2020: O risco vai compensar?

6 de março de 2020

Rumo ao desconhecido



As notícias sobre a evolução do coronavírus estão ganhando dimensões desconhecidas. Seus efeitos estão gerando receios que podem levar ao pânico. Esse surto parece bem diferente dos anteriores, talvez o que mais assusta é seu desconhecimento das causas e curas por parte dos infectologistas. Assim como eu, vocês devem ter recebido inúmeros WhatsApp com opiniões de especialistas que não permite uma conclusão. Talvez a única informação útil seja que o risco é muito maior em idosos (eu!) principalmente para quem tem alguma doença, e lavar as mãos frequentemente (Unilever agradece).

Essas informações e percepções circulam de maneira instantânea, multiplicadas entre os inúmeros grupos que cada um de nós está vinculado, fazendo parecer muito maior que a realidade. A cada novo caso, ou pais noticiando sua entrada no clube, tem se a sensação de que o vírus está na eminência bater na sua porta. Como consequência, diversos setores da economia entram em colapso, como por exemplo, o turismo.

A partir daí, se pode imaginar um desencadeamento do que pode acontecer com a economia, e assim vai. Como ninguém tem a menor ideia como calcular o impacto, os mercados entram num círculo vicioso. O pior é que não tem taxa de juros baixa que vai fazer alguém sair de casa, enquanto estiver com medo.

Enquanto novos casos estiverem acontecendo aqui, ou acolá, o impacto emocional é multiplicado. Ontem vi um Twiteer que chamou minha atenção. Perguntaram ao técnico do Liverpol, Jurgen Klopp, se ele estava preocupado como seu time em consequências do coronavírus. Sua resposta: eu não sei por que você está fazendo esta pergunta para mim. O fato de eu ser famoso no meu campo não me dá subsídio para responder, não entendo nada deste assunto, minha resposta não tem valor nenhum.

Os investidores estão sem direção, veja a seguir algumas observações do Wall Street Journal nesse sentido. Eis o que as pessoas disseram, estar dirigindo o mercado de ações esta semana. Otimismo sobre a política do Fed. Pessimismo sobre a política do Fed. Otimismo sobre a resposta do governo. Pessimismo sobre a resposta do governo. O livro bege. Joe Biden.


A reação numa visão do mercado mal acontece e o mercado vai para o outro lado. É uma situação fútil e irritante para investidores e analistas. Esqueça de tentar prever onde as ações estarão em seis meses ou um ano. Esses homens nem conseguem descobrir onde estarão amanhã. Tudo depende de como o surto de vírus ocorrerá. E ninguém tem ideia.


"Quando você tem um dia útil de 4,5% no mercado e um dia de queda de 2% - o que isso significa?" diz Kathryn Kaminski, do AlphaSimplex Group. "Significa apenas que não sabemos o que está acontecendo."


Os ganhos na segunda-feira se transformaram em perdas. Em nove pregões, três viram o S&P 500 fechar positivo 4%, ou mais, e outros quatro apresentaram mergulhos de 3%. Uma média de oito dias da faixa alta-baixa diária da S&P é a mais ampla desde 2011, de acordo com dados da Bloomberg.

Cantor Fitzgerald diz que usa qualquer manifestação baseada em ações do banco central para vender ações. O JPMorgan Chase & Co. diz que as respostas serão bem-sucedidas: é hora de entrar. Gina Martin Adams, da Bloomberg, aponta para um aumento nos spreads de alto rendimento - ruim para as ações. O Deutsche Bank Securities Inc. vê a venda continuando.


Em episódios que a volatilidade aumentou em relação aos níveis históricos, demorou em média de seis a sete semanas para diminuir, o Deutsche, liderado pelos economistas Peter Hooper e Matthew Luzzetti, escreveu em um relatório, com o S&P levando outros quatro a cinco meses para recuperar as perdas depois disso.

O Citigroup. diz que não é prudente fazer qualquer coisa antes que os dados cheguem ao vírus, incluindo revisões de ganhos. "Admitimos que não podemos capturar completamente o que são desenvolvimentos fluidos", escreveu o grupo liderado por Tobias Levkovich em uma nota.

Uma série de empresas alertou sobre os lucros, mas poucas disseram o tamanho. "Não estamos recebendo orientação das empresas porque elas não sabem o que dar", disse Kotok à Bloomberg TV nesta semana. "Mas sabemos que a dor está chegando na frente dos ganhos".


As mensagens do Fed também confundem. Depois de instituir um corte de juros emergencial na terça-feira, o presidente Jerome Powell deixou a porta aberta para novas ações em sua próxima reunião agendada. Um dia depois, o presidente do Federal Reserve Bank de St. Louis, James Bullard, disse que não acha que os mercados devam enfatizar demais a possibilidade de outra redução, pois pode haver pouca justificativa para uma alteração nas taxas até então.

"É definitivamente volátil. Quando as coisas chegam a esse ponto, normalmente leva algumas semanas para as coisas se acalmarem ”, disse Michael Shaoul, diretor executivo da Marketfield Asset Management LLC, à Bloomberg TV. "Tudo o que sabemos agora é que realmente não entendemos o que vai acontecer a seguir. Provavelmente faltam 4, 6, 8 semanas para obtermos informações úteis sobre qual é a trajetória do vírus ou qual é a aparência das consequências econômicas reais. "

Essas narrativas mostram como o mercado está navegando num voo cego sem instrumentos, como eu mencionei em post esta semana.

Hoje foi publicado os dados de emprego nos EUA para o mês de fevereiro. Não fosse o surto do CONVID 19 a bolsa estaria nas alturas. Foram criados 273 mil empregos e a taxa de desemprego na mínima histórica em 3,5%, com aumento de salários de 3% a.a. Não podia ser melhor, mas o mercado já está encarando isso como um dado do passado.

A situação do Fed é delicadíssima, se por um lado o CONVID 19 ameaça as economias mundiais para uma eventual recessão desconhecida, por outro lado, se o efeito estiver muito exagerado, baixar os juros é uma temeridade. O que fazer? A Goldman Sachs criou um índice Coronavirus Activity que se manteve estável durante a última semana de fevereiro, com o declínio no número de participantes na Broadway, na venda de ingressos de cinema e nas milhas disponíveis de assentos de companhias aéreas. Isso sugere que, pelo menos por enquanto, os consumidores não estão evitando reuniões de massa em resposta às notícias sobre o coronavírus.


No post futurologia, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” parece que a queda ainda teria mais alguns recuos a atingir. Apontei a seguir uma área, ainda bastante grande, onde poderia haver uma reversão” ... ... “O próximo intervalo deveria se situar ao redor de 1,0% que se rompido levariam os juros para 0,85%. Como frisei acima, acredito que a chance de retenção nesse último nível é elevada” ...

O mercado ainda deu uma colher de chá para nós, na abertura o juro estava em 0,70% nível que zerei essa posição. No gráfico a seguir aponto qual o novo objetivo de 0,10% a.a., caso não acontecer uma reversão.

- David, por que então você zerou?
Ninguém está enxergando nada com um mínimo de segurança. Do ponto de vista técnico o nível de 0,85% seria o mais provável de que haja uma reversão. Você não acha que seria perigoso ficar posicionado tentando acertar o bumbum da mosca? Estar no azul na planilha de resultados é quase que um milagre com esses acontecimentos, prefiro ficar de fora um pouco e observar os mercados.


O SP500 fechou a 2.972, com queda de 1,71%; o USDBRL a R$ 4,6269, com alta de 0,43%; o EURUSD a 1,1285, com alta de 0,41%; e o ouro a U$ 1.673, com alta de 0,21%.

Fique ligado!

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