2020: O risco vai compensar?

16 de março de 2020

Uma nova realidade na globalização



Vou fazer alguns comentários sobre o Convid -19 pois imagino que todos os leitores viraram especialistas em infectologia. Eu não sei vocês, mas tenho a impressão de que estou me preparando para uma guerra onde não sei estar meu inimigo. Vejam a velocidade como as coisas têm caminhado, basta pensar uma semana atrás, parece que faz um século. É está a sensação quando a volatilidade aumenta, e aqui não quero dizer do mercado, mas da evolução desse surto. Um dia parece uma semana.

Vou dizer o que resolvi fazer de forma ampla. Meu objetivo é minimizar o risco de contágio, bem como, aumentar minha capacidade de imunização. Esses objetivos podem ser conflitantes em alguns pontos, por exemplo, em relação a academia. Eu faço aulas se spinning com uma frequência bastante elevada, 5 vezes por semana. Consultando alguns artigos sobre esse assunto cheguei a seguinte decisão: vou frequentar desde que a aula tenha poucas pessoas e com uma superlimpeza na bike. Provavelmente, não irei no final de semana, e nesses dias vou usar a academia do prédio.

Outra evidencia que pode nos salvar como brasileiros (só uma evidência), a de que o vírus se propaga mais em locais mais frios. Se isso for realmente real, por sorte, estamos ainda com temperaturas elevadas.

Vocês viram a irresponsabilidade neste final de semana dos manifestantes contra o Congresso, com aval de nosso presidente. Desse último espero que vocês não deveriam ficar surpreendidos, ele já deu mostras de como age, qual o critério que toma suas decisões.

Por essa mesma observação, vejam o que acabou acontecendo com a Itália e Irã que não tomaram as devidas precauções com antecedência. Talvez pelo motivo exposto acima, a África não surgiu no noticiário, além do caso da Índia que é intrigante. Se as informações estiverem corretas, os técnicos da área de saúde ainda têm muito trabalho para explicar esse surto.

E por último, o Fed realizou um movimento inédito, cortou os juros em 100 pontos no domingo à noite, além de outras medidas para melhorar a liquidez. De certa forma, copiou o “Super Mario” praticamente prometendo fazer qualquer coisa para estancar os mercados. A única diferença é que essa crise não é financeira! Neste momento ele não tem mais bala na agulha, a não ser que, resolva se envolver no mundo de juros negativos.

Um artigo publicado pela Bloomberg levantando a hipótese que a globalização é coisa do passado. A guerra comercial foi o primeiro passo e o surto Convid -19 poderá estender essa atitude pelas empresas.

Os efeitos deprimentes do coronavírus na economia global e as interrupções nas cadeias de suprimentos estão sem dúvida levando o último prego ao caixão dos globalistas.

Eles acreditam na teoria primeiramente articulada pelo inglês David Ricardo (1773-1823) de que o livre comércio entre as nações beneficia todos eles. Ele defendeu a vantagem comparativa do livre comércio e da especialização industrial. Mesmo que um país seja mais competitivo em todas as áreas do que seus parceiros comerciais, esse país deve se concentrar apenas nas áreas em que possui a maior vantagem competitiva.

Mas o modelo comercial simples de Ricardo exige economias em equilíbrio estático com pleno emprego e nem superávits nem déficits comerciais, além de padrões de vida semelhantes. Isso não é verdade no mundo real. Afora isso, Ricardo não considerou países em diferentes estágios de desenvolvimento econômico e diferentes graus de liberdade econômica e política, nem manipulações de taxas de câmbio e desvalorizações competitivas, uma vez que o ouro era dinheiro universal em seus dias.

Ricardo também não considerou parceiros comerciais com enormes diferenças salariais, como os EUA e a China. Como resultado, a China pode produzir quase qualquer bem manufaturado mais barato que os Estados Unidos. O resultado foi o enorme e crônico déficit comercial dos EUA com a China.

As guerras comerciais são normais, pois os países com demanda doméstica insuficiente para criar pleno emprego se esforçam para descarregar seus problemas nos parceiros comerciais. Eles promovem moedas fracas para tornar as importações mais caras para os residentes, a fim de incentivar a produção local e tornar as exportações mais baratas para os compradores estrangeiros. Os subsídios para empresas exportadoras, agora difundidas na China, são outra técnica comprovada.

O livre comércio é raro. Historicamente, esteve amplamente restrito a períodos em que uma grande potência global promoveu a livre troca de produtos em seu próprio interesse esclarecido. Isso aconteceu com a Grã-Bretanha no século 19, depois que ela liderou a Revolução Industrial e queria garantir o fluxo fácil de matérias-primas para suas fábricas do exterior e do mercado externo para sua produção. Após a Segunda Guerra Mundial, os americanos usaram o comércio para reconstruir a Europa Ocidental e o Japão para combater os soviéticos e aceitaram a falta de reciprocidade em algumas dessas terras, principalmente no Japão. Isso foi mais barato e mais aceitável na era da Guerra Fria do que guarnecer mais tropas americanas ao redor do mundo e arriscar mais confrontos militares.

Consequentemente, houve oito rodadas globais de corte de tarifas na era pós-segunda Guerra Mundial, desde a Rodada de Genebra de 1947 até a Rodada Uruguai em 1986-1994. A Rodada Doha de 2001 não chegou a lugar algum porque, até então, Washington não precisava mais apoiar o mundo livre. Além disso, os déficits comerciais dos EUA eram crônicos e crescentes, especialmente quando a globalização transferiu empregos industriais para a China e outros países asiáticos de baixo custo. As posições de fábrica nos EUA caíram de 21,7 milhões em 1979 para 11,5 milhões em 2010, com apenas uma recuperação modesta após a Grande Recessão, para 12,9 milhões em fevereiro deste ano.

Em grande parte, como resultado desses desenvolvimentos, os salários reais para a maioria dos americanos permanecem estáveis ​​há várias décadas, deixando os eleitores irritados. O presidente Donald Trump cumpriu suas promessas e foi eleito culpando a baixa renda por importações e imigrantes. A falta de crescimento da renda real também convenceu os eleitores da Europa de que os políticos dominantes não eram eficazes. O resultado foi o Brexit e uma atração para os partidos de extrema direita e extrema esquerda.

A globalização não apenas deixou os EUA altamente dependentes da China para produtos manufaturados, mas também gerou cadeias de suprimentos eficientes, mas vulneráveis. Os têxteis produzidos em fábricas chinesas intensivas em capital são costurados em roupas no Vietnã, onde a renda é de apenas 28%, segundo a OCDE. Os semicondutores da Coréia do Sul entram em subcomponentes em Taiwan e são montados em smartphones na China para exportação para os EUA.

A interrupção das cadeias de suprimentos do coronavírus não apenas desequilibra as importações dos EUA, mas também levanta preocupações de segurança nacional. A China é o maior fornecedor mundial de ingredientes farmacêuticos ativos e a indústria indiana de medicamentos genéricos, que a Food and Drug Administration afirma fornecer 40% dos medicamentos genéricos dos EUA, depende da China para a maioria de seus ingredientes ativos.

Mesmo após o susto do vírus, espere mais pressão de Washington por fontes de bens mais confiáveis, entre outras medidas protecionistas. Os produtores domésticos serão beneficiados, mas também os do México. Os resultados serão menor eficiência global e menor crescimento econômico.

Se esse movimento se intensificar, tenho a impressão de que terá um efeito inflacionário inicial nos produtos, porém, na classe de serviços, não vejo como a globalização poderá mudar de direção, pois envolve tecnologia e conhecimento não acessível a diversos países que consomem.

No post 300000, fiz os seguintes comentários: ... “O dólar chegou no objetivo traçado pelo Mosca a algumas semanas atrás. Naquela data parecia longínquo e sem aparente razão. Mas os indicadores técnicos indicavam esse movimento que acabou ocorrendo. Posso considerar satisfeito esse nível com a alta de hoje, mas não posso garantir que irá ocorrer a reversão” ...

O dólar atingiu a máxima de R$ 5,00 na semana passada, por uma atuação mais forte do banco central retraiu até R$ 4,65. Porém, com as últimas reações está de novo próximo aos R$ 5,00.
Do ponto de vista técnico, pode ser que, o dólar permaneça num intervalo entre R$ 5,00 e R$ 4,65, por um tempo, embora hoje em dia, esse tempo tem sido bem menor que antes. Depois disso, uma nova alta deveria levar o dólar para R$ 5,70, embora tenha um objetivo anterior de R$ 5,25, mas que deveria ser ultrapassado para corroborar o nível acima – R$ 5,70.

Com essa estratégia, vou propor um trade de compra de dólar a R$ 4,65 com stoploss a R$ 4,50. Observem que devemos usar metade do tamanho que tínhamos usado até então. Como no fechamento o dólar está ultrapassando a máxima anterior, somente um eventual false break ocorrendo amanhã, deixaria esse trade ainda em execução. Por outro lado, para quem tiver coragem, e no caso de não ocorrer o false break, uma compra a R$ 5,05 seria recomendada com stoploss bem curto - R$ 4,85.

O SP500 fechou a 2.386, com queda de 11,9%; o USDBRL a R$ 5,0125, com alta de 3,18%; o EURUSD a 1,1174, com alta de 0,62% - vou aproveitar para atualizar o stoploss no nível de entrada; e o ouro a U$ 1.502, com queda de 1,78%.

Fique ligado!

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