2020: O risco vai compensar?

11 de março de 2020

A volta dos helicópteros



Os bancos centrais ao redor do mundo, pouco a pouco, estão baixando os juros para enfrentar o subproduto do coronavírus, que se resume no colapso da economia. Todos nós esperamos que seja temporário, porém os efeitos de medo causados, poderão afetar por um prazo mais longo.

Acredito que nenhum presidente de banco central acredita que baixando os juros, vai fazer as pessoas sair consumindo que nem louco, na melhor das hipóteses ameniza a vida dos devedores. Será necessário fazer mais, e nessa área os governos terão que imprimir política fiscal expansionista.

Os países desenvolvidos não estão numa situação confortável para tanto, desde a recessão de 2008, as economias desenvolvidas não cresceram o suficiente para que os déficits fossem reduzidos, e na melhor das hipóteses não cresceram. Só existem duas exceções no quesito crescimento: EUA e China, o resto foi tudo “pibinho”. Mas não vai ter jeito, acredito que todos terão que dobrar a aposta agora.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que a Europa corre o risco de um grande choque econômico que ecoa a crise financeira global, a menos que os líderes ajam com urgência sobre o surto de coronavírus. Ela sinalizou que sua instituição tomará medidas até quinta-feira.

Lagarde disse aos líderes da União Europeia, em uma teleconferência na terça-feira que, sem ação coordenada, a Europa "verá um cenário que lembrará muitos de nós da Grande Crise Financeira de 2008".

Lagarde disse que seus colaboradores estão analisando todas as ferramentas para a decisão política de quinta-feira, particularmente medidas para fornecer financiamento "super barato" e garantir que a liquidez, e o crédito não se esgotem.

A mensagem de Lagarde serve como um alerta grave e um apelo dramático para as autoridades intensificarem esforços para impedir que o vírus arraste a Europa para uma recessão. Mesmo antes do surto, as autoridades do BCE pediram repetidamente aos governos que aumentassem os gastos públicos, à medida que a política monetária atingisse seus limites.

Já Angela Merkel, primeira ministra da Alemanha, disse no parlamento esperar que 60% a 70% dos alemães sejam infectados pelo coronavírus. Uma declaração bombástica para uma autoridade de um país tão importante. Não sei de onde ela tirou essa estatística, mas claramente entende se seu recado “Temos que abrir as torneiras”, algo que os alemães são sempre muito reticentes.

Olhando para tudo isso, os helicópteros – associação criada pelo Mosca em 2009, podem começar a sair do hangar, pois serão usados para arremessar dinheiro a população ao redor do mundo.

O indicador de medo e ganância que acompanho com frequência chegou a um extremo, do qual não me lembro ter visto no passado. Esse índice é utilizado para avaliar a intenção dos investidores na bolsa americana.


Ainda sobre a bolsa, eu comentei a alguns dias que, o que mais impressionava na queda foi a velocidade e nem tanto a magnitude, naturalmente falava da bolsa americana, pois a brasileira depois do tombo desta semana, a magnitude também foi grande. O gráfico a seguir compara diversas quedas superiores a 20% do índice acionário americano.


E para completar, o risco de recessão acompanhando pela Bloomberg, está agora acima de 50%. Acredito que não tem como escapar de uma recessão, as bolsas já precificam esse cenário. Porém, o que não está precificado é uma recessão mais prolongada pois a maioria dos analistas acredita que a economia deverá se recuperar em breve.


No post voo-sem-instrumentos, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” A configuração da bolsa da margem a algumas interpretações com conclusões de médio prazo diferentes” ... ...” 3 intervalos a saber: se a correção que se desenha ficar contida entre 103.000 – 93.000, está dentro do que se pode esperar; já entre 76.000 e 92.000 seria aceitável com ressalvas, e mais ênfase caso recue abaixo de 84.000; e por último, abaixo de 76.000, vou precisar reestudar minhas premissas” ...

Por enquanto a bolsa brasileira está no intervalo que denominei de aceitável e não rompeu o nível de 84.000 (no fechamento), embora esteja bastante próximo desse nível.

Muito bem, qual seria a outra hipótese? Conforme descrita a seguir, tem uma perspectiva de longo prazo bem mais complicada.

Minha ideia que estava trabalhando até agora, era de um movimento de alta que poderia sofrer uma correção até o nível de 93 mil. Como esse nível foi ultrapassado em muito, uma reavaliação se torna necessária.

Notem que o gráfico contém uma notação em vermelho -com letras, e outra com números – rosa, verde e cinza. Eu estava me baseando na contagem com os números que indicam um movimento direcional em alta que ainda não tinha terminado. Já em contra partida, a outra demarcação denota a extensão de uma correção que se iniciou há muitos anos.

- Puxa David, complicado! O que eu não entendo é como você podia estar tão otimista na bolsa brasileira e de repente mudou de ideia!
Entendo o seu espanto. Para responder veja meus argumentos a seguir:

·         Uma contagem de ondas válidas que indicavam essa trajetória, embora como mencionei diversas vezes, nunca me deixou muito confortável;
·         Fluxo de recursos para bolsa proveniente das “viúvas do CDI” que se mostrava muito consistente;
·         Cenário externo favorável.

Porém, ocorreu um evento totalmente imprevisível que afetou a confiança das pessoas no mundo, tornado o risco, em qualquer área, algo indesejável. Um evento “Cisne Negro”.

O Mosca está sem posição, mas imagino que todos nós fomos afetados por esses movimentos. Eu já passei por algumas crises desse tipo na minha vida, porém essa me parece mais grave, haja visto que, as armas para combater são remotas (como comentado nesses dias).

Eu costumo dizer que em momentos como esse, você acaba perdendo em posições que nem imaginaria perder!  

Amanhã terá reunião do ECB onde provavelmente um pacote de medidas será anunciado, isso poderá fazer o euro recuar. Como tenho comentado há tempos eu espero elevação do euro. A moeda única pode estar entrando num movimento de alta, que segundo os últimos dias, teria completado 5 ondas. Desta forma, vou propor um trade de compra do euro a 1,105, com stoploss a 1,085.

O SP500 fechou a 2.741, com queda de 4,89%; o USDBRL a R$ 4,7502, com alta de 2,26%; o EURUSD a 1,1274, sem variação; e o ouro a U$ 1.637, com queda de 0,72%.

Fique ligado!

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