Inflação: A Revanche

4 de agosto de 2015

Futuro muito incerto

Que o futuro é incerto todos nós sabemos, mas quando a incerteza é grande a tal ponto de não se arriscar uma previsão, todo cuidado é pouco, como diz o ditado popular. Logo após as eleições eu publiquei um post Dilma-melhor-opção-para-o-momento, com uma avaliação de como seria o "novo" governo. Vejam alguns trechos: ...No campo político, nem pensar em reforma fiscal, apoio no Congresso e principalmente no Senado... ...Para piorar a vida da Presidenta, ela terá uma espada em sua cabeça por muito tempo, e o assunto é sobre a possibilidade de ter recebido recursos provenientes do esquema Petrobrás... 
...Quais são os riscos? Acredito que sejam basicamente dois:
1) Uma piora no exterior - É razoável, não tenho nenhuma opinião se vai melhorar ou piorar, ao contrário, os gráficos não me deixam otimista. E se isto acontecer, a Dilma pode esquecer de usar como argumento, os "beneficiários" não querem nem saber.
2) Radicalização - Não tem cacife para tanto, a não ser que incitem a anarquia, o que não acredito, pois terão a esperança de que o Lula será o próximo Presidente. Eu tenho a impressão que ele será carta fora do baralho, primeiro que seu estado de saúde é delicado; segundo, eu calculo que o PT ficará sozinho no barco, pouco a pouco, seus aliados vão abandonar. Alguém falou PMDB? Assim contaria com os 25% dos votos dos fiéis em 2018, e olhe lá!...

Tudo bem parecido com o que vem acontecendo desde sua posse. 

Não se passa um dia sem que alguma(s) notícia(s) ruim(s) seja(m) publicada(s) e não exclusivamente no campo econômico, acrescente-se o desenrolar da operação lava jato, dificuldades de aprovação do ajuste fiscal, um cenário externo com muitas dúvidas sobre a recuperação americana, e derrocada dos preços das commodities. Por exemplo, ontem foi publicado o resultado da balança comercial, que teve um resultado bom, com superávit de US$ 2,4 bilhões. Porém, foi oriundo basicamente pelo desmoronamento das importações.

Eu poderia continuar com muitos outros, mas a pergunta que vêm, onde isso vai parar? Se alguém se propor a dar um cenário, pode estar certo que está sujeito a várias hipóteses com probabilidades incertas. A quantidade de dúvidas é tão grande que tornam essas projeções um "chute".

Já está virando rotina a lamentação dos empresários, não que não tenham motivo para tanto, mas a frase que mais tenho ouvido ultimamente é: "está f&#a!", em seguida vem a pergunta: " O que você acha que vai acontecer?" O que posso eu responder? Do ponto de vista comportamental, eu sei que, se todo mundo achar que o que se espera é uma catástrofe, é bem provável que os ativos já estejam no preço, caso ela não aconteça, é claro! Não arrisco nenhum palpite, e a única coisa que vejo de positivo é que a propensão a corrupção vai diminuir muito, primeiro que os "profissionais" da área estão fora de ação e mais preocupados em se defender, e segundo que, o custo marginal subiu drasticamente.

Para dizer a verdade, o que mais está me preocupando agora é o cenário externo, e ontem em conversa com um leitor citei três movimentos estruturais que vêm acontecendo no mundo e que impactam o Brasil de forma direta:

1) Efeito demográfico - Outro dia recebi um gráfico contendo a expectativa de vida desde o ano zero. Para simplificar até 1850 era uma linha constante ao redor de 30-35 anos, depois disso uma linha com ângulo de 45° para atingir hoje em dia próximo a 90 anos.  Assim, o mundo tem hoje muito mais gente que não produz e, pelo contrário, consome poupança.
2) Efeito China - Nos últimos 30 anos eu calculo que, acrescentou-se mais de 500 milhões de trabalhadores dispostos a produzir, por salários que são frações dos recebidos nos outros países. Esse movimento tem uma tendência de pressionar os salários para baixo e criar mão de obra abundante.
3) Efeito Tecnologia - O desenvolvimento tecnológico é algo muito positivo do ponto de vista do consumidor, mas tem um efeito terrível na criação de empregos. Só para dar um exemplo, veja a seguir, o que valem essas dez "startups"
Elas em conjunto valem US$ 156 bilhões, têm uma receita combinada de US$ 4,0 bilhões e empregam no total 19.500 empregados. Ou seja, cada funcionário vale US$ 8,0 milhões. Não dá para ter milhões valendo essa cifra!

Vou terminar por aqui para que nem eu, nem vocês, fiquemos deprimidos! Lembrando que, a história não foi  muito boa em situações semelhantes.

No post memórias, propus dois cenários para o euro: ...Ou através de um triângulo, ou ainda com uma queda marginal para depois subir, poder-se-ia esperar uma cotação entre 1,19 a 1,25, tudo dependeria dos próximos movimentos...
...Ou a partir de já, ou daqui a pouco, o euro mergulharia abaixo de 1,045, depois as cotações caminham para 0,99 a 0,97...

Na última semana depois de ameaçar ir "arriba" deu meia volta, e retornou ao estado inicial.

Notem que desde de março o euro busca um rumo. Depois de tentar romper para baixo até o final de abril, daí em diante, negociou a maior parte tentando romper para cima. E agora encontra-se exatamente no meio do intervalo maior de 1,045 - 1,145. " arriba ou abajo", continuam a ser as opções para a moeda única, que continua pregando peça nos operadores, merecendo o apelido de traiçoeira.

O SP500 fechou a 2.093, com baixa de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,4702, com alta 0,53; o EURUSD a 1,0880, com queda de 0,65%; e o ouro a US$ 1.087, sem alteração.
Fique ligado!

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