2020: O risco vai compensar?

29 de abril de 2020

A busca de um culpado


Quando ocorre um evento que origina um sofrimento a muitas pessoas, já dizia Nietzsche que, é melhor qualquer explicação que nenhuma. O caso da Covid-19 não vai ser diferente.
O secretário de Estado Mike Pompeo criticou a China na quarta-feira, dizendo à Fox News que seus esforços contínuos para ocultar informações sobre a origem do coronavírus representam uma ameaça para o mundo.

"O Partido Comunista Chinês agora tem a responsabilidade de dizer ao mundo como essa pandemia saiu da China e de todo o mundo, causando uma devastação econômica global", disse Pompeo, acrescentando que "os EUA precisam responsabilizá-los.
O conselheiro da Casa Branca Jared Kushner, genro de Trump, também disse quarta-feira que Trump ordenou uma investigação sobre as origens do vírus e responsabiliza os responsáveis pela disseminação, informa Bloomberg.

Os comentários de Pompeo seguem uma alegação de quarta-feira sobre o principal programa de notícias da noite na China Central Television, sugerindo que os dados dos EUA sobre infecções por COVID-19 eram imprecisos e enganosos, enquanto o programa nos últimos dias acusou Pompeo de "se transformar no inimigo comum da humanidade" e " excedeu a linha inferior de ser humano ".
Segundo Pompeo, a China sabe que a pandemia começou em seu país e está usando a "desinformação comunista clássica" para mudar a culpa.
"Fiquei animado ao ver a Austrália, outros países se juntando a nós, exigindo uma investigação, porque, embora saibamos que isso começou em Wuhan, na China, ainda não sabemos de onde começou", disse ele, recuando uma reivindicação feita na semana passada, quando afirmou: "Olha, nós sabemos que começou em um [laboratório], mas precisamos descobrir isso".

"E apesar dos nossos melhores esforços para conseguir especialistas no terreno, eles continuam tentando se esconder e ofuscar", acrescentou Pompeo.

Enquanto isso, Kushner disse à Fox News em uma entrevista separada na quarta-feira que Trump "pediu à equipe que analisasse com muito cuidado o que aconteceu, como isso chegou até aqui e para garantir que ele executasse as ações necessárias para garantir que o as pessoas que causaram os problemas sejam responsabilizadas por isso ".

A situação ainda merece muito mais atenção na população e na busca de medicamentos para estancar a proliferação desse vírus que mostra sua faceta mais complexa a cada dia que passa. Mas em algum momento, esses esforços serão menos intensos, haja visto que, o mundo calcula que haverá pelo menos uma trégua temporária. Será a partir daí que a busca do culpado se intensificara.
Se um cálculo for feito, do tamanho do prejuízo causado pelo Covid-19, se é que dá para calcular, garanto ser na casa dos trilhões de dólares. Como essa dívida é impagável por qualquer país, o foco se torna político.

Qualquer pesquisa feita para que se aponte um culpado, imagino que a grande maioria recairia sobre a China. E existe uma lógica: começou lá, muitas matérias foram publicadas apontando os morcegos, e por último, a desconfiança intrínseca que o mundo ocidental tem sobre esse país. Não sei como isso pode terminar.

Hoje foi publicado o PIB americano do 1º trimestre do ano, que tem uma pequena influência do surto. O resultado foi de uma queda de 4,8%, enquanto os analistas esperavam um retrocesso menor de 4%. Isso poderia ser uma ameaça para otimismo que se desenrola na bolsa americana. Porém, o resultado da gigante Google ontem no final do dia, ficando acima do projetado, resultou numa nova rodada de alta, levando o SP500 a beirar o limite apontado no post de ontem a-meia-volta-do-ibovespa.


No post estatização-da-moeda, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” Num gráfico com janela diária fica patente essa indecisão, com alguns dias em queda sucedido por outros em alta. Prefiro não fazer nenhum prognostico nesse momento, apenas apontar níveis de importância tanto num sentido quanto no outro” ...
Na alta: € 1,115 e € 1,13
Na baixa: € 1,075 e € 1,063

O pior que pode acontecer num ativo que se pretende fazer uma posição é sua imobilidade. No caso do euro, é ainda pior, pois existe um movimento de queda de forma muito lenta que oscila em intervalos restritos, como se pode notar no gráfico a seguir.

Já são dois anos que a moeda única se encontra dentro do canal em cinza, numa descendente “não confiante”. Por que essa minha colocação? Porque se deu de forma alternada. Para que vocês entendam meu raciocínio eu calculei as percentagens entre períodos de máximas e mínimas. A tabela a seguir mostra o resultado para cada um desses 12 períodos.


Notem que entre um período e o próximo, em sua grande maioria, a variação percentual é semelhante e de magnitude entre 3% e 5%.

O que isso significa? Que se você fosse um gênio e conseguisse saber exatamente o nível de reversão para se posicionar, o que é praticamente impossível, sendo a sua aposta de alta ou de baixa, seu retorno máximo estaria nesse range. Ah, esqueci de um pequeno detalhe, teria que saber o momento de sair. Esquece! Foi prejuízo certo aos traders que tinham alguma visão mais estrutural.

Minha recomendação: Não fazer nada!

O SP500 fechou a 2.939, com alta de 2,66%; o USDBRL a R$ 5,3593, com queda de 2,54%; o EURUSD a 1,087, com alta de 0,51%; e o ouro a U$ 1.713, com alta de 0,38%.


Fique ligado!

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