Inflação: A Revanche

26 de agosto de 2015

TPM cambial

Ao tomar conhecimento do título de hoje, você poderia ser levado a pensar que o assunto é sobre o desconforto que ocorre, em maior ou menor grau, nos dias que antecedem a menstruação feminina. É característica, a irritabilidade e ansiedade, além de outros sintomas. Nós homens não temos como avaliar esse desconforto, mas sabemos bem dos efeitos "colaterais" desses dias. Melhor é ficar a distância e não discutir com sua mulher, perderá com certeza!

Ontem foram publicados os dados das contas externas brasileiras referentes ao mês de julho. Apresentou um déficit de -US$ 6,2 bilhões, e embora tenha ficado abaixo das expectativas dos analistas, "6,0 bi são 6,0 bi!". A trajetória é de moderação, uma vez que, em bases anuais o saldo ficou em -US$ 89,4 bilhões, equivalente a 4,34% do PIB.
A redução do déficit foi reflexo observado nas três contas, balança comercial, de serviços e rendas. Enquanto a primeira apresentou um superávit, as outras contribuíram com uma diminuição do déficit. Vou comentar os dados referentes a Balança Comercial haja visto que, tenho uma visão um pouco mais otimista que a dos analistas.

O gráfico acima mostra uma reversão importante a partir de maio deste ano. Notem que é apresentado o saldo acumulado em 12 meses, assim, carrega ainda os resultados negativos do ano passado. Os analistas comentam que, este resultado positivo, é ocasionado pela queda brutal das importações, enquanto as exportações tiveram um retrocesso menor. Assim, por este raciocínio, se a economia crescer, voltaríamos a ter déficits mensais. Acontece que, houve uma desvalorização importante do real e é razoável supor, que vários produtos importados passam a ter competição com os locais. Também, outros produtos passam a ser competitivos no exterior. Acredito que ainda é muito cedo para se ter uma avaliação mais concreta dos efeitos do câmbio na balança comercial. Mas em todo caso, que está ajudando, está!

Onde eu acho que houve uma piora foram nas fontes de financiamento. A captação líquida foi de US$ 5,7 bilhões, sendo US$ 6,0 bilhões em investimento direto acumulando em 12 meses US$ 78 bilhões, com uma moderação nas entradas. Porém, foi no investimento em carteira que surgiu uma preocupação, com uma saída líquida de -US$ 4,1 bilhões. Este resultado foi  originado basicamente, pela saída de US$ 4,4 bilhões nos títulos de renda fixa, uma fonte importante no passado, para financiar nosso déficit.
O hiato financeiro, diferença entre o déficit em transações correntes e a entrada líquida da conta financeira, apresentou resultado negativo de -US$ 6,6 bilhões, sendo que, US$ 1,0 bilhão de aumento das reservas e -US$ 7,6 bilhões na redução de ativos dos bancos brasileiros no exterior.

As reservas internacionais encontram-se estabilizadas ao nível de US$ 370 bilhões, o que demonstra que o BC não utilizou nenhum dólar para conter a desvalorização expressiva do real.

Assim como na menstruação, as contas externas brasileiras apresentam déficit todos os meses, e embora seja declinante, seu nível não é confortável. As mulheres ainda levam uma vantagem, pois tem a opção de uso dos contraceptivos de uso contínuo. Já nas contas cambias não dá, pois somente com uma contração gigante da economia, isso poderia acontecer.

Uma pesquisa feita com as mulheres indicam que o chocolate reduz o efeito negativo da TPM, é bem verdade, que depois irão reclamar da balança de peso, é claro! Hahahaha... No caso das contas cambiais, melhor tomar um calmante e rezar para que nada de mais grave aconteça no exterior.

No post 911-emergency-economics, eu havia alertado para uma possível alta do dólar: ...Ao acompanhar a evolução das cotações desde então, não gostei muito! Pode ser que o dólar esteja se preparando para uma nova alta... Ainda nesse post, indiquei quais seriam os próximos pontos, caso o rompimento acontecesse: ...se o dólar subir acima de R$ 3,57, anotem aí minhas previsões - R$ 3,80 ou R$ 3,99! Levando a cotação à um nível extremante perigoso do ponto de vista técnico...

Se tudo se comportar conforme o esperado, as cotações deveriam reverter a R$ 3,78 ou R$ 3,99, este último, um nível psicologicamente importante, uma vez que estaria buscando romper uma máxima histórica atingida em 2002. Seria mais adequado para anunciar um produto on sale! Hahaha... 

Quero deixar registrado que, existe uma probabilidade pequena, onde o dólar já tenha atingido a máxima hoje a R$ 3,65. Está é a razão que não sugiro nenhuma operação de compra, e para quem ainda está comprado, suba o stop para R$ 3,45.

- David, e só o dólar passar de R$ 4,00, o que acontece?
Poderia subir muito mais! Mas precisa romper mesmo, para evitar um "false break" . Com isto eu quero dizer que, é necessário um fechamento semanal acima desse patamar. Não quero nem pensar agora, mas prometo que vou fazer um exercício neste final de semana. Ah, um detalhe, desde que ele não chegue lá antes disso! Xiiiiiiii....

O SP500 fechou a 1.940, com alta de 3,90%; o USDBRL a R$ 3,5969, com baixa de 0,60%; o EURUSD a 1,1318, com queda de 1,70%; e o ouro a US$ 1.123, com baixa de 1,51%.
Fique ligado!

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