2020: O risco vai compensar?

13 de abril de 2020

Intervencionismo



Com tamanha intromissão pelos governos e bancos centrais na economia mundial é razoável se perguntar se ainda existe mercado livre. Um relatório elaborado pelo Deutsche Bank diz que, após a aquisição de ativos sem precedentes pelo Fed nos mercados de capitais, adverte não mais existir um mercado livre.

Todos os bancos centrais desenvolvidos reduziram as taxas para zero e compraram trilhões de ativos. A inflação é muito baixa. Uma armadilha de liquidez global pode estar em formação. Em um mundo de controle internacional da curva de juros e preços de ativos administrados, o que isso significa para o câmbio?
A teoria econômica clássica sugere que baixa volatilidade nas taxas deve significar baixa volatilidade no câmbio. Se os bancos centrais não podem alterar rendimentos ou inflação, também nada muda nas taxas de câmbio. Argumentamos que esse efeito servirá para diminuir bastante a volatilidade do câmbio originária dos mercados de títulos. Os anúncios de taxa de juros do banco central perderão relevância para o câmbio, assim como o Banco do Japão perdeu relevância para o iene no Japão. Porém, menor volatilidade “monetária” pode significar maior volatilidade em outros lugares. As taxas de câmbio também reagem a choques financeiros e da economia real. Os bancos centrais que perdem energia para amortecer choques, podem originar uma volatilidade muito maior no câmbio. Se o Fed ou o BCE estivessem ausentes durante as crises do Lehman Brothers ou da zona do euro, os deslocamentos cambiais teriam sido muito maiores.

Mas os bancos centrais estarão ausentes? Em questão de semanas, os formuladores de políticas se tornaram um ponto de apoio para os mercados de crédito do setor privado. No extremo, os bancos centrais poderiam se tornar agentes permanentes da economia, administrando os preços das ações e do crédito, subjugando agressivamente os choques financeiros. Seria um mundo bipolar de repressão financeira com alta volatilidade da economia real, mas muito baixa volatilidade financeira. Um mercado "zumbi".

O impacto na volatilidade cambial desse cenário é muito mais ambivalente e pode muito bem ser negativo.

Por enquanto, os bancos centrais estão focados em subjugar a volatilidade dos preços dos ativos. Mas uma armadilha emergente de liquidez global também significa que a taxa de câmbio se torna um instrumento cada vez mais importante para os bancos centrais. Os formuladores de políticas sempre podem impactar o câmbio através da venda de quantidades infinitas de suas próprias moedas. Se o foco do banco central retornar ao câmbio, isso pode ser uma nova fonte de volatilidade. O enorme programa de intervenção do SNB – Banco Central da Suíça, é um exemplo disso. O ambiente atual pode, por fim, plantar as sementes para políticas de "mendigar ao próximo", semelhantes à Grande Depressão dos anos 20.

O argumento é que o impacto final do ambiente atual na volatilidade da taxa de câmbio é ambivalente e depende de até que ponto os bancos centrais estão dispostos a ir em busca da repressão financeira. Quanto mais os banqueiros centrais controlarem os preços globais dos ativos, mais isso poderá compensar a maior volatilidade da economia real nas taxas de câmbio resultantes do esgotamento do espaço político.

Nossa conclusão é criticamente dependente do pressuposto de que estamos presos em um mundo de inflação zero e de que os bancos centrais evitam direcionar o câmbio. Se a inflação ou as guerras cambiais voltarem, a taxa de câmbio e a volatilidade mais ampla do mercado de renda fixa quase certamente voltarão com violência.

Essas considerações feitas pelo Deutsche Bank enfatizam que o câmbio passa a ser a porta que ainda se mantem sem intervenção, com exceção do SNB que vem atuando já alguns anos para não permitir a valorização do franco suíço em relação ao euro, com um sucesso questionável. Entretanto, se houver um desequilíbrio indesejado no mercado de títulos, a válvula de escape seria o mercado de câmbio. Vale o alerta, embora por enquanto não se nota qualquer descontrole no mercado cambial.

O volume de recursos que saíram dos mercados emergentes é sem precedentes. No gráfico a seguir, existe uma comparação entre várias situações do passado, com o impacto no fluxo, e a atual.


Não fosse a pequena dependência dos estrangeiros o estrago no câmbio poderia ter sido bem pior. A ilustração a seguir aponta que o Brasil tem uma situação privilegiada quando comparado aos outros países emergentes, dado que, os estrangeiros detêm parcela ínfima de nossa dívida.


No post pandemia-dupla, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “ o dólar “namorou” no nível de R$ 5,25, e ultrapassou essa marca na última sexta-feira, chegando à cotação de R$ 5,35. Hoje ocorreu um pequeno recuo oriundo da melhora nas bolsas ao redor do mundo” ...

Depois de ultrapassar o nível de R$ 5,25, temporariamente, recuou mostrando ser um false break, onde fomos stopados com pequena perda, em função do tamanho reduzido da posição. É bem provável que o dólar adentrou numa região de correção aonde irei propor outro trade de compra.

Nessa correção a retração das cotações deveria acontecer entre R$ 5,05 – R$ 4,85. Na última quinta-feira, o dólar chegou a cair a R$ 5,048, o que poderia ser classificado como o atingimento desse objetivo. Porém, parece que o movimento não está completo.

Vou propor um trade no nível mais conservador a R$ 4,85 com stoploss em R$ 4,65, isso para ¼ do tamanho das posições anteriores. Notem que, esse intervalo entre essas duas cotações representa uma perda de 4,3%, muito elevado aos padrões que utilizávamos antes dessa crise.

A razão do meu conservadorismo tem a ver com as oscilações vividas a partir de março, e como estou me antecipando, prefiro propor algo conservador e eventualmente ajustar conforme ela se desenrola.
 
Caso o dólar não atinja esse nível e volte a subir ultrapassando a marcar dos R$ 5,35, não irei propor o trade, em virtude de um risco x retorno não vantajoso.

O SP500 fechou a 2.761, com queda de 1,01%; o USDBRL a R$ 5,1912, com alta de 1,65%; o EURUSD a 1,0909, com queda de 0,24%; e o ouro a U$ 1.717, com alta de 1,68%.

Fique ligado!

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