2020: O risco vai compensar?

27 de março de 2020

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Para quem acompanha os mercados como eu, momentos como esse são desafiadores. Mesmo para quem não acompanha, a sensação é semelhante, mas talvez com menor impacto, pois só final do dia dá uma olhada como fechou a bolsa e o dólar.

O que mais faço atualmente é participar de calls. Dos mais variados possíveis, e nem perto de chega a alguma conclusão. Existem os mais otimistas e os mais pessimistas e seus argumentos são convincentes. No dia que o mercado sobe, você tende a lembrar do fulano que estava com essa ideia, e no dia que o mercado cai, lembra do ciclano. No final você tende a ficar muito confuso. Não se preocupe que não é só você, todos estão.

As multidões são coletivamente mais "inteligentes" do que qualquer indivíduo? Os mercados são tão eficientes? Quanto o Sr. Mercado realmente sabe sobre o futuro?

Os investidores lutam com essas questões com sucesso limitado há muito tempo. A queda atual e a recuperação do mercado colocam essas questões em um foco ainda mais nítido.

Em seu livro “The Wisdom of Crowds”, James Surowiecki descreve como grandes grupos de pessoas parecem ser mais “inteligentes” do que uma elite de poucos (não importa o quão brilhantes) sejam os desafios de solucionar problemas, tomar boas decisões ou até prever o futuro.
Os mercados são mecanismos probabilísticos, alocando coletivamente capital com informações imperfeitas sobre um futuro inerentemente incognoscível.

Não é sabedoria, mas sim uma avaliação estatística de resultados prováveis ​​em relação a pagamentos assimétricos. Em outras palavras, os mercados são máquinas de apostas ponderadas pelo risco.

Considere o sistema complexo subjacente às bolsas de valores: A “sabedoria das multidões” é uma maneira coloquial de descrever a eficiência do mercado. Quando existem condições específicas os mercados tendem a ser os mais eficientes. Quando outras condições emergem - emoções, choques exógenos ou aleatoriedade, os mercados se tornam menos eficientes ou podem se desviar dos valores subjacentes. As apostas dão errado. (Observe que também vemos isso nos mercados de previsões, que tiveram um histórico bastante misto).

Essa tensão inerente entre a eficiência do mercado e o descarrilamento humano foi perfeitamente reconhecida pelo comitê do Prêmio Nobel em 2013. Ao conceder o Prêmio em Ciências Econômicas a Eugene Fama e Robert Shiller, Estocolmo, reconheceu essa cisma. A tese de Fama era que o mecanismo de precificação dos mercados era tão eficiente que era difícil (se não impossível) de vencer; os dados de Shiller mostraram esmagadoramente que os mercados eram frequentemente tão irracionais quanto os humanos que os negociavam. Bolhas se formam, os preços se destacam da realidade e depois voltam à Terra.

O que nos leva à recente reação do mercado.

No meu ponto de vista, não adianta usar o racional se o que prevalece agora é o medo, que tornam as pessoas irracionais. Nesse momento, o instinto de sobrevivência se sobrepõe. Quando os ativos caem, as pessoas ficam temerosas de perder tudo e vendem suas posições sem se avaliar se está barato. Como consequência, a volatilidade sobe.

Acredito que a análise técnica é de grande valia para balizar algumas projeções e ações a tomar. Nesta técnica - como é o mercado que fala, se identifica movimentos que podem ser traçados usando parâmetros pré estabelecidos, de acordo com probabilidades de acontecer. Em função dessas observações se tomam decisões, se der errado, o stoploss conserva seu capital, e uma nova reavaliação é feita.

Quando as coisas ficam mais calmas, se nota com a queda de volatilidade, assim o investidor fica mais racional, levando os preços a níveis mais próximo dos modelos financeiros.

Em resumo, qual seria a grande batalha atualmente? Se as pessoas voltarem ao trabalho num espaço de tempo pequeno (até 8 semanas), acho que está tudo barato, pois, não vai dar tempo para as economias se desorganizarem, e é possível projetar uma volta à normalidade em pouco tempo. Em contra partida, se demorar muito, com multiplicações de casos em vários locais do mundo, e pior, se na China começar um novo surto, os preços ainda poderão cair mais. Se quiser apostar, está aí a fórmula. Mas observando de hoje, não seria muito diferente de uma aposta no Cassino!

Em tempo: Uma vacina no curto prazo, que segundo analistas é praticamente impossível, também teria um efeito enorme de aliviar, seria uma euforia.

Alguns dados: Vejam a seguir o tráfico na China voltando praticamente a normalidade. Notem também que, se passaram 8 semanas do bloqueio da população até hoje.


A previsão do PIB americano pelos bancos dá uma amostra de como ninguém sabe exatamente o que vai acontecer, vejam a dispersão com a média.


Nessa crise, sem dúvida nenhuma, o problema está nas pequenas e medias empresas, pois os bancos vão fugir desses clientes. Um programa será tão mais eficiente quanto o governo puder atender esse segmento, que emprega muita gente. O gráfico a seguir aponta quanto tempo as empresas pequenas podem sobreviver sem caixa (nos EUA).


A situação está tão confusa, que hoje quando acordei pensei que era sábado! Não tenho dúvidas o que meu inconsciente disse: Chega! Hahaha ...

No post recessão-instantânea, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” O objetivo desse movimento de queda seria o intervalo entre 0,3% - 0,1%. Depois disso, espera-se um movimento de reversão. Entretanto, caso os juros subam e ultrapassem 1,5%, algo diferente estaria acontecendo que vai merecer uma reanalise” ...

Tudo indica que os juros estão caminhando para níveis menores no curto prazo, realmente me precipitei ao abandonar a sugestão de venda de juros, paciência! 

Notem que, o primeiro intervalo é muito próximo a mínima anterior de 0,3%, podendo atingir 0,15%. Caso não sustente, o próximo nível já seria na casa dos juros negativos em – 0,3%, o que deixaria Trump feliz nesse quesito, mas muito preocupado com os motivos para atingir essa marca. Se eu fosse ele, torceria para que isso não acontecesse.


O SP500 fechou a 2.541, com queda de 3,37%; o USDBRL a R$ 5,0972, com alta de 1,52%; o EURUSD a 1,1141, com alta de 1,02% (o euro está formando uma configuração que se chama chicote e está machucando os traders, por outro lado, pode ser que, um movimento de alta está se desenhando); e o ouro a U$ 1.615, com queda de 0,80%.

Fique ligado!

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