Inflação: A Revanche

20 de agosto de 2015

Todas as bolhas são diferentes

Eu fiz uma apresentação sobre bolhas faz algum tempo. Você poderá ter acesso aos slides no post no-mundo-das-bolhas. O analista Lance Roberts, publicou um artigo recente que transcrevo hoje.

..."Se as bolhas do mercado acionário são comandadas por especulação, ganancia e viés emocional – os fundamentos são simplesmente reflexões dessas emoções"...

Em outras palavras, bolhas podem existir mesmo em tempos onde os fundamentos indicam o contrário. O gráfico a seguir está representado por fundamento (P/L) e o nível do SP500, desde 1871.
É importante observar que, com exceção de 1929, 2000 e 2007, todos os outros "crashes" ocorreram com fundamentos iguais, ou inferiores aos atuais. Segundo, todos esses "crashes" resultaram de situações não relacionadas aos fundamentos, como problemas de liquidez, ações governamentais, subida de juros, recessão, alta da inflação. Entretanto, todos estes eventos foram catalisadores, ou gatilhos, que iniciaram “um pânico em busca da saída” pelos investidores.

"Crashes" de mercado são desequilíbrios motivados pela emoção na oferta e na demanda

Você comumente vai ouvir que para cada comprador tem que haver um vendedor. Isto é absolutamente verdade. O problema é a que preço. O que move preços para cima e para baixo, num mercado normal, é qual o nível de preço, que um comprador e um vendedor completam uma transação.

Num "crash", o número de pessoas querendo vender, ultrapassa enormemente o número de pessoas querendo comprar. É nesses momentos que os preços caem precipitadamente, uma vez que, os vendedores vendem a “qualquer” preço para se desfazer de suas ações. Isto não tem nada a ver com os fundamentos. É estritamente um pânico emocional que é finalmente refletido por uma forte desvalorização dos fundamentos de mercado.

Tipicamente bolhas, tem uma forma assimétrica. O boom é longo e lento. Acelera gradualmente até que achata novamente no período de queda. A derrocada é curta e profunda, uma vez que envolve liquidações forçadas de posições que não conseguiram ser vendidas.

O gráfico a seguir é um exemplo de bolhas assimétricas.

O formato das bolhas é interessante porque altera o argumento do fundamento para a visão técnica. Os preços refletem a psicologia do mercado que pode criar um "loop" entre os mercados e fundamentos.

Esta forma pode ser claramente visualizada em cada pico de mercados de alta na história americana.
Existe uma crença forte atual que os mercados financeiros não estão numa bolha. Os argumentos que suportam esta hipótese são todos baseados nas comparações com as outras bolhas.


O problema inerente com a maioria dessas análises, é que estas assumem que tudo permanece no status quo. Entretanto, a questão é o que pode dar errado no mercado? Muito!

 O crescimento econômico continua elusivo, os lucros corporativos parecem ter atingido o pico, e existe uma complacência enorme com o risco. Estes ingredientes, combinados com uma retirada de liquidez pelo FED, deixa os mercados mais vulneráveis a um evento exógeno.

Dê um passo para trás das notícias, e comentários de Wall Street, e faça uma avaliação honesta dos mercados financeiros hoje. Se o nosso trabalho é apostar quando a probabilidade de ganho está a nosso favor, quão forte soa os fundamentos para justificar esse risco?

O argumento que, “this time is different “, unicamente porque as variáveis não são exatamente iguais as que foram anteriormente. Lógico, nunca é, mas os resultados serão o mesmo que sempre foram.

Como o assunto é bolha vou comentar o SP500. No post novela-da-madrugada-as-verdades, frisei que este índice estava num momento importante: ...Apostar na alta ou na baixa neste ativo, é como ir a uma mesa de roleta e apostar no vermelho ou preto... ...parece que a bolsa resolveu se descolar da linha azul e o novo protagonista passa a ser a linha vermelha. Um nível importante  - 2.040...
Vejam a quantidade de retas que contém as últimas negociações. Primeiro a mais importante, como já havia mencionado é a vermelha cujo nível a ser observado é 2.040, em seguida formou-se outra apontada em verde, entre os níveis de 2.060 - 2.090; e por último em azul cujo nível é de 2.120. 

Como o SP500 fechou a 2.080 ontem, está se estreitando seu poder de manobra, e provavelmente estamos próximos a uma decisão de rumo, ou continua subindo para buscar novas máximas, ou uma queda de proporções indefinidas. Talvez este é o momento de compra de opções de compra e opções de venda, apostando que o índice está próximo de um movimento mais forte para um dos lados. Vale a ideia. 

Eu tinha escrito os parágrafos acima antes da abertura dos mercados. A tarde a queda do SP500 se aprofundou aproximando-se do nível inferior de 2.040. Como mencionei acima, se este nível é rompido, abre a porta para uma queda mais expressiva.

O EURUSD negociou hoje acima de 1,12 o que obriga o cancelamento do trade proposto no post cadê-os-jovens: ...Ainda acredito que o cenário "arriba" é o mais provável, assim vou propor um trade de curto prazo, comprar 1/3 da posição a 1,0990, 1/3 a 1,0950, e o restante 1/3 a 1,0920, com um stop  1,08...
No dia apontado no gráfico, o euro negociou na mínima a 1,1015, muito próximo do limite que eu havia sugerido para compra (1,0990). Paciência, não foi a primeira vez nem será a última. Pelo menos estávamos na ponta certa, até agora. Vamos acompanhar e verificar se consegue romper firmemente os 1,12.

O SP500 fechou a 2.036, com queda de 2,10%, o USDBRL a R$ 3,4571, com queda de 0,97%; o EURUSD a 1,1216, com alta de 0,89%; e o ouro a US$ 1.152, com alta de 1,47%.
Fique ligado!

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