Inflação: A Revanche

10 de agosto de 2015

China: O Teste de múltipla escolha

Cada vez mais analistas começam a desconfiar dos dados vindos da China. Neste final de semana foram publicadas as importações e exportações do mês de julho. As importações caíram - 8,1%, enquanto as exportações tiveram uma queda de - 8,3%. Como o gráfico a seguir mostra, o crescimento das operações de comércio exterior vem perdendo a dinâmica dos últimos anos, sendo que, as importações vêm sofrendo as maiores quedas.
Em função destes dados, os analistas estão trabalhando com um intervalo para o PIB Chinês entre 4% a 7%. Este diferencial não é uma pequena diferença, e o dado real importa muito para a China, Ásia e outros.

Uma das medidas favoritas que os analistas do Bank of America usam, é o Li Keqiang Index (LKI). Em 2007, o criador deste índice disse ao Embaixador dos USA que ele acompanha a economia através de 3 seguimentos: produção de eletricidade; tráfico ferroviário e empréstimos. A seguir veja como eles se encontram.

Os empréstimos estão subindo, a produção de eletricidade está crescendo a um ritmo inferior a 5% - ano a ano; e o tráfego ferroviário, com quedas fortes só vistas durante a crise de 2008. Não parece ser uma situação boa, sob este ponto de vista.

Observando-se o PIB, os analistas do BofA, usam um índice denominado de LEAP, que traz junto, consumo final de energia, produção de minério de ferro, produção de cimento, vendas de automóveis, construção de casas, trafego ferroviário, e empréstimos de médio e longo prazo.

Assim, parece um grande mistério quando comparado com os dados publicados pelo governo. Estes analistas acreditam que existem 3 hipóteses:

1) O governo está mentindo - Isso não parece difícil de imaginar. A credibilidade do governo Chinês está associada com sua habilidade em exercer elevado controle sobre a economia. Um crescimento menor não seria algo agradável a ser anunciado.

2) A China está em transição da indústria para os serviços - Todos os índices usados para confrontar os dados do PIB publicados pelo governo têm um grande peso da indústria. Se a economia chinesa está mudando mais para os serviços, áreas como produção de energia é menos acurada como substituta do PIB.

3) É muito complicado para ser avaliado desta forma - O PIB como maneira de calcular a economia e uma forma aproximada, e é possível que nenhum desses índices capturam o que está realmente acontecendo na China.

Terminam sem que dessem em qual alternativa classificam as diferenças observadas. O Mosca também não vai dar a sua. Mas a resposta a seguir pode dar uma pista - É só na China que não funcionam estas outras estatísticas? Uma coisa é certa, em algum momento ou o PIB se ajusta com as eventuais mudanças, ou ele vai se aproximar destes outros indicadores.

O real vem levando um "cacete" de quase todas as moedas. No gráfico abaixo, a linha em vermelho aponta a evolução de cada uma das moedas de países semelhantes ao nosso, contra o real. Já os dados em preto, são as cotações do dólar vis-a vis, essas moedas, e aqui o dólar também mostra sua força sobre as moedas emergentes em geral.
Mas como será que anda o DXY, o índice mais abrangente do dólar? Como pode-se verificar a seguir, o quadro é diferente desde o começo de 2015. No post perigos-do-sucesso, publicado no final de maio, fiz os seguintes comentários: ...Depois de atingir 100.5, houve uma queda de aproximadamente 8%... ...No gráfico, apontei dois pontos de importância, primeiro 92.2 e em seguida 89.7, correspondendo uma queda adicional de 1,5% e 4,0%... ...a partir de agora todo cuidado é pouco, pois quando começam sair notícias nos jornais, é necessário cautela para que o emocional não tome conta de quem está na ponta certa, e ache que somos Midas. Não somos mesmo! ... O gráfico a seguir foi pulicado naquele post, e atente-se que visa mais o curto prazo.
A mínima atingida foi de 93,13 no final de maio, e a partir desse momento vem recuperando parte da queda, situando-se hoje a níveis de 97,50.
Até o momento parece que uma nova alta ainda está no radar, mas somente depois dessa correção terminar. Falando sobre ela, no gráfico acima desenhei duas hipóteses, na alternativa 1 - pode-se esperar uma queda até o nível entre 92 e 90; enquanto na alternativa 2 - a formação de um triângulo entre 94 e 98. Depois disso, em ambos os casos, novas altas.

Como 57% do índice é composto de euros, parece que meu cenário de "arriba" mencionado no post futuro-muito-incerto, deve ter mais chance de acontecer.

O SP500 fechou a 2.104, com alta de 1,28%; o USDBRL a R$ 3,4341, com baixa de 2,08%; o EURUSD a 1,1016, com alta de 0,78%; e o ouro a US$ 1.104, com alta de 1,01%.
Fique ligado!

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