2020: O risco vai compensar?

21 de maio de 2020

Foto ou filme?



Observo nas mídias sociais e noticiários da TV a grande repercussão dos efeitos da Covid-19. As pessoas acreditando ter adquirido alguma experiencia no assunto depois de tanta leitura tiram conclusões que podem ser enganosas.

O assunto é muito complexo por vários motivos, porém em especial a política adotada pelos governadores. Indo para um extremo, podemos identificar países que seguiram confinamento extremamente rigoroso ( caso da China), outros com uma política menos restritiva flutuam em função da evolução dos casos (EUA, Europa e Brasil), e por último os países que não adotaram nenhuma medida restritiva, a não ser pedir para que os grupos de maior risco não se expusessem (Suécia, Coreia do Sul).

Na verdade, o que interessa é o número de mortes pois esse é o sofrimento da população. O gráfico a seguir mostra que em quantidade de mortes diárias somos o único país com números significativos, que ainda continua subindo.


Como podemos avaliar se essa estratégia está tendo sucesso? Primeiro temos que ter em mente que a quantidade de mortes que ocorre é consequência da falta de disciplina dos brasileiros que acabaram não obedecendo a quarentena, pois se houveram mortes é porque mais pessoas foram infectadas a não seguir a contenção. Mesmo o Presidente dando mal exemplo, é de cada uma a decisão de permanecer em casa ou sair.

Uma métrica difundida para medir esse ponto é a quantidade de mortes por milhão de habitantes. Acontece que existem dois fatores que tornam essa análise incompleta, o primeiro é que nem todos os países estão no mesmo estágio de contágio, e segundo, e mais importante, é que ele mostra apenas a fotografia atual.


Para entender esse segundo ponto, vamos imaginar que o surto depois de retroceder dessa onda, uma nova aconteça daqui alguns meses. Os países que fizeram lockdown restrito tem apenas pequena percentagem da população que adquiriram imunidade, enquanto os que assim não fizeram, deve ter a maior parcela já imune. Sendo assim, e se nenhum controle for feito nesse segundo round, enquanto o primeiro terá novas mortes (que somadas com a anterior) vai elevar o número de mortes por habitante, o segundo deverá ter muito menos a acrescentar.

Naturalmente, se não houver a segunda onda, o que parece pouco provável segundo os especialistas, ou se existir uma vacina disponível antes disso, quem adotou o lockdown tomou a medida correta. Mas será que se pode contar com essa possibilidade? Parece pouco provável de ocorrer. Sendo assim, talvez o caso do Brasil seja mais penoso neste momento, porém menos traumático no futuro.

Agora o resultado não pode ter conclusão final observando-se apenas a foto de hoje e sim quando esse filme de horror terminar.

Os dois gráficos a seguir dão uma dimensão como nos fomos castigados pelos investidores estrangeiros. O primeiro da esquerda, mostra a saída recorde de recursos tanto em renda fixa como em renda variável, o da direta a desvalorização das moedas de países emergentes aonde estamos em primeiro lugar!


No post mercado-imobiliário-uma-oportunidade, fiz os seguintes comentários sobre o euro: “... “Prefiro não fazer nenhum prognostico nesse momento, apenas apontar níveis de importância tanto num sentido quanto no outro” ...
Na alta: € 1,115 e € 1,13
Na baixa: € 1,075 e € 1,063

Nesta semana, a moeda única de um uma melhorada, nada que seja maravilhoso, mas está próximo do primeiro intervalo acima apontado, como alta. Existe dois motivos para essa evolução: a diferença de juros entre as moedas e o dólar, por incrível que pareça, melhorou, não que o ECB pretenda subir os juros, mas pela queda da taxa orquestrada pelo Fed desde a pandemia. Agora não é mais tão interessante; a outra é a possibilidade de emissão de um bond de reconstrução no volume de 500 milhões pela União Europeia, uma forma diferente das atualmente existentes e que pode mudar o jogo.
Como fica então a situação para o euro? Sem mudanças, por enquanto não vou propor nenhum trade, aparentemente, o dólar está perdendo força contra as moedas emergentes, mas nada sensível ainda nos países desenvolvidos.

O SP500 fechou a 2.948, com queda de 0,78%; o USDBRL a R$ 5,5690, com queda de 2,18%; o EURUSD a 1,0942, com queda de 0,31%; e o ouro a U$ 1.724, com queda de 1,41%.

Fique ligado!

Um comentário:

  1. Vale lembrar que ter pego a doença não é garantia de imunidade.

    https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/ter-anticorpos-nao-o-mesmo-que-estar-imune-ao-virus-diz-especialista-em-coronavirus-24397108

    ResponderExcluir