Inflação: A Revanche

13 de agosto de 2015

Segredos do Yuan

Nada é mais importante no momento do que acompanhar o que o governo Chinês quer para sua moeda. Para isso, sugeri que acompanhem o desenrolar da novela da madrugada - As Verdades Secretas do Yuan. No capítulo desta madrugada, o foco ficou nas declarações do governo:
  • O Yuan continua como uma moeda forte no longo prazo.
  • Existe demanda para uma desvalorização do Yuan contra o dólar.
  • A alteração do mecanismo do Yuan foi causada pelo crédito em julho.
  • A mudança do Yuan é benéfica no longo prazo.
  • O ajuste da taxa do Yuan está quase completo.
  • O ajuste é positivo para a confiança no Yuan e para sua internacionalização.
  • Não existe base para uma constante desvalorização do Yuan.
Eu fiz o destaque acima, pois esta afirmação, fez com que o Yuan ficasse contido esta noite e sua evolução pode-se verificar abaixo.

Depois de uma abertura com uma queda de 1 %, recuou durante o dia e no fechamento, aquele "bancão" atuou novamente levando a cotação para 6,40. Sem querer adivinhar os próximos capítulos, parece que, por enquanto o "diretor" quer dar um tempo sem muita ação, e avaliar se neste nível os fluxos de saída de dólares se estabilizam.

O economista do Banco Societe Generale, Albert Edwards,  tem uma visão mais preocupante sobre os acontecimentos que ocorreram na economia chinesa. E tem a ver com a mudança dramática no seu Balanço de Pagamentos, que passou de superávit para déficit. Isso ocasionou uma pressão no Yuan, forçando o BC Chinês a vender sua posição de reservas para manter a cotação de sua moeda - as reservas caíram US$ 300 bilhões nos últimos 12 meses.

O gráfico a seguir ilustra a chocante perda de competitividade da China nos últimos anos de 50%, contra o dólar.
Na opinião deste analista, o movimento iniciado na terça-feira não é uma ação isolada, uma vez que, a intensa pressão que a moeda está sujeita pelo déficit na Balança de Pagamentos. Este movimento vai mudar a percepção sobre a resiliência da economia americana. A alta recente do dólar contribuiu para a deflação "importada" para os USA.

..."A alta do dólar entrou numa  tendência de valorização secular, independente se o FED vai subir ou não os juros em setembro"..."Prepare-se para juros nos títulos americanos ficar abaixo de 1% a.a, além de outra crise financeira, uma vez que, a impotência das políticas monetárias ficará clara a todos"...

No post cadeia-para-os-vendidos, fiz os seguintes comentários para os juros de 10 anos americanos: ...ao redor de 2,18% a.a., caso seja rompido, novas quedas poderão acontecer e isto significa que o mercado estaria antevendo uma postergação da data da subida dos juros... E com o empurrão dado pela ação do BC Chinês, este rompimento aconteceu na terça-feira.
Porém, rapidamente o mercado deu meia volta e retornou a esse nível hoje pela manhã, provando sua importância. E agora o que fazer? Permanecemos com a mesma opinião, acaso o mercado recupere esse nível e ultrapasse 2,25% - 2,35% a.a., a alta dos juros ganham mais sustentação. Por outro lado, caso não consiga sustentar os 2,18% a.a., pode levar a novas quedas.

- David, o que você colocou não tem utilidade nenhuma! Compro ou vendo?
Nenhum dos dois, o jogo não está definido e pode-se ver claramente no gráfico que estamos numa correção, e num nível que não é extremo para nenhum dos lados. Minha sugestão, é melhor assistir a novela da madrugada! Hahahaha...

O SP500 fechou a 2.083, com queda de 0,13%; o USDBRL a R$ 3,5181, com alta de 1,08%; o EURUSD a 1,1148, sem alteração; e o ouro a US$ 1.114, com baixa de 0,93%.
Fique ligado!

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