2020: O risco vai compensar?

30 de março de 2020

Acertou no que não viu



Como comentei anteriormente, eu adotei uma postura mais pragmática sobre o que vai acontecer no futuro em relação ao Covid-19. São tantas hipóteses, com um baixo teor de certeza, que praticamente nenhuma delas tem algum valor. Nesta linha de raciocínio, recebi um relatório elaborado pelo JP Morgan, onde afirmam que não estão fazendo nenhuma previsão sobre o número de infecções, porque, no momento que o modelo funciona, você já sabe a resposta.

Para justificar essa afirmação, consideram que, se usar a curva de infecções da Coreia do Sul para projetar o que deveria ter acontecido na Itália, a realidade foi 10 vezes superior.


As duvidas que tenho, explicitadas no meu post recessão-instantânea, continuam sem resposta (e vão continua).

- Quanto tempo vai durar o lockdown.
- Como a economia vai se comportar depois disso.
- Existira uma nova rodada de contaminação?

Vários analistas buscam fazer uma relação entre essa crise com outras vividas no passado. Em 2008, o economista, Nouriel Roubini, se tornou famoso por prever a grande recessão com bastante antecedência, ficou desde então conhecido como “Dr. Doom” – Dr. Destruição!

Eu não vi nenhum economista que acerta um call totalmente fora do consenso, acertar de novo. Em todo caso, vejamos quais são suas profecias para a situação atual.

Roubini alertou que o coronavírus poderia levar a uma "Grande Depressão" nos EUA, superando a hipótese básica de economistas, que anteveem uma recessão já em andamento.
Ele nota três pontos principais que precisariam se desdobrar:

1. A resposta de saúde errada

"O que está acontecendo nos Estados Unidos é totalmente louco", disse Roubini. O presidente Donald Trump indicou que gostaria de reabrir a economia dos EUA até a Páscoa, em 12 de abril, que foi prorrogado até o final desse mês.

Comparar como outros países, como China e Itália, lidaram com a pandemia mostra por que reiniciar a economia muito cedo é uma má ideia, segundo Roubini.

Se você encerrar tudo por três meses, interromperá a pandemia, novos casos chegarão a zero, você terá um ou dois trimestres de atividade econômica realmente ruins e voltará gradualmente ao normal", disse Roubini, acrescentando que é isso que precisa ser feito.
Mas "se você essencialmente chuta a lata no caminho, como a Itália fez, e não faz bloqueios radicais compulsórios", acaba com uma situação que é um "pesadelo médico e de saúde total".

É claro que é doloroso encerrar a economia por tanto tempo, mas é a coisa certa a fazer para impedir a propagação do vírus, para que não seja necessário interromper a economia novamente no futuro por um longo período.

Roubini também disse que é provável que o vírus volte com uma mutação diferente no próximo inverno. O aumento será menor nos países que fizeram supressão em vez de mitigação para combater o vírus, disse ele, acrescentando que os EUA fizeram uma "mitigação light".

Isso pode significar que a economia está sofrendo novamente no próximo ano, quando começa a se recuperar, prolongando os danos.

2. A preocupação da inflação futura

"Por um ano, você pode ter um déficit orçamentário de US $ 2 trilhões a US $ 3 trilhões", disse Roubini, acrescentando que isso representaria cerca de 15% do PIB, e nada aconteceria, tudo ficaria bem.

Mas "você não pode enganar todos os investidores o tempo todo", acrescentou. "Se você administra um déficit orçamentário de 10% a 15% do PIB ao imprimir financiamento, acabará como o Zimbábue, como a Argentina e a Venezuela, com alta inflação e eventualmente hiperinflação", afirmou.

Se houver um choque negativo na oferta, como foi visto quando a pandemia de coronavírus interrompe as cadeias globais de fornecimento e envia trabalhadores para casa, é provável que isso leve a menos crescimento e mais inflação, de acordo com Roubini.

"Quando há um choque negativo na oferta, reduz a produção e aumenta os preços", afirmou ele. Quando se imprime dinheiro e apresenta um déficit orçamentário, pode acabar com estagflação. "A estagflação é uma combinação de estagnação econômica, recessão e alta inflação".

3. Choques geopolíticos adicionando tensão extra

"Podemos ter uma ampla gama de choques geopolíticos entre os EUA e a China, a guerra cibernética global" e muito mais, disse Roubini.

Tensões geopolíticas adicionais em cima de uma depressão econômica podem levar a uma depressão geopolítica.

"Esses choques podem acabar sendo mais graves que a crise do coronavírus", disse Roubini.

Roubini já tinha uma visão negativa do mundo a um bom tempo, com um cenário sombrio de recessão por conta de outros fatores, mas principalmente pelo elevado grau de endividamento. Com a eclosão do Covid-19, embarcou nesse tema para elevar em um nível sua previsão que passou de recessão para depressão.

Pode ser que tudo que imagina acabe acontecendo, mas não podemos esquecer que são hipóteses sem uma base concreta por trás, Por exemplo, no primeiro item, ninguém sabe qual a melhor forma de encarar esse surto, nem usar a Itália como benchmark da desgraça dos outros. Talvez o problema seja mais de saúde pública que de economia.

Em relação ao segundo ponto, também tenho receio, é um risco que imagino todos os bancos centrais estão conscientes. Mas qual seria a outra opção, deixar todo mundo quebrar sem que houvesse uma razão econômica? Acredito que esse ponto será muito importante se tudo ocorrer como se espera, e a economia se recuperar depois da quarentena, aí que iremos verificar se os bancos centrais agirão para normalizar os fluxos, ou ficarão esperando muito tempo, para retirar a liquidez.

E por último, todos esses riscos geopolíticos existem e só se tornaram preocupantes se existir hostilidades entre esses países, por exemplo, um culpando o outro pelo surto.

Ao Roubini, diria que estão anotado seus pontos. Entretanto, ele atirou no que viu e acertou no que não viu!

No post modo-emergencia, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “ Mas não houve refresco, o dólar ultrapassou a marca dos R$ 5,00 e atingiu a máxima de R$ 5,25 na semana passada. Para quem teve coragem, deve ter entrado na minha recomendação de compra” ...

O dólar parece não ter completado a correção que eu estava esperando. Sendo assim, uma oportunidade de compra poderá surgir nos próximos dias. Considere a estratégia abaixo.
Comprar - 1/6 a R$ 4,97 e 1/6 a R$ 4,85, com stoploss a R$ 4,60. O objetivo seria a R$ 5,70. Notem que já estou ajustando o tamanho de acordo com a volatilidade atual.

Por outro lado, se o dólar ultrapassar R$ 5,25 (sem false break), sugiro comprar ¼ nesse nível com stoploss a R$ 5,15. Como podem notar, não é um trade maravilhoso, pois se tivesse que colocar o stoploss no lugar certo – R$ 4,95, o prejuízo poderia ser de 6% para buscar um ganho de 8,5%. Quase igual a roleta do Cassino! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.626, com alta de 3,35%; o USDBRL a R$ 5,1936, com alta de 1,84: o EURUSD a 1,1043, com queda de 0,88%; e o ouro a U$ 1.619, com queda de 0,19%.

Fique ligado!

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