2020

Imobilismo momentâneo



Quando a repórter da Bloomberg anunciou que o número de desempregados nos EUA foi de 701 mil, disse “que horror”. Naquele momento fiquei na dúvida se ela estava se referindo ao resultado comparado com a previsão que era de -100 mil, ou do número absoluto.


A taxa de desemprego em março subiu para 4,4%, ante 3,5% em fevereiro. Foi o maior aumento de um mês na taxa desde janeiro de 1975. Os dados ainda não refletem totalmente os milhões de reivindicações de seguro-desemprego registradas nas últimas duas semanas de março devido à pandemia de coronavírus.

O declínio mensal nas folhas de pagamento foi a maior queda desde março de 2009, o pior mês para perda de empregos durante a recessão de 2007-2009. O Departamento do Trabalho disse que os dados de sexta-feira refletem os efeitos do coronavírus e os esforços para contê-lo.

A empresa de previsão Oxford Economics projeta que, em maio, os EUA perderão 27,9 milhões de empregos e terão uma taxa de desemprego de 16%, eliminando todos os empregos conquistados desde 2010, um período recorde de 113 meses de ganhos de emprego até fevereiro. Essa perda de emprego seria mais que o dobro dos 8,7 milhões de cargos cortados das folhas de pagamento durante a recessão de 2007-2009 e suas consequências. E esses empregos foram perdidos em 25 meses.

Outras empresas de consultoria projetam resultados mais longos, a IHS Markit calcula que 14 milhões de empregos serão perdidos até dezembro, com base na expectativa de que o emprego caia acentuadamente nesta primavera e fique mais baixo no restante do ano. A empresa espera que a taxa de desemprego chegue perto de 10%, ou perto dos recordes anteriores.

O Fed por sua vez está a toda carga injetando liquidez por todos os lados. Seu balanço saiu de aproximadamente U$ 3,5 trilhões para algo em torno de U$ 6,0 trilhões. Quase dobrou em semanas, e continua crescendo.


Todas essas previsões, bem como a publicação de dados daqui em diante serão “chutes” fundamentados em alguma hipótese, modelo nenhum funcionará. Seguramente o emprego será impactado, a renda total disponível irá cair e como consequência o consumo.

No post mudanças-prováveis, faço um brainstorming de possíveis setores beneficiados, bem como, os prejudicados. Boto minha mão no fogo? Não! Enquanto não tivermos as respostas de quanto tempo vai durar o blockdown  e como será a reação posterior, tudo passa a ser muito incerto.

Se existe um momento inquietante na vida é quando se está imobilizado. Normalmente estas situações acontecessem quando ficamos em dúvida qual caminho seguir. Depois de resolvido e assumido um caminho, tudo passa a ser mais claro e menos angustiante, mesmo que a decisão não tenha sido a melhor.

É dessa forma que me sinto hoje, espasmos de otimismo num momento alternado por outros pessimistas. Minha experiencia de vida me mostrou que o melhor é ficar parado enquanto não se chega a um veredito. Outro fator que complica o estado atual é a “torcida” para que dê certo. Cuidado para não se confundir com isso.

No post imprevisível, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Notem que, o primeiro intervalo é muito próximo a mínima anterior de 0,3%, podendo atingir 0,15%. Caso não sustente, o próximo nível já seria na casa dos juros negativos em – 0,3%” ...

Nada aconteceu de importante em termos de taxa de juros, uma lenta queda ocorreu na semana. Mas isso não se pode dizer do volume que o Fed está comprando de títulos, como apresentei acima do blog, nesse quesito os volumes são enormes. O gráfico com janela semanal não tenho nada a comentar diferentemente do que fiz anteriormente, espera-se queda até um dos níveis citados acima.

Até pouco tempo, todo mundo esperava a sexta-feira e os mercados funcionavam com volumes menores. Agora, nem faz diferença, todo os dias são iguais. Muito triste!

O SP500 fechou a 2.488, com queda de 1,51%; o USDBRL a R$ 5,3293, com alta de 1,5%; o EURUSD a 1,0807, com queda de 0,41%; e o ouro a U$ 1.620, com alta de 0,48%.

Fique ligado!

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