Inflação: A Revanche

16 de setembro de 2015

Post it para Yelen

Hoje começa a tão esperada reunião do FED e termina amanhã. A Presidente Yelen é notoriamente conhecida como "dovish", que significa pacífica, conciliadora. Mas no jargão do mercado é entendido como uma postura mais avessa a altas de juros, "Pombinha". Porém, dentro do FED existem membros que são o contrário, "hawkish" , que significa agressivo, e o mercado usa para identificar pessoas que na dúvida optam por juros mais altos, "Águias".

Os "hawkish" estão prontos para ganhar a batalha. Mesmo alguns analistas não apostando num aumento amanhã, parece que é o que irá acontecer. Mais adiante vou comentar o mercado dos juros de títulos de 10 anos, e vocês irão perceber o posicionamento do mercado. 

Agora imaginem todos os governadores do FED reunidos com a Yelen naquela mesa quilométrica, cuja posição da cadeira em que cada um senta, indica sua importância. Repentinamente, entra uma moça com um bilhetinho para a Presidente, o que sera?

Acredito que todos vocês já passaram por momentos assim, e quando o bilhetinho não é para você, todos aguardam a reação de quem recebeu. Se é uma notícia boa, quem a recebeu, vai compartilhar na hora. Agora se não comenta, aí começa um zum-zum na sala, com especulações.

Muito bem, no caso de hoje o bilhetinho tinha a seguinte informação: CPI August: (-0,1%)  deflation! O que vocês acham que a Yelen fez, comunica ou ficou quieta? Hahahaha...


Depois das cenas da mini-novela acima, é lógico que essa informação é disponível à todos, e o "romance" criado acima, é no intuito de analisar se esta informação poderá ter algum tipo de mudança, principalmente nos que estão advogando a alta dos juros. Já o índice que mede a inflação excluindo alimentos e combustíveis, ficou em + 0,1% no mês e a taxa anual permaneceu estável em 1,8%.

Os grandes responsáveis pela queda foram os combustíveis e passagens de avião. Uma tendência verificada com persistência desde 2014, é a queda dos preços importados, que foram influenciados pela valorização do dólar, além do crescimento pífio dos países desenvolvidos. Esse fator está impulsionando o nível de deflação.

O pessoal da Standard & Poor's está com a caneta na mão, e hoje rebaixou a dívida do Japão, era AA- e agora está classificada em A+. Ainda permanece com investment grade, e bem distante da perda desse status. O argumento para esse movimento é uma preocupação em relação a economia e o elevado grau de endividamento. Para dizer a verdade, a dívida japonesa é gigante, próxima a 250% do PIB, qualquer outro país já estaria quebrado há muito tempo, pois uma pequena elevação da taxa de juros, colocaria a dívida numa espiral ascendente sem fim.

Então por que o Brasil, com uma situação de reservas excelente, e nível de endividamento muito inferior, foi rebaixado? Juros estratosféricos, recessão e lava jato.

Ontem, sem muita razão, os juros dos títulos de 10 anos subiram para 2,27% a.a. No post reprovado, fiz os seguintes comentários: ...caso o mercado recupere esse nível e ultrapasse 2,25% - 2,35% a.a., a alta dos juros ganham mais sustentação. Por outro lado, caso não consiga sustentar os 2,18% a.a., pode levar a novas quedas... 

Como mencionei acima, os juros entraram no intervalo que poderá sedimentar novas altas no futuro. Mas por enquanto, ainda está tentando. O nível apontado no gráfico de 2,40% é muito importante do ponto de vista técnico, se romper poderá ultrapassar 2,80%. Mas tudo isso ainda são conjecturas, e o que acontecer amanhã pode definir se vai mesmo, ou dá meia volta.

O SP500 fechou a 1.995 com alta de 0,87%; o USDBRL a R$ 3,8325, com queda de 0,79%; o EURUSD a 1,1285, com alta de 0,17%; e o ouro a US$ 1.120, com alta de 1,34%.
Fique ligado!

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