Inflação: A Revanche

2 de setembro de 2015

Braço de ferro

Todo menino já brincou de braço de ferro. Para quem é do sexo masculino, lembra que quando algum menino te desafiava, provavelmente ele iria te vencer e vice-versa, nós escolhíamos quem seria o derrotado. Na sua casa o embate era muito difícil, pois ou era com o irmão mais velho ou com o pai. Mas o tempo estava a nosso favor, pois enquanto ficávamos mais fortes nosso pai ia no caminho inverso, até que o dia de glória chegava e a vitória era inevitável. Que legal ver nosso pai pedindo água!

Ontem comentei sobre o movimento que a China está realizando em seus ativos internacionais, com a venda de títulos americanos, para gerar as reservas necessárias e manter a cotação do Yuan. Mas não é só na China que este movimento pode estar acontecendo. Durante os últimos anos vários Bancos Centrais se envolveram em programas de injeção de recursos pela intervenção no mercado de câmbio, afim de evitar uma valorização excessiva de suas moedas. Podemos citar a Suíça, Japão e até o Brasil (bons tempos!), ou os países produtores de petróleo que acumularam muitas reservas quando o preço do petróleo era elevado.

Os tempos mudaram e os Bancos Centrais, ou pararam de acumular reservas ou a estão usando para administrar suas moedas, ocasionando uma diminuição na injeção de moeda em suas economias. Qualquer que seja o motivo, o enxugamento de reservas implica que as autoridades tendam a reciclar seus recursos em moeda local, ou ativos líquidos como bonds em moedas locais.

O volume total de reservas administrados pelos BC's diminuiu do pico de US$ 12,0 trilhões para US$ 11,40 trilhões recentemente.

Esse movimento tende a ser positivo para o dólar quando comparado ao euro, Yen e moedas dos emergentes. Esta força deverá ser um vento contra os mercados desenvolvidos nos próximos anos, e representa uma incerteza adicional na economia mundial.

Mas o que os investidores estão fazendo com os dólares que estão retirando destes países? O gráfico a seguir ajuda a desvendar uma parte desta dúvida.
O movimento de venda de títulos por parte dos investidores oficiais, entenda-se BC's, está sendo contra posto por investidores privados, que vêm comprando estes títulos. Talvez esta seja a razão que as taxas dos títulos de 10 anos encontram-se contidas num pequeno intervalo. Ao observar o gráfico acima, nestes últimos 10 anos, o movimento entre estes dois grupos foi na mesma direção, ou pelo menos em nenhum outro período foi oposto. Quem vai ganhar este braço de ferro?

Como acontece todos os meses, hoje participei da reunião da Rosenberg, motivo do post ser mais curto. Preferi deixar para comentar a reunião amanhã, não para criar um clima, mas para pensar melhor. Lógico que não são novidades boas, aguardem: Política econômica por default.

- David, diz logo, o Brasil vai pedir default da dívida?
Opa, está por aí! Não, não é este o significado que eu quero dar, e sim o utilizado em informática, onde o computador assume um valor pré-definido pelo sistema.

No post todas-as-bolhas-são-diferentes, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...está se estreitando seu poder de manobra, e provavelmente estamos próximos a uma decisão de rumo, ou continua subindo para buscar novas máximas, ou uma queda de proporções indefinidas. Talvez este é o momento de compra de opções de compra e opções de venda, apostando que o índice está próximo de um movimento mais forte para um dos lados. Vale a ideia... 

Por sorte, no dia seguinte a minha publicação, aconteceu a queda que o mercado denominou como "Black Monday". Depois do rompimento apontado em azul no gráfico, proliferou-se uma quantidade grande de relatórios técnicos enfatizando que esse rompimento significa muito e novas quedas são projetadas.

Se tivesse que decidir com um revólver na cabeça, optava pela venda, mas como não é esse o caso, prefiro aguardar. Acima marquei dois pontos que indicariam movimentos opostos, no de alta, é fundamental que o índice recupere o nível de 2.000 e fique acima dele, por outro lado, abaixo de a.1.865, o tom azeda para os otimistas e novas quedas estão nas cartas, e pior significativamente inferiores aos níveis atuais. Por coincidência, hoje o nível de 1.940 é exatamente no meio desse intervalo, indicando indecisão, principalmente dos otimistas.

O SP500 fechou a 1.948, com alta de 1,83%; o USDBRL a R$ 3,7588, com alta de 1,54%; o EURUSD a 1,1226, com baixa de 0,80%; e o ouro a US$ 1.133, com baixa de 0,52%.
Fique ligado!

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