Inflação: A Revanche

27 de agosto de 2015

Foi só um susto?

Os mercados estão mais estáveis, ou menos voláteis nestes dois últimos dias. As bolsas recuperaram parte das perdas do início da semana, e operam em alta hoje, a chinesa que foi o epicentro desses movimentos subiu 5,34%, com a ajuda do governo, é claro. Será que tudo isso foi só um susto?

Uma apresentação feita pela Goldman Sachs acredita que é mais provável que tenha sido mais um susto, e que não existe evidências de que estejamos próximos de uma recessão. Em relação à queda do SP500, observando-se o passado, a probabilidade que este índice suba nos próximos 30 dias é superior a 70%.
Analisando a queda, do ponto de vista de um sinal de recessão, somente em 31% dos casos, uma queda da bolsa, foi um indicador de que uma recessão é esperada para os próximos 12 meses.


Muitos analistas alertam que o movimento de queda das bolsas e desvalorização cambial das moedas dos países emergentes, poderia ser um pré anuncio de uma crise semelhante a que ocorreu em 1997. O slide a seguir mostra um comparativo de três parâmetros, e nota-se que as condições atuais são muito superiores que as daquela época.
E por último, uma análise mostrando que as moedas dos países emergentes encontram-se desvalorizadas em 35%, segundo seus modelos. Em outras palavras, a correção ocorrida nestes dois últimos anos foi suficiente para colocá-las no mesmo nível de antes do boom das commodities. 
Tranquilo agora? Se as condições ficarem dentro do que é mais provável, parece que foi só um susto. Porém, em nenhuma das situações no passado existia uma injeção de liquidez da magnitude da que vivemos. e nem tantos BC com volumes expressivos de reservas investidos em títulos de governos. Isto nos remete às mudanças que foram implementadas semana passada, na área cambial da China.

Todos lembram bem, do temor causado no mercado, quando num belo dia, promoveram uma queda do Yuan de 1,9%. Depois de muito tumulto, pararam o movimento que haviam iniciado, e desde então, a moeda chinesa tem permanecido estável.
Acontece que esta estabilidade se deu por uma forte intervenção no mercado cambial com a venda de dólares para conter o Yuan. Comenta-se no mercado que foi necessária a venda de US$ 100 bilhões, um valor expressivo se considerarmos que desde o começo do ano estima-se um valor semelhante de venda. Sabe-se também que o volume de títulos americanos detidos pela China é enorme, superiores a US$ 1,0 trilhão. Assim, para poder intervir no mercado de câmbio vendendo dólares, para obtê-los, teve que vender os títulos de sua carteira.

Todas as moedas emergentes encontram-se sob pressão - e existe razão para se imaginar que continuarão - a queda das reservas nestes países e as intervenções no câmbio para que não haja uma desvalorização desordenada de suas moedas, deve colocar pressão nas taxas de juros dos títulos longos americanos. A seguir pode-se verificar o fluxo de reservas dos países emergentes e os juros dos títulos americanos.


Suponha que todos os países emergentes resolvam vender parte de seus títulos americanos. O total de reservas destes países é de US$ 5,5 trilhões, qual seria o impacto esperado na taxa de juros? Uma série de estudos acadêmicos estima que para o equivalente a 1% do PIB americano (US$ 178 bilhões) de venda desses títulos, acarreta uma elevação dos juros entre: 0,15% a.a.- 0,35% a.a. Imaginando que 10% deste estoque seja vendido, o que equivale a 3,07% do PIB americano, os juros subiriam algo entre: 0,50% a.a. - 1,10% a.a.

Isso, por si só, já seria suficiente para o FED botar o pé no freio em seu intuito de normalizar os juros, uma vez que, esta pressão seria ocasionada somente pela pressão na venda destes títulos. Agora, se o volume for superior, 20% ou 30%, saí de baixo, seria uma derrocada do dólar e da credibilidade do mesmo.

Então, qual cenário vocês acham mais provável, a estatística do passado ou as condições presente?

No post panico-nas-nuvens, fiz as seguintes sugestões de trade para o euro: ...comprar 1/2 posição a 1,1360 e a outra metade a 1,1280, com um stoploss a 1,1210. Estamos arriscando 1% para buscar  4,5%, se o euro chegar a 1,185... E ambas foram executadas entre ontem e hoje pela manhã.

O euro já está bem próximo de nosso stop e caso não reverta logo, é provável que sejamos executados. Caso isso aconteça, a correção que eu esperava até 1,18 pode ser abortada e abre novamente a possibilidade do euro voltar a cair abaixo das mínimas de 1,045. Meu comentário visa prepara-lós para qualquer cenário, e não ficarem imaginando que tenho alguma predileção pelo cenário de alta. Como sempre frisei, a ideia é que o euro ainda está em queda e teríamos uma chance de pegar uma carona na alta. Mas tudo isso ainda são conjecturas, vamos acompanhar o que a "traiçoeira" nos reserva daqui em diante.

O SP500 fechou a 1.987, com alta de 2,43%; o USDBRL a R$ 3,5506, com queda de 1,28%; o EURUSD a 1,1243, com queda de 0,67%; e o ouro a US$ 1.125, com queda de 0,17%.
Fique ligado!

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