2020: O risco vai compensar?

9 de março de 2020

300.000!



Com toda essa confusão que está acontecendo nos mercados mundiais, não verifiquei o número de leituras do Mosca, além do mais, acabei atrasando a confecção hoje. Eu acreditava que o nível de 300.000 iria acontecer em breve, mas já ultrapassou. O último resultado é de 300.253, uma marca histórica. Gostaria de agradecer a confiança dos leitores e vamos em frente em busca dos 500.000.

Essa manhã, e acredito que boa parte dos leitores soube ontem a noite, as cotações do petróleo chegaram a cair 30%, aumentado o risco de uma recessão. Em relação as bolsas, já não bastava a incerteza sobre o coronavírus embarcou também nesse argumento – recessão, e aprofundou seu movimento de queda. Não escapou nenhuma!

As negociações da OPEP terminaram em um fracasso dramático, aumentando o fim de uma aliança diplomática entre a Arábia Saudita e a Rússia, que sustentou os preços do petróleo e mudou o equilíbrio de poder no Oriente Médio.


O petróleo Brent, referência mundial, teve a maior queda de uma década depois que a Rússia se recusou a ceder à vontade da Arábia Saudita, cuja aposta de alto risco empurrou o grupo para além do ponto de ruptura. Riyadh queria reduzir a produção para compensar o impacto à demanda do coronavírus. Mas Moscou teve uma ideia diferente.

O orçamento do Kremlin é mais resistente a preços baixos do que seus aliados do Oriente Médio. A Rússia também argumentou que o petróleo barato ajudará a acabar com a concorrência do xisto dos EUA e a direcionar investidores contra empresas que já estão com dificuldades.

Os traders de petróleo agora estão procurando sinais de que a Arábia Saudita, a Rússia ou qualquer um dos outros países da OPEP - livres das restrições do cartel e com buracos no orçamento a preencher - possam realmente aumentar a produção.

O responsável pela queda nas cotações do óleo foi a Arábia Saudita que comunicou a seus principais parceiros que está disposta a fornecer generosos descontos. Mesmo enquanto enfrentam um colapso na demanda de combustível por causa do coronavírus, pelo menos seis refinarias da China a Cingapura disseram que, no entanto, tentam maximizar suas compras no reino, permitindo a capacidade de armazenamento. A Saudi Aramco, estatal, começou a receber manifestações de interesse por petróleo extra.

Se os compradores asiáticos aceitarem a oferta saudita, isso significaria significativamente menos compras no mercado à vista, o que poderia devastar os mercados de petróleo nos quais os vendedores tradicionalmente vendem seu petróleo por meio de licitações e transações à vista, incluindo a África Ocidental e alguns fluxos de petróleo da Rússia.

É sabido que os produtores de petróleo do Oriente Médio têm elevados déficits em conta corrente, e a exportação de petróleo consiste na maior parcela do fluxo de entrada. O gráfico a seguir dá uma ideia de qual deve ser o nível de óleo para que tenha um budget equilibrado.


A Arábia Saudita é o produtor com o menor custo de extração, algo em torno de U$ 10. Já os americanos que produzem o shale gas, cujo custo é da ordem de U$ 50. Por tanto, se a Arábia Saudita derruba o preço, tira do mercado todos os produtores com custo mais elevado – O Brasil é da ordem de U$ 30. Parece que a estratégia dos árabes foi tirar do mercado esses produtores de custo mais elevado.

Porém, o momento atual é muito delicado, e qualquer mercado que sofre uma queda dessa magnitude levanta poeira nos outros.

Mas além do efeito econômico tem a repercussão política. Imagino que qualquer governante hoje em dia, passa boa parte de seu dia buscando decidir o que fazer para estancar a propagação do vírus, que agora está afetando os países da Europa e EUA. Se as economias entrarem em recessão e com eleições nos EUA este ano, fico com a impressão de que, a Arábia Saudita será apontada como a responsável, sempre tem que ter algum.

Não sou estrategista político, mas me parece que o movimento escolhido pela Arábia Saudita não foi feliz. Se tivesse engolido o sapo do Putin, e esperado um outro momento, não teria esse efeito colateral. Já vejo o Trump tuitando que a recessão é culpa dos sauditas, o mais interessante é que, nesse momento é porque o preço caiu e não subiu!

No post o-virus-do-medo, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...”  As cotações ficaram contidas dentro das linhas cinzas traçadas acima e tem um objetivo de curto prazo de R$ 4,50 (atingido hoje durante o dia), que se respeitado deveria iniciar um movimento de correção” ... ... “ Não vou entrar agora, embora acredite em novas altas mais adiante” ...


Mas não houve trégua, o dólar continuou subindo de forma consistente chegando à máxima hoje de R$ 4,79.

No final de semana fiz uma análise detalhada nos mercados que eu cubro, e não foi diferente com o real. Nele cheguei a duas contagens distintas que podem ter consequências dispares no longo prazo. Mas como no curto prazo a direção é a mesma, não vou me preocupar agora.

Na teoria de Elliot Wave quando ocorre congruência de níveis, esses têm boa chance de ser um ponto de reversão, ou no mínimo, difíceis de ser ultrapassado. O interessante nesse caso, e que essas congruências acontecem nas duas contagens mencionadas acima, o que é mais intrigante, pois são estabelecidas de forma distinta.

O dólar chegou no objetivo traçado pelo Mosca a algumas semanas atrás. Naquela data parecia longínquo e sem aparente razão. Mas os indicadores técnicos indicavam esse movimento que acabou ocorrendo. Posso considerar satisfeito esse nível com a alta de hoje, mas não posso garantir que irá ocorrer a reversão.

Como comentei acima, a confluência deveria ser no mínimo difícil de ultrapassar, mas se acontecer, de forma rápida poderá atingir R$ 5,70.

Vale uma observação do que ocorre com os mercados internacionais em relação ao dólar:

yen e franco suíço – dólar em queda
euro e libra esterlina – dólar se enfraqueceu nos últimos dias
australiano, neozelandês e canadense – dólar ainda em alta, porem hoje, com exceção do canadense, reverteram a maior parte da alta que ocorreu na Ásia.

O que eu quero frisar com isso? Que o dólar está mudando de direção, passando a se enfraquecer em relação as moedas do G7 – exceção ao canadense que é fortemente influenciado pelo petróleo.

Mas é bastante especulativo minha observação, pois esse cenário de alta das moedas do G7, com exceção das emergentes pode continuar. Porém, se o dólar começar a se enfraquecer não por conta da queda dos juros, mas pelo seu elevado déficit, esse quadro poderá se modificar também em relação aos emergentes.

O SP500 fechou em queda de 7,60%; o USDBRL a R$ 4,7197, com alta de 1,93%; o EURUSD a 1,1449, com alta de 1,46%; e o ouro a U$ 1.676, com alta de 0,14%.

Fique ligado!

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