2020: O risco vai compensar?

13 de maio de 2020

Binóculo de longo alcance



As economias começam a operar de forma lenta com o relaxamento que está acontecendo em vários países. Aqui no Brasil, ainda estamos no contingenciamento, função da desobediência de parte da população e o fato de estarmos atrasados no ciclo da Covid-19.

Muito se tem especulado de como será essa volta. Provavelmente os leitores devem ter visto denominações sobre esse formato. As mais conhecidas são duas: V- shape, U-shape. Para quem não sabe o que isso significa, na primeira a economia voltaria rapidamente ao estágio que prevalecia, enquanto a segunda seria mais demorada. As letras associadas induzem as essas formas.

As economias dos diversos países não são iguais, porém, acompanhar o que acontece por lá pode ser um bom indicador para nossas perspectivas. Como o processo eclodiu na China, vou relatar algumas características de como está se dando esse retorno.

Os preços de fábrica da China caíram em abril, numa magnitude, a mais elevada em quatro anos, enquanto os fabricantes enfrentavam pressões deflacionárias da pandemia de coronavírus, que reduziu a demanda em casa e no exterior.

O índice de preços ao produtor caiu 3,1% em relação ao ano anterior em abril, em comparação com uma queda de 1,5% em março. Os preços do petróleo e de outras commodities caíram, contribuindo para a queda nos preços no atacado. Economistas esperavam que o indicador de preço industrial caísse 2,5% ano a ano.

"Não haverá recuperação em forma de V na atividade econômica", disse Liu Xuezhi, analista do Bank of Communications, após o lançamento dos dados. "A recuperação do Covid-19 será lenta."

É provável que os preços deflacionários do portão de fábrica persistam, acrescentou Liu, apontando para a demanda no exterior ainda em piora, enquanto outras partes do mundo lutam para conter a pandemia e os preços do petróleo continuam a flutuar.

Muitos economistas acreditam que os preços no atacado sofrerão um declínio adicional em maio, embora a recuperação da demanda doméstica, possa amparar uma recuperação gradual até o final do ano.

Por enquanto, a pressão descendente é um presságio preocupante para as fábricas chinesas, cujos lucros caíram 36 % nos três primeiros meses do ano em relação ao ano anterior, segundo estatísticas oficiais. A perspectiva de lucros industriais é igualmente sombria, dada a demanda ainda fria das exportações chinesas.

Devastada pela pandemia, a economia da China nos primeiros três meses de 2020 sofreu sua primeira contração em mais de quatro décadas. A recuperação observada de perto na atividade comercial, após um esforço do governo para reiniciar negócios e aumentar o consumo, ficou até agora atrás das expectativas.

A China havia planejado, até o final deste ano, dobrar o tamanho total da economia em relação a uma década antes - uma meta que, segundo economistas, exige pelo menos 5,5% de crescimento este ano. Mas essa meta parece estar fora do alcance de uma economia que encolheu 6,8% no primeiro trimestre.

No mês passado, o Politburo do Partido Comunista Chinês deixou de mencionar sua promessa de cumprir as principais metas econômicas para o ano.

Separadamente, a China registrou um abrandamento maior do que o esperado na inflação ao consumidor em abril, com os preços da carne suína moderados e a demanda continuando fraca, apesar das medidas de apoio do governo.

O índice de preços ao consumidor subiu 3,3% em relação ao ano anterior, recuando de um aumento de 4,3% em março e abaixo do aumento de 3,6% esperado pelos economistas.

Os preços dos alimentos subiram 14,8% em abril, ante um aumento de 18,3% em março. A inflação no preço da carne de porco, que elevou a leitura principal da inflação ao consumidor da China no ano passado, foi a grande responsável pelos altos índices. Os preços não alimentícios da China aumentaram 0,4%, em comparação com um aumento de 0,7% em março, uma vez que os preços de transporte, vestuário e moradia caíram em relação ao ano anterior.

Espera-se que o quadro de inflação moderada dê ao banco central da China mais espaço para estimular a economia sem se preocupar com o superaquecimento dos preços.

O fenômeno de inflação mais baixa é sentido em todos os lugares. Aqui tivemos o anúncio do IPCA na semana passada, em território negativo, nos EUA a publicação do CPI ontem em 0,3% a.a., beira a deflação. Não fosse a elevação de preços dos alimentos e principalmente da carne, já estaria no campo negativo.


Ainda é muito cedo para afirmar em que tipo de recuperação ocorrera nos diversos países, mas por enquanto, não são nada animadores, pois a deflação de preços é um indicador que existe excesso de oferta de produtos. O que se no binoculo, está mais para um U-shape. Continue com o binoculo na mão!

No post pesadelos-do-passado, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “ Se a bolsa continuar nesse sentido (de alta), sem que ocorra uma queda abaixo de 2.800, equivale a opção (1). Mas o mais provável é que ocorra uma pequena queda até o nível ~ 2.730, ou mesmo chegando até 2.690 – opção (2). Agora se a bolsa continuar caindo, e principalmente abaixo de 2.630 (3), vou ter que reestudar o cenário” ...

Nos dois últimos dias a bolsa recuou de forma mais forte, situando-se agora, próximo a 2.800. No gráfico a seguir busco traçar 3 regiões que podem ter impacto diferentes para o médio prazo.

Se a bolsa está tomando um folego para se preparar para novas altas, isso deveria acontecer no nível compreendido entre 2.780 a 2.690. Caso não seja contida e continue caindo até 2.530, vai entrar numa zona indefinida, onde a priori eu não poderia dizer qual seria a sequência, embora a chance de novas altas fica diminuída, mas não eliminada. Por último, abaixo desse último, fica abortada a alta, pelo menos no curto prazo.

O SP500 fechou a 2.820, com queda de 1,75%; o USDBRL a R$ 5,9049, com alta de 0,27%; o EURUSD 1,0814, com queda de 0,30%; e o ouro a U$ 1.713, com alta de 0,70%.

Fique ligado!

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