Inflação: A Revanche

19 de agosto de 2015

"911 - Emergency Economics"

A economia é uma ciência que possui uma característica sui generis, ao mesmo tempo que modelos econométricos sofisticados são utilizados para prever indicadores futuros, por outro lado, depende da reação das pessoas para que estas previsões se concretizem. Existe por trás disso uma premissa simples que o ser humano reage de forma lógica.

Por exemplo, se a inflação sobe acima do esperado, o BC eleva os juros, esperando que parte da população poupara mais e uma outra parte não terá mais condições de comprar a crédito. Assim, pode-se esperar para uma mesma quantidade de produtos produzidos, uma queda de preços. Simples!

Usando um raciocínio inverso, se a inflação está muito baixa, o BC reduz os juros, incentivando pessoas que têm poupança a consumir, e outros comprarão a crédito com prestações mais baixas. Como dizem os americanos, esses são princípios básicos: "101 Economics".

Acontece que nem sempre o seres humanos reagem de forma lógica, e aí os modelos econômicos simplesmente não funcionam. E parece que algo assim vem acontecendo nos USA, em várias frentes, alguns dados não parecem fazer sentido pela sua persistente discrepância com o que seria esperado.

Hoje foi publicado o índice de inflação ao consumidor nos USA o CPI, que nada tem a ver com a nossa tão difundida Comissão Parlamentar de Inquérito! Hahahaha...
São publicados dois índices, o "cheio" e aquele que exclui combustíveis e alimentos chamado de "core", o que o FED acompanha. Este índice mensal ficou em meros 0,1% e a taxa anual manteve-se em 1,8%.

Eu venho repetindo que o maior risco que corremos nestes últimos tempos é a deflação, e o FED sabe bem, como ficaria complicada sua vida, caso esse cenário se concretize. Em 2012, no post um-pouco-de-teoria, eu comentei um conceito básico de economia que versa sobre a velocidade da moeda e seus efeitos no PIB. A figura abaixo, mostra de uma forma simplificada, como essa variável é calculada.
Desde o final do ano passado o FED parou de injetar recursos na economia através de seu último programa de expansão monetária, o QE3. Na fórmula acima, se o M permanece fixo,  e como o P está baixo e estável, para o Y subir, é necessário que V cresça.

Fui pesquisar o que estava ocorrendo com este último.
Nada animador, na melhor das hipóteses continua estável, então nenhuma ajuda por aí. Resolvi me aprofundar e analisar este indicador num prazo mais longo, veja a seguir.

Consegui identificar três períodos com características distintas: O primeiro, que durou aproximadamente 30 anos, a velocidade da moeda permaneceu contida entre 1,7 - 1,9; no segundo uma elevação súbita no início dos anos 90 até 2,2 e depois uma queda na segunda metade desta década, retornando ao intervalo anterior; e por último, desde o início dos anos 2000, um queda consistente sem nenhuma indicação de estabilidade.

Eu não consigo achar uma lógica, e talvez nem o FED, do porque isso vem acontecendo. Alguns fatores podem estar contribuindo para esta anomalia: O grande desenvolvimento tecnológico onde se substitui o trabalho humano pelo de robôs, a elevação da expectativa de vida fazendo com que os mais velhos vivam mais e trabalhem mais tempo, tirando o lugar dos jovens; o elevado nível de endividamento dos americanos, e etc... Independente de buscar qual seriam os motivos, a realidade é que o FED não pode contar com o V para que o PIB cresça. Assim sua aposta é no P = inflação, uma vez que o M ele estancou.

Agora se o P fraquejar, não tenham dúvidas que os helicópteros, que se encontram esquecidos ultimamente, vão voltar com toda a força. Eu tenho grandes dúvidas qual seria a eficácia dessa medida, um certo desespero. O resultado mais provável seria uma queda do PIB, ou "inventa-se" uma nova teoria econômica para resolver a falta de crescimento. Que tal chama-lá de "911 Emergency Economics"! Hahahaha...

No post sobre-gelo-fino, eu fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Para quem não tinha posição sugiro esta venda a R$ 3,43 com um stop a R$ 3,53. Quero frisar que é especulativa, não há evidências mais fortes, mas vale o risco... ...Mas não esqueça que estamos operando contra o mercado, e nestas situações é necessário que ele, o mercado, mostre força naquilo que acreditamos. Isto acontece ao romper este nível...

Ao acompanhar a evolução das cotações desde então, não gostei muito! Pode ser que o dólar esteja se preparando para uma nova alta. Vejam a seguir um gráfico de mais curto prazo.
Se o nível de R$ 3,43 for rompido, e não deveria demorar muito, as coisas se tranquilizam um pouco, e o trade que sugeri deveria ser executado, mas caso contrário, se o dólar subir acima de R$ 3,57, anotem aí minhas previsões - R$ 3,80 ou R$ 3,99! Levando a cotação a um nível extremante perigoso do ponto de vista técnico, conforme relatei no post preço-da-banana: ...a R$ 3,60, acendia-se uma luz amarela, mas o nível que mudaria minhas previsões de mais longo prazo é R$ 4,00... Coincidência ou não, o título do post acima citado - Preço de banana, não poderia se aplicar ao real! Hahaha...

O SP500 fechou a 2.079, com queda de 0,83%; o USDBRL a R$ 3,4869, com alta de 0,56%; o EURUSD a 1,1123, com alta de 0,94%; e o ouro a US$ 1.133, com alta de 1,41%.
Fique ligado!

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