2020: O risco vai compensar?

28 de maio de 2020

Vão colocar Drurys no Old Eight



Para os leitores mais jovens o título de hoje não quer dizer muita coisa, afinal quando erma adolescentes não tomavam Whisky, e sim, Vodca. Os mais antigos devem lembrar das noites que bebíamos o horroroso Whisky Drurys e depois passávamos a madrugada vomitando.

No início da minha carreira profissional usava uma expressão para enfatizar uma situação onde a solução era juntar uma coisa boa a outra ruim, dizia “Você acha que misturar Drurys ao Old Eight (acho que todos conhecem esta marca de Whisky) pode ficar melhor?” Pois bem, parece que a União Europeia está no mesmo tipo de dilema.

 A União Europeia estabeleceu um plano de resposta de US $ 2 trilhões em coronavírus, incluindo um conjunto massivo de recursos financeiros nacionais que, se aprovados, aprofundariam a união econômica do bloco de uma maneira que até a crise da dívida na zona do euro não conseguiu.

A proposta de quarta-feira, composta por um plano de recuperação de 750 bilhões de euros (US $ 824 bilhões) e um orçamento de 1,1 trilhão de euros nos próximos sete anos, visa tirar a região de sua crise econômica, mas deve superar as brigas internas que dividem o bloco.

Se apoiado por todos os 27 estados membros, o plano representaria um passo histórico na união das finanças nacionais em todo o bloco. A proposta da Comissão Europeia, o braço executivo da UE, segue um plano franco-alemão semelhante estabelecido na semana passada e estabeleceria novas transferências significativas de riqueza entre os membros, financiadas por dívida comumente emitida.

Mas, diferentemente dos EUA sob a Constituição, a UE continua sendo um clube de estados soberanos, muitos dos quais se opõem à partilha de encargos financeiros. À medida que a crise desaparece e os ventos políticos mudam, até os países mais solidários da Europa podem se voltar contra a ideia.

A UE pretende fornecer uma injeção fiscal maciça para os países mais atingidos pelo bloco sem aumentar os níveis de dívida já elevados dos países do sul, incluindo Itália, Espanha e Grécia. Isso permitiria que esses governos gastassem mais agora em resposta à crise da pandemia.

Um grupo de países do norte mais ricos, incluindo a Holanda, Dinamarca, Áustria e Suécia, já questionou o plano. Apelidados de “quatro frugais”, eles querem evitar o risco político de colocar seus contribuintes no gancho para pagar a dívida da UE emitida para financiar grandes gastos em outros lugares.

"As negociações levarão tempo", disse um diplomata holandês. "É difícil imaginar que essa proposta seja o estado final dessas negociações".

Os países mais pobres da Europa estão em desvantagem em relação a seus vizinhos do norte enquanto podem subsidiar empresas, apoiar trabalhadores e estimular suas economias. A Alemanha e outros países que eram financeiramente fortes antes da pandemia injetaram trilhões de dólares em suas economias e se moveram rapidamente para retomar as atividades comerciais.

Em contrapartida, os países da UE mais afetados dependem fortemente do turismo que foi esmagado e é improvável que se recupere em breve. A dor nesses países, que usam o euro, levou países da zona do euro do norte, incluindo Alemanha e França, a agir de forma mais agressiva do que durante a crise financeira.

O elemento mais polêmico do plano, a emissão de dívida da UE, seria reembolsado por várias décadas, começando apenas em 2028, por meio de uma combinação de impostos em todo o bloco e aumento das contribuições dos Estados membros para futuros orçamentos plurianuais. Algum dinheiro extra começaria a fluir este ano para impedir as empresas de entrar em colapso e manter o investimento público fluindo.

A UE já aprovou um pacote de resposta a emergências de 540 bilhões de euros, incluindo dinheiro para programas de desemprego, um empréstimo para empresas e linhas de crédito preventivas do fundo de resgate da região.

Todos os países da UE devem aprovar o plano de recuperação, que inclui € 500 bilhões em doações e € 250 bilhões em empréstimos a membros mais afetados. Embora sejam necessários muitos compromissos, é provável que as maiores lutas surjam sobre a divisão entre doações e empréstimos, quais são as amarras e como conquistar os membros mais novos e mais pobres da UE no Leste.

Autoridades da UE estão preparadas para semanas de discussões. Eles esperam que os líderes nacionais possam se reunir pessoalmente em junho para encontrar um compromisso, embora muitos digam que novas conversas possam ser necessárias e que um acordo antes do verão não seja garantido.

O aumento da dívida não é novo para a UE, que levantou dezenas de bilhões de euros durante a crise financeira para financiar um fundo de resgate da zona do euro. Mas a escala seria muito maior e quebraria um tabu que proíbe o órgão executivo da UE de assumir grandes quantidades de dívida.

Enquanto autoridades de Berlim, Paris e Bruxelas dizem que essa seria uma ação pontual, motivada pelo grande choque econômico do coronavírus, a proposta poderia ajudar a resolver um problema estrutural que afetou a UE e sua zona do euro de 19 países - os dois nível dividido entre países ricos e países sem dinheiro. Alternativamente, se os ventos políticos mudarem, maiores transferências fiscais podem exacerbar as tensões entre os ricos e os pobres do bloco.

É natural que os países mais debilitados financeiramente, ou o que o Mosca denominou no passado como Club Med, tem mais problemas em levantar fundos para suportar os estragos provados pela Covid-19. Através de emissão de dívida publica elevaria ainda mais seu custo de financiamento.

A ideia desse fundo é como colocar um anteparo, ao invés desses recursos serem financiados por cada país, a União Europeia emitira esses títulos a custos muito baixos, pois será classificada como um título de ótima qualidade. Como exemplo de nível, a Áustria tinha emitindo um bond de 100 anos a uma taxa próxima a 1% a.a. Se for mais curto estaria abaixo de 0%.

Quem vai pagar esse bonds no resgate? Como exposto acima, seria dividido entre os membros através de aumentos de impostos e contribuições dos Estados. Se no resgate algum dos membros não tiver como contribuir, o bond é garantido pela União Europeia. Sendo assim, imaginariam uma forma de misturar Drurys com Old Eight sem estragar a qualidade do bond, um milagre! Hahahaha ...

No post o-mercado-esta-doidão, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “O movimento do metal sob a ótica de análise técnica deixa margem a algumas interpretações. Essa falha me coloca numa posição mais defensiva, aonde prefiro aguardar algum tempo para alguma sugestão de trade” ...

A situação não se modificou muito desde o último post, ainda não está claro do ponto de vista técnico. Eu destaquei esse último movimento de alta e não parece que seja impulsivo, é necessário assumir algumas premissas que fogem das condições mais prováveis.

- David, não enrola!
É verdade que não forneci nenhum argumento que justifique minhas colocações, mas seria entrar na tecnicidade, o que não é de conhecimento de todos os leitores. Mas fácil dizer que não está encaixando a continuidade da alta.

Consigo entender os argumentos de quem acredita num movimento de alta para o metal. Juros baixos, emissão enorme pelos governos em todo mundo, são um prato cheio para quem está com esse viés. Por outro lado, a alta das bolsas projeta uma economia saudável no futuro, nenhuma catástrofe, e mesmo que a desconfiança recaia sobre o dólar, é nos EUA que mais sobem as ações, sendo assim, para que comprar ouro?

Não é uma parada fácil, razão pela qual, o ouro se encontra indeciso. Na semana que o SP500 atingiu sua máxima de 3.400, o ouro estava em U$ 1.650, uma alta do metal de meros 3,5%. Desde então, quantos trilhões de dólares foram injetados no mundo? Seguramente mais de U$ 10 trilhões. Eu pergunto, não é muito pouco essa alta para um ativo com todas essas qualidades e sem nenhuma dúvida de impacto do Covid-19, ao contrário das bolsas?

Não sei se busquei argumentos para justificar minhas dúvidas pessoais, ou mesmo, para relevar seu comportamento técnico. Tudo me deixa em dúvida. Talvez eu me sinta na obrigação de dar todas as explicações e buscar argumentos, haja visto que, é quase um consenso mundial que o ouro deve subir, como que o Mosca pode hesitar? Não vou propor nada até que fique mais convencido de alguma direção, para qualquer lado.

Antes de terminar esse post estava lendo um relatório da Goldman Sachs e achei interessante colocar seus pontos de visto sobre o ouro. A seguir, um gráfico aonde associa a correlação do metal com a taxa de inflação. Como se pode notar, mesmo nos momentos em que deveria ter uma performance boa, não se mostrou convincente nos últimos 50 anos. O trabalho finaliza não recomendando a compra do ouro como estratégia de portfólio, nem do ponto de vista tático nem estratégico.


Achei um! Hahaha ...

O SP500 fechou a 3.029, com queda de 0,21%; o USDBRL a R$ 5,4046, com alta de 2,23%; o EURUSD a 1,1073, com queda de 0,24%; e o ouro a U$ 1.718, com alta de 0,35%.

Fique ligado!

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