2020: O risco vai compensar?

19 de março de 2020

Sexta-feira "x"



Ao observar o comportamento de diversos mercados, durante minha leitura diária, poderia resumir dizendo que os preços espelham um desespero na obtenção de liquidez. Tudo foge a qualquer lógica, como é esperado em situações como essa. Como num castelo de cartas, as mais perto do topo caem primeiro empurrando os níveis abaixo em seguida. Acredito que as posições alavancadas já devem estar quase que na sua totalidade zeradas. Mas o mercado caminha agora nos andares de baixo. Os bancos centrais estão realizando esforços para evitar uma crise de liquidez generalizada.

Em situações normais, o vencimento de opções das principais bolsas não tem um impacto mais importante, porém agora é um evento que pode gerar uma elevada volatilidade, o que não é novidade nesses últimos dias. Um artigo publicado pelo Wall Street Journal classifica esse dia de amanhã como potencialmente o mais volátil em anos. Com vencimentos programados nos mercados de futuros, opções e outros derivativos ameaçam aumentar o mês frenético que já teve algumas das maiores oscilações diárias do índice de ações de todos os tempos.

O S&P 500 subiu ou caiu pelo menos 4% em oito sessões consecutivas, a maior sequência da história, de acordo com a Dow Jones Market Data. O Cboe Volatility Index, o medidor de medo de Wall Street conhecido como VIX, atingiu seu nível mais alto da história nesta semana.

Os traders estão se preparando, em parte, por causa da chamada quadruple witching, a sexta-feira perto do final de cada trimestre em que opções e futuros em ambos os índices e ações expiram simultaneamente. Os contratos de opções pendentes vinculados ao índice S&P 500 atingiram um recorde esta semana. Mais de US $ 1,5 trilhão em opções do S&P 500 devem expirar na sexta-feira, cerca de um terço dos contratos em aberto.


Os volumes de negociação, que já atingiram níveis quase recordes nas últimas semanas, tendem a aumentar em dias como esses. No último dia com essa característica, 20 de dezembro de 2019, cerca de 11,8 bilhões de ações mudaram de mãos, em comparação com uma média de cerca de 7 bilhões de ações no ano passado, de acordo com a Rosenblatt Securities.

Muitos traders grandes provavelmente acompanharão de perto os movimentos noturnos nos mercados de quinta para sexta-feira, porque detêm opções no S&P 500 que expiram na manhã de sexta-feira. Tais oscilações durante a noite são incomuns, mas se tornaram mais comuns com a pandemia de coronavírus. O risco da noite para o dia é muito maior do que há muito, muito tempo.

É provável que a volatilidade exacerbe as preocupações sobre o mercado que surgiram durante o crash do mês passado. No mercado de ações dos EUA, a liquidez - um termo usado para descrever a facilidade com que compradores e vendedores podem negociar entre si – evaporou.

O diferencial entre o preço que os compradores estão dispostos a pagar por uma ação e o preço que os vendedores estão dispostos a aceitar – denominado de preço de exercício, é o mais amplo nos últimos oito anos. Enquanto isso, uma medida de liquidez para futuros acompanhando o S&P 500 caiu para o nível mais baixo desde 2006.

Qual foi o resultado? As ações, especialmente as de menor liquidez, incluindo muitas empresas de menor capitalização, têm sido mais suscetíveis a oscilações exageradas - principalmente para o lado negativo. O índice Russell 2000 de ações menores caiu 41% este ano, comparado com um declínio de 30% nos industriais da Dow e uma queda de 26% no S&P 500.

Para que o leitor possa entender os possíveis cenários para amanhã vou explicar com um exemplo hipotético. Imaginem que o investidor C (compra) decidiu comprar uma opção de venda com preço de exercício do índice bolsa a 80, quando ela estava em 100, para proteger sua carteira. Para executar essa operação o investidor V (venda) que achava não ser possível uma queda dessa magnitude, vendeu esse contrato para embolsar um prêmio de R$ 1,00.

Acontece que a bolsa começou a cair muito e no dia do exercício está sendo negociada a 60, sendo que essa opção no dia valia R$ 20.

O investidor C – Certamente ele exercerá a opção entregando suas ações e recebera R$ 80. Ele acabou perdendo R$ 20 sobre o preço que estava no dia em que resolveu comprar a opção.

O investidor V – Vai ter que vender as ações que recebeu para poder fazer o pagamento a bolsa e realizar um prejuízo de R$ 20.

Mas o jogo de xadrez é mais complexo do que isso, pois depende do que cada um desses investidores fez antes do exercício.

Para não complicar analisemos o caso máximo de volatilidade, que aconteceria em 2 situações, com resultados opostos.

Continuidade da baixa: O investidor C entrega suas ações e decide que quer manter o caixa que recebeu, obrigando o investidor C a vender essas ações.

Reversão: O investidor V resolve ficar com as ações pois acredita que está muito barato, enquanto o C precisa comprar essas ações para seu portfólio.

Naturalmente que tudo é muito mais complexo que essa narrativa, e o efeito pode ser dar depois do exercício, por alguns dias.

Para nós que não estamos envolvidos amanhã, embora não seja sexta-feira 13, promete grandes emoções.

Daqui em diante se pode esperar movimentos expressivos, principalmente, em altas, em função das fortes quedas que ocorreram. É assim que mercados em baixa funcionam. Por exemplo, o petróleo está subindo 26%. Não vai ser fácil navegar nos próximos meses.

No post caixa-so-caixa, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...”  Foram completadas 5 ondas nesse processo de recuperação do euro, o movimento que se sucede indica uma correção onde a extensão está marcada no gráfico: até € 1,105 seria o nível aceitável, razão da nossa sugestão de trade; € 1,093 seria uma retração suportável” ...

No post uma-nova-realidade-na-globalizacao, atualizei o stoploss do euro para o nível de entrada, e foi estopado no dia seguinte.

- David, você estava tão confiante o que que aconteceu?
No domingo à noite, quando o Fed anunciou a redução da taxa de juros, observei que a reação dos mercados foi atípica, pois ao invés das moedas subirem, caíram. Na segunda-feira, notei uma continuidade da fraqueza em todas as moedas. Foi aí que decidi colocar o stoploss no nível de entrada, pois em dúvida, não quero ficar no mercado.

Em análise técnica, sempre existe cenários alternativos, razão pela qual se estabelece os stoploss, foi isso que ocorreu. Escapamos de mais uma!

Como ficamos daqui em diante? Vejam a seguir

Um nível crucial será entre 1,05 e 1,0339, principalmente este último que se ultrapassado coloca o euro rumo a mais quedas. Caso isso aconteça, o primeiro objetivo seria ao redor de 0,99, e o próximo a 0,88.

Queria trazer a atenção o dólar index (DXY) a seguir. Do ponto de vista técnico está numa conjuntura delicada, se ocorrer rompimento do nível atual, novas máximas estão no radar. A busca de liquidez desenfreada que veem ocorrendo nos mercados, torna a moeda americana um refúgio, mesmo com os pacotes recentes anunciados que elevam o déficit americano a níveis perigosos.


O SP500 fechou a 2.409, com alta de 0,47%; o USDBRL a R$ 5,0957, com queda de 1,02%; o EURUSD a 1,0673, com queda de 2,14%; e o ouro a U$ 1.469, com queda de 1,09%.

Fique ligado!

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