Inflação: A Revanche

31 de agosto de 2015

Yes Woman

A Presidenta Dilma é conhecida por ter uma personalidade forte, "tipo" mandona. No primeiro mandato não era infrequente ouvir-se estórias que, em algumas reuniões desqualificava os seus Ministros, de forma até ríspida, e tomava as decisões de acordo com suas ideias. Mas parece que agora mudou, com tantos problemas a que está sujeita, tanto na "Pessoa Jurídica como na Pessoa Física", que resolveu usar outro estilo. O caso mais recente é o recuo no projeto de instituir a CPMF. A ideia não durou 48 horas, e no sábado já se dava conta que teria que recuar.

O cargo de Presidente tem uma função primordial de arbitragem, e como dizia o economista José Roberto Mendonça de Barros: "Um bom político tem que saber calcular o Valor Presente de seus atos". Usando essa métrica, a Presidenta tomou como linha de ação não confrontar com os políticos e como consequência irá frustar as mudanças que seus Ministros propõem.

Hoje tomamos conhecimento que, pela primeira vez, o orçamento federal é enviado ao Congresso com déficit primário de 0,5% do PIB, com o argumento de ser "realista e transparente". Imagino que Joaquim Levy, o Ministro que chamei de o 'salvador da pátria" não deve ter gostado nem um pouco. Aliás, parece ser a única pessoa dentro do governo que tem trabalhado incansavelmente buscando gerar um superávit. E agora, vai começar o jogo de 2016, no negativo.

Mesmo com apenas 8 meses de "novo" governo, parece que o cenário exposto no post Dilma-melhor-opção-para-o-momento vem se concretizando, até acho que pior do que eu havia imaginado. O Ministro Levy, deve estar se questionando o porque deveria continuar no governo, uma vez que das suas ideias inicias, pouco conseguiu concretizar O rebaixamento do Brasil pelas agências de crédito, agora é uma questão de tempo. Será que ele vai pedir as contas? Como dizia um amigo: "entrar no governo é fácil o difícil é sair". Mas mesmo que continue com vontade de sair, seu empenho cai a zero.

Na vida profissional é provável que todos passem por situações em que uma mudança de emprego foi um erro. O período de arrependimento é longo, não dá para voltar atrás e retornar ao posto velho, será necessário buscar outra solução. Assim deve se sentir a Presidenta, que todos os dias ao ir para cama, se arrepende de ter ganho as eleições. Sua imaginação lhe causa remorso ao pensar que poderia estar cheio de pedras na mão para atirar em Aécio Neves. Não tenham nenhuma ilusão que, Armínio Fraga, que tem competência de folga para assumir o Ministério das Finanças, não faria muito melhor. Nessa situação, o PMDB estaria do lado PT. Vocês têm dúvidas?

Quando o assunto é se o FED vai subir ou não os juros, agora em setembro, a dúvida não paira somente no mercado financeiro, mas dentro do FED. Este final de semana realizou-se um evento tradicional chamado de Jackson Hole, com vários Bancos Centrais do mundo. Embora nem a Yellen, nem o Super Mário, que está quietinho ultimamente, não estiveram presentes. Vários Presidentes de Bancos Centrais ao redor do mundo disseram que a alta dos juros nos USA, não criará grandes problemas com suas economias, com exceção dos Chineses, que pediram para postergar o aumento até que a economia mundial esteja num situação mais sólida.

Todo o foco ficou com Stanley Fisher, uma espécie de segundo homem do grupo do FED, ao afirmar que a inflação não é um problema, pois está baixa por questões temporárias. e que basta retirar os estímulos de uma forma gradual. Afirmou também que,  as influências das ações em política monetária, na atividade econômica, tem um retardamento substancial. Para bom entendedor meia palavra basta, ele não está nem um pouco preocupado com o que aconteceu a semana passada e o voto dele para a elevação é uma certeza. Isso contrasta diametralmente como a declaração de um outro membro, William Dudley, que está preocupado como os eventos da semana passada, e que o FED deveria levar isso em consideração. Vai ser interessante o resultado dessa reunião.

O real vem apanhando dobrado, além da pressão que as moedas emergentes vêm sofrendo. Nossa moeda tem performado pior ainda. Isso pode-se constatar no gráfico a seguir, onde comparamos o real com a de alguns de nossos pares.


Para que vocês não se confundam com outras publicações deste gráfico, eu deixei a linha em vermelha invertida para que ficasse mais clara a pior performance do real. Depois de uma pequena melhora relativa até maio, daí em diante iniciou a queda. O efeito "Dilma" está prevalecendo atualmente, e nem os juros estratosféricos são suficientes para estancar esse diferencial.

No post tpm-cambial, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Se tudo se comportar conforme o esperado, as cotações deveriam reverter a R$ 3,78 ou R$ 3,99, este último, um nível psicologicamente importante, uma vez que estaria buscando romper uma máxima histórica atingida em 2002... ...Quero deixar registrado que, existe uma probabilidade pequena, onde o dólar já tenha atingido a máxima hoje a R$ 3,65. Está é a razão que não sugiro nenhuma operação de compra, e para quem ainda está comprado, suba o stop para R$ 3,45...
Hoje pela manhã o dólar atingiu novas máximas a R$ 3,6832 e parece caminhar para o nível citado acima. Notem também como foi útil, para quem estava comprado, estabelecer um stop num nível mais elevado, e deixar a posição sem liquidar. Essa forma de atuar garante um resultado maior, sem comprometer o lucro total. Sugiro uma nova atualização do stop para R$ 3,53
O gráfico acima de curto prazo mostra um possível caminho que o dólar pode perseguir nos próximos dias, atingindo o nível de R$ 3,78.

O SP500 fechou a 1.972, com baixa de 0,84%; o USDBRL a R$ 3,6270, com alta de 1,30%; o EURUSD a 1,1211, com alta de 0,29%; e o ouro a US$ 1.134, com alta de 0,10%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário