2020: O risco vai compensar?

12 de março de 2020

Caixa, só caixa!



Eu tenho visto a maioria das empresas financeiras de investimento informando a seus clientes que tomaram medidas para proteger suas carteiras. Os ativos escolhidos foram: opções de venda do Ibovespa, dólar e ouro. Fico surpreso como pessoas inteligentes podem acreditar que esses ativos fornecem algum tipo de hedge, com exceção das opções de venda do Ibovespa.

Tanto o ouro como o dólar são totalmente desvinculados da bolsa, sendo o primeiro muito pior que o segundo. É verdade que o dólar se desvalorizou nesses últimos dias por conta da crise que o mundo vive, mas para mim essa operação aumenta o risco da careteira e não diminui, além da magnitude ser completamente diferente da queda nas bolsas. Já em relação ao ouro estão juntando banana com laranja, e possível que perca nos dois.

Em situações de pânico a única defesa se chama CAIXA, o resto é paliativo com possibilidade de efeito contrário, podendo gerar mais perdas.

Outro ponto que notei nas últimas 24 horas, é que caiu a ficha dos brasileiros. Recebi uma grande quantidade de áudios pelo WhatsApp, sobre as perspectivas da contaminação no Brasil. Fico preocupado como será o desenrolar por aqui, pois esse assunto não foi tratado com devida seriedade nas últimas semanas, e podemos ter mais infecções que os outros países.

A única boa notícia vem da China, que declarou que o surto do Convid -19 acabou naquele país. Mesmo assim terão que ter medidas preventivas para não reimportar do resto do mundo.

Como ninguém sabe o que vai acontecer, vou especular sobre o assunto, sujeito a críticas e sugestões dos leitores:

É natural que o primeiro impacto para as pessoas seja tentar minimizar os riscos de contaminação, afinal todo mundo está dizendo que é muito perigoso o contágio. Com a quantidade de notícias alarmantes a tendência e que se fique muito assustado. Sendo assim, a decisão mais razoável é ficar em casa lavando as mãos de 5 em 5 minutos.Com o passar dos dias, e o número de casos aumentando, parece que sua decisão é a mais acertada, porém, um certo tedio vai tomando conta, mas também, gerando um certo alívio.

Ninguém pode viver numa prisão indefinidamente, além de precisar sair as ruas para comprar comida no mínimo. Se você não tiver muito azar, vai verificando que nada acontece, pois somente em poucas pessoas infectadas aparecem os sintomas.

Depois uma análise mais pragmática sobre a China deveria ser considerada: Um país com 1,3 bilhões de habitantes, 100 mil pessoas contraíram e 3 mil morreram. Não estou querendo minimizar o efeito dessas pessoas que passaram por essa situação, mas do ponto de vista estatístico são números muito baixos.

Em seguida você será levado a pensar se, quer continuar vivendo como um prisioneiro forçado, ou correr o risco baixíssimo de sair às ruas. Talvez esse raciocínio não valesse para o segmento de risco que são os idosos que tem algum problema de saúde. Mas também, o que acontece se esse grupo ficar um pouco mais de tempo em casa? Minimiza o risco e tem impacto ínfimo no consumo, pois quando se fica mais velho, se consome menos (com exceção dos remédios! Hahaha ...)

Vou fazer uma previsão: daqui a 6 meses o mundo voltará ao normal, mas o estrago nesse período será grande.

Nesses momentos não adianta usar a racionalidade nos mercados, o que prevalece é justamente o contrário a irracionalidade. Uma boa parte dos investidores que tinham posições muito elevadas estão sendo obrigados a liquidar a qualquer preço. Outro grupo também entra nesse frenesi que são aqueles que alocaram parcela ao risco maior que suportam. Vocês poderiam se perguntar quem está comprando então: os investidores que estavam vendido a descoberto e investidores que pensam no longo prazo e não tem uma necessidade de caixa imediata.

Quando acabar a capitulação, um movimento de alta, mesmo que temporário, deve ocorrer. É certeza que essa recuperação será lenta e cheia de altos e baixos, o duro é que ninguém sabe em que nível ocorrerá essa mudança de direção. 

No post decisão-sob-pressão, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” O euro ainda não rompeu definitivamente as retas paralelas apontadas acima, e necessário que fique acima de € 1,12. Em isso acontecendo, o intervalo a ser considerado ainda como uma correção em andamento, seria entre € 1,145 a € 1,19” ...

No post de ontem a-volta-dos-helicópteros, propus um trade de compra que foi executado hoje: ... “A moeda única pode estar entrando num movimento de alta, que segundo os últimos dias, teria completado 5 ondas. Desta forma, vou propor um trade de compra do euro a € 1,105, com stoploss a € 1,085” ... Veja em seguida os motivos dessa sugestão.

Foram completadas 5 ondas nesse processo de recuperação do euro, o movimento que se sucede indica uma correção onde a extensão está marcada no gráfico: até 1,105 seria o nível  aceitável, razão da nossa sugestão de trade; 1,093 seria uma retração suportável, mas depois já começo a ficar desconfiado; e por último, abaixo de 1,077 inaceitável, somente numa situação rara.

Nos outros mercados não acredito que tenha algo a ser feito no momento, onde prevalece o medo e não a razão.

O SP500 fechou a 2.480, com queda de 9,5%; o USDBRL a R$ 4,7910, com queda de 0,47%; o EURUSD a 1,1195, com queda de 0,71%; e o ouro a U$ 1.576, com queda de 3,53%.

Fique ligado!

4 comentários:

  1. Na sua percepção vc acredita que caia mais quantos por cento o IBPVESPA

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    1. No maximo 72.582,53 pts, mais que isso nao cai.

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    2. Quando o mercado fica movido a emoção os movimentos ganham uma dimensão muito superior a que prevalecia.
      No caso especifico do Ibovespa, a minima de ontem pode ser um candidato, mas ainda é cedo para dizer. Se for esse o caso, espero uma recuperação "tortuosa" movimentos de 2 para cima e 1 a 1,5 para baixo. Acompanhe o blog para futuras atualizações e oportunidades.
      Para não haver duvida o 2, 1 e 1,5 não são percentagens mas só para dar ideia de dimensão.

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  2. veja a outra resposta que dei sobre esse assunto.

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