Inflação: A Revanche

3 de setembro de 2015

Política econômica por default

A reunião da Rosenberg foi como vocês podem imaginar, os slides sobre as informações econômicas dos USA e Europa não tinham muitas novidades, pairando somente a dúvida se o FED subiria os juros em setembro. Mas mesmo que houvesse algum membro do FED participando da nossa reunião, a dúvida iria permanecer. Sobre a China também sem muitas novidades, uma vez que, existem dúvidas se os dados oficiais estão corretos ou são manipulados.

Quando os dados de Brasil, e de todo o imbróglio político, uma alto grau de ceticismo tomou conta da sala, embora isso também não seja nenhuma novidade, pois basta ver a nossa volta o ambiente que vivemos. Ao analisar as contas públicas, item a item, ficou claro que no lado das despesas existe pouco a se fazer, pois 90% delas, são não discricionárias e estão vinculadas a reajustes da inflação passada ou às receitas.

O gráfico a seguir coloca de maneira clara este problema, vejam que as receitas vem decrescendo desde 2012, quando a economia passou por crescimentos mínimos, e o problema acentuou-se a partir de 2014. Já as despesas continuam crescendo pela a rigidez de seus subitens. Notem que estes valores estão expressos em relação ao PIB.

No próximo gráfico as despesas e receitas de 2014 para 2015.

Depois de várias idas e vindas do tipo: isto não dá para mexer; ela (a Presidenta) não pode cortar isso; esta depende do Congresso; não vai conseguir e etc... Ficou claro para mim, que existem apenas uma alternativa dentre: o Brasil crescer, aumentar impostos ou inflação.

Antes de começar analisar cada uma delas, é importante que o modelo em que as contas públicas estão estruturadas, implica numa condição necessária para que não haja déficit, crescimento, caso contrário, é praticamente impossível gerar superávit fiscal. Uma forma simplificada de raciocínio, seria imaginar um negócio em que 90% do custo é fixo, e indexado pela inflação. Como contra partida, sua receita tem que subir sempre, caso contrário você entra no prejuízo.

Ontem o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, em entrevista ao jornal Valor, disse que: "a fase mais crítica da crise econômica está passando e temos que ter as bases para um novo ciclo de crescimento, liderado por ganhos de produtividade e expansão do crescimento". Certamente ele está apostando na primeira hipótese e ele está certo, entende de contas públicas, agora só falta combinar com os Corintianos! Sr. Ministro se está tão confiante assim, colocaria seu dinheiro numa fábrica? Esse cenário, na minha avaliação, tem uma chance de 5%, e se você achar que estou sendo otimista, tanto faz, não vai mudar nada.

Aumentar os impostos parece que não dá no momento, vide o que aconteceu com a ideia da CPMF, o PMDB abortou no ato. Fica claro também, que esse partido não quer ficar com nenhum ônus perante o público, pois tem intenções de assumir o comando do país já, ou em 2018. Você poderia se perguntar se o Renan Calheiros penderia a favor do governo. Eu tenho a impressão que a guinada dele foi mais uma jogada da cúpula do partido, para que o Eduardo Cunha desempenhe o papel do homem "mal" e ele o "bonzinho". Vocês acham que ele com seu histórico arriscaria ficar contra o PMDB? Em todo caso, não se pode descartar o aumento de impostos, pois a situação é dramática e pode piorar.

Qual a única forma de diminuir as despesas de modo linear, sem ter que negociar com ninguém? Inflação. É natural que os mecanismos atuais não permitam uma emissão desenfreada de moeda, nem que uma inflação baixa e estabilizada alivia muito. Mas um quadro inflacionário aos níveis atuais, atua como uma queda dos gastos reais. É necessário também que, as receitas não caiam na mesma intensidade, pois uma compensaria a outra, mas basta que permaneçam estáveis em termos reais.

O que acabei de expor é uma simplificação da realidade, cujo objetivo é explicar este raciocínio de forma simples. É natural que a realidade não é tão simples assim. Mas meu objetivo é indicar qual o caminho para os próximos anos. Estamos no que se chama em economia, como estagflação e devemos permanecer em um processo longo e gradual de piora. Acreditem, não chegamos ao fundo do poço!

No post yes-woman, fiz os seguintes comentários sobre o real: ......Se tudo se comportar conforme o esperado, as cotações deveriam reverter a R$ 3,78 ou R$ 3,99, este último, um nível psicologicamente importante, uma vez que estaria buscando romper uma máxima histórica atingida em 2002...E hoje pela manhã o dólar atingiu o primeiro patamar acima.
Do ponto de vista técnico não existe nenhuma indicação de reversão, apenas o nível de R$ 3,78. Todos os outros indicadores não sugerem que a reversão possa estar acontecendo. Mas mesmo assim, não se pode descartar esta possibilidade. Análise técnica não se baseia em informações fundamentalistas ou percepções dos participantes, tudo isso deve estar espelhado nos preços. 

Já passei diversas situações onde havia uma indicação de uma reversão do ponto de vista técnico, mas nenhuma evidência real que pudesse justificar aquela reversão, não se enxergava nada para alterar o rumo. Quando de repente, algo acontece e o mercado vira! E o motivo é preço! Já está todo mundo posicionado, e naquele preço elevado existem poucos compradores e um monte de vendedores loucos a realizar seus lucros.

Não estou querendo inferir que este seja o caso do real agora, mas se por exemplo o BC resolver vender suas reservas, qual seria o impacto nas cotações? Estou frisando isso, porque por incrível que pareça, o fluxo cambial continua positivo este mês, veja a seguir.

- David você está me deixando confuso, o que devo fazer?
Ok, entendo sua angústia, afinal todos nós estamos ficando mais pobres! Se você está comprado, passe seu stop para R$ 3,65, se não está comprado, não recomendo comprar agora, uma vez que, seu stop teria que ser o mesmo e visaria um target de R$ 3,99. Para falar a verdade, o grande problema será se o dólar ultrapassar os R$ 4,00, aí as coisas se complicam. Prometo fazer esse exercício neste final de semana, mas posso adiantar que o nível é "feio".

O efeito da alta do câmbio já pode ser notada. Agora os preços no Brasil, transformados em outras moedas (dólares, euros), estão baratos.

O SP500 fechou a 1.951, com alta de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,7333, com queda de 0,56%; o EURUSD a 1,1121, com queda de 0,93%; e o ouro a US$ 1.124, com queda de 0,80%.
Fique ligado!

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