Inflação: A Revanche

28 de agosto de 2015

Bons tempos

Todos os dias pela manhã, faço uma pesquisa extensa nos artigos e notícias publicadas. Fontes como o Wall Street Journal, Bloomberg, Estadão, Valor, e várias outras, fazem parte do meu dia a dia. É natural que pela rapidez com que as informações fluem, os dados publicados no dia anterior já são notícias velhas. Esta talvez seja a razão que, sem eu perceber, tenho feito cada vez menos menções. É claro que quando um assunto merece uma análise mais profunda, eu publico.

Nas minhas reflexões, vieram a memória os anos 80, quando eu trabalhava no BFB. A rotina era bem diferente, do que eu imagino hoje seria. Naquela época, minhas fontes de informações necessárias para tomada de decisão eram simples, lia a Gazeta Mercantil e o Estadão, uma reunião com a equipe e os economistas (eles sempre estiveram presentes em minha vida), e em seguida, ação! Tinha uma outra grande diferença, tudo terminava ao meio dia, o restante da tarde era destinado a ações administrativas.

Hoje em dia é muito diferente para este "novo" David, tem que estar informado sobre os acontecimentos, literalmente do mundo inteiro. Além disso, saber o que poderá afetar suas posições. Acredito ser praticamente impossível acompanhar com a profundidade necessária. Por exemplo: o que acontecerá na China; ou como irá se comportar o consumidor americano; se o FMI vai concordar com os Gregos em seu pacote de auxílio; se o Japão vai sair da estagnação que já dura algumas décadas; além do que acontece internamente.

Sua única saída é confiar no julgamento de analistas específicos e seguir suas opiniões, que nem sempre coincidem. Não invejo meu substituto, as oportunidades antes, eram muito superiores. Existiam distorções absurdas nos preços dos ativos, muito em razão da falta de preparo financeiro dos participantes. Bons tempos!

- David, isso é conversa de quem está ficando velho!
Oh amigão, relaxa, hoje é sexta-feira, depois de uma semana volátil! Hahaha...

Ontem foram republicados os dados do PIB americano, e como já foi reportado, ficaram bem acima das expectativas. O mercado se animou com esses números e as bolsas recuperam mais um pouco. Notem que ultimamente as revisões deste dado tem sido no sentido de índices melhores. Abaixo a última atualização da expectativa do PIB para o trimestre em curso.

O consenso entre o modelo do FED de Atlanta e o mercado para o PIB, ainda estão distantes.
Hoje foram publicados os dados de gastos pessoais e de rendimentos. Nenhum deles dá uma indicação de uma melhora expressiva.
Nos últimos anos estes indicadores parecem manter uma certa estabilidade, nada comparável aos do passado. Bons tempos aqueles também! 

Já o fluxo de recursos investidos nos fundos financeiros, mostra um certo receio dos americanos,
Existe uma lógica, quando acontece o resgate num tipo de fundo - renda fixa ou ações, o outro tipo recebe parte destes recursos. Porém não foi o que ocorreu nos últimos dois meses, onde ambos sofreram resgates, isso não acontecia desde 2008. Segundo um analista "Pode ser que esta é uma esquisitice interessante, mas se continuarmos a ver isso poderia refletir um nervosismo por parte dos investidores domésticos". A conferir.

Hoje vou analisar os juros dos títulos de 10 anos. Ele está dando um "baile" nos operadores, e olha que é lá que estão as feras de Wall Street! No post segredos-do-yuan, fiz os seguintes comentários: ...Permanecemos com a mesma opinião, caso o mercado recupere esse nível e ultrapasse 2,25% - 2,35% a.a., a alta dos juros ganham mais sustentação. Por outro lado, caso não consiga sustentar os 2,18% a.a., pode levar a novas quedas... ...o jogo não está definido e pode-se ver claramente no gráfico que estamos numa correção, e num nível que não é extremo para nenhum dos lados. Minha sugestão, é melhor assistir a novela da madrugada!...

Destaquei em vermelho a trajetória dos juros desde a última publicação citada acima. Como diria Milton Leite em seus comentários de futebol: ..."Que beleza!". Acredito que minha orientação de não fazer nada, foi boa, pois poderia perder dinheiro tanto na compra como na venda. Também, de um lado está o pessoal que acredita que estamos caminhando para uma deflação - queda nos juros, do outro lado os que visionam que os USA estão bem, e o FED vai agir - alta dos juros; e por último um novo participante, a China que não aposta em nada, mas precisa vender títulos para defender o Yuan. É isso que diz o gráfico, sem direção no momento, assim, ficamos observando.

Como comentei ontem, hoje fomos stopados na posição de euro com um prejuízo de 1%.

O SP500 fechou a 1.988, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,5855, com alta de 0,98%; o EURUSD a 1,1188, com queda de 0,49%; e o ouro a US$ 1.134, com alta de 0,80%.
Fique ligado!

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