Inflação: A Revanche

14 de agosto de 2015

Sobre gelo fino

A expressão "sob gelo fino", traduzida do inglês "on thin ice", é usada para definir situações perigosas. Como no Brasil quase não neva, este fenômeno não é vivenciado por aqui, diferente dos países no hemisfério Norte. É desta forma que um artigo publicado na Bloomberg pelo economista Tim Duy, expressa suas idéias.

Em sua opinião os membros do FED acreditam que a política de juros zero é um artefato da crise financeira. A economia hoje se assemelha a normalidade e assim, também, deveria ser a política monetária. Daí a pressão para aumentar as taxas de juros esse ano, possivelmente na próxima reunião, em setembro.

Considere que, ao invés de zero - ou pelo menos, muito baixas, as taxas de curto prazo refletem a nova realidade do crescimento econômico. Neste cenário, os programas de "Quantitative Easing - QE" foi a política emergencial. E ao terminá-las o FED já normalizou a política. Formuladores de políticas monetárias vão resistir a esta interpretação. Eles não acreditam que o término dos programas de QE refletem um aperto monetário.

Independente do que eles acreditam, as taxas de juros subiram como indicação que o QE tinha uma vida curta, e que agora seria necessário que o aperto monetário se desse através de uma elevação dos juros.
Enquanto isso, as expectativas de inflação diminuíram.
O dólar subiu e o petróleo desmoronou, quando o término do QE se aproximou.

E o crescimento do PIB se estabilizou.
Além disso, os efeitos se espalharam para fora das fronteiras dos USA.

David Becworth argumenta que a China é mais uma vítima do status do FED, como super potência monetária. E não deve passar desapercebido que, como a economia se estabeleceu neste equilíbrio tênue, os temores de inflação ou aceleração generalizada são sem dúvidas prematuros.

Será que o FED não vê as cosias dessa maneira? Não, pois eles esperam que a economia irá evoluir de tal forma, que podem aumentar os juros para níveis comparáveis aos do passado.

Os mercados financeiros estão sinalizando que o pouso suave já foi alcançado e que com mais apertos correriam o risco de colocar a economia novamente em recessão.

"Minha preocupação agora é que o FED está patinando num gelo mais fino que os membros percebam, uma vez que, não acreditam que o aperto monetário já aconteceu. Eles simplesmente não sabem disso, ou não vão admitir. Isso é uma receita clássica de empurrar a economia para a recessão".

Eu venho externando minha preocupação da economia estar caminhando para uma deflação. Este artigo alerta para alguns indicadores de uma forma diferente das dos membros do FED. Já disse também, que caso os juros subam e daqui algum tempo a economia fraqueje, o FED estará completamente sem armas. 2016 promete ser um ano desafiador!

Para dar continuidade, na novela da madrugada os segredos do Yuan, parece que a calma reinou nas "cenas" de ontem.
Contabilizando o saldo da semana o yuan se desvalorizou 2,90%. O mercado vai dormir com uma série de dúvidas: O governo Chinês "puxou o breque" na ideia inicial? Resolveu promover a desvalorização de uma forma mais lenta? O objetivo era dar um susto no mercado e marcar território? Ou nenhuma das anteriores? Ao acompanhar as ações do governo Chinês nestes últimos anos, sempre chamou a minha atenção que as coisas acontecem de forma lenta, controlada. Isso deve ser levado em consideração ao dar sua resposta. Em todo caso, não percam os próximos capítulos!

No domingo esta programado uma manifestação nacional contra o governo. Sem ser uma especialista no assunto, acho que não vai ser como as outras, vejo muito pouco engajamento. Vamos ver. 

No post some # same, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...depois de atingir os R$ 3,50/3,55 seria esperado uma queda de algumas semanas. Mas antes de se aventurar, é necessário algumas evidências, que por enquanto, ainda não se concretizaram...

Essas evidências ainda não aconteceram, mas existe uma chance de queda do dólar, caso o nível de R$ 3,43 seja rompido. Este nível foi apontado também como um "stopgain" na posição comprada de dólares, referido no post acima: ...sugiro a quem seguiu minha recomendação de compra, a uma das seguintes alternativas: a) Liquidar a posição com um lucro de aproximadamente 6%; ou b) subir o stop para R$ 3,43...

Existe um termo no mercado financeiro usado em algumas situações, onde a atual se encaixa. Isto acontece quando num determinado nível, liquida-se a posição existente e faz uma nova na direção contrária. Como neste caso, para quem está comprado em dólares e ainda não liquidou, se o dólar atingir o nível de R$ 3,43, você além de sair de sua posição, deve iniciar uma outra de venda de dólares.

Para quem não tinha posição sugiro esta venda a R$ 3,43 com um stop a R$ 3,53. Quero frisar que é especulativa, não há evidências mais fortes, mas vale o risco.

- David, já que você quer vender, porque não vende agora a R$ 3,47, não é melhor?
Só se eu tivesse certeza que o nível de R$ 3,43 será rompido. Mas não esqueça que estamos operando contra o mercado, e nestas situações é necessário que ele, o mercado, mostre força naquilo que acreditamos. Isto acontece ao romper este nível.

O SP500 fechou a 2.091, com alta de 0,39%; o USDBRL a R$ 3,4783, com queda de 1,13%; o EURUSD a 1,110, com queda de 0,34%; e o ouro a US$ 1.114, sem alteração.
Fique ligado!

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