Inflação: A Revanche

8 de setembro de 2015

Dinheiro não recebe ordens

Hoje foi noticiado que a China perdeu US$ 94 bilhões de suas reservas no mês de agosto para segurar as cotações da sua moeda o Yuan. Depois da trapalhada no meio do mês de agosto, onde algum burocrata, notando que os dólares estavam saindo que nem água, resolveu tentar a via natural para estancar esse movimento, liberando as cotações.

Alguma autoridade mais graduada ao constatar o "frissom" que essa ação causou, mandou dar meia volta e retornar ao que era antes. O recado dado é que o Yuan não estava ainda preparado para ser uma moeda livre.

Observando-se o gráfico, fica claro que o movimento de perda de reservas não é algo novo, já vem acontecendo desde o final de 2014. De uma forma errônea a imprensa tem dito que, seriam os estrangeiros que estão por trás destes saques. Porém não é o que vem acontecendo, pelo menos em grande parte desse movimento. Na formação destas reservas acumuladas pela China, durante muitos anos, a maior parte foi obtida através do superávit gerado pela Balança Comercial, como já comentei em posts anteriores. Desta forma, os estrangeiros detêm agora quantia limitada de Yuan, assim, este movimento presenciado até agora, foi originado pelos próprios chineses buscando uma proteção externa.

Para ter-se uma dimensão da pressão, é necessário observar o que acontece em Hong Kong, onde a moeda local é atrelada ao dólar americano com uma paridade fixa. Em 2010, foi criado o mercado offshore de Yuan, permitindo aos residentes de Hong Kong acumularem depósitos, CD e títulos indexados em Yuan, para puderiam aproveitar de um juro adicional. Essa é considerada uma operação sem risco, haja visto que, a paridade do dólar de Hong Kong com o dólar americano, é fixa.

Uma forma de medir-se a pressão sobre a moeda chinesa é observar o ágio/deságio, entre o Yuan "onshore" e "offshore", veja a seguir.
Como já poderia se esperar, existe pressão por parte dos investidores para retornar a moeda original, o dólar de Hong Kong.

Dada a reação do governo Chinês em sustentar as cotações do Yuan, um acompanhamento do que acontece em Hong Kong poderá ajudar a saber qual será a atitude desses investidores, se retornarão a investir em Yuans ou irão em busca de diversificar em outras moedas.

O mundo sabe que a China não é uma democracia, lá ainda impera a força, como pode-se observar em várias atitudes do governo. Mas com o câmbio as coisas não funcionam bem assim. Não se consegue fixar o preço e a quantidade, um é função do outro. O que eu quero dizer com isso é que, se o governo fixa o preço do câmbio, a reserva passa a ser uma consequência, e se o mercado acredita que o nível estabelecido é baixo, haverá saques e vice-versa. Dinheiro não recebe ordens!

Falando em ordens, todos vocês devem estar acompanhando a polêmica campanha para Presidência dos USA pelo candidato independente Donald Trump. Um empresário do ramo imobiliário, que já deve ter quebrado pelos menos três vezes, mas que mantém uma imagem de "Midas".

Ele tem feito declarações impactantes como:
"Não vou pedir dinheiro para minha campanha, uso o meu próprio. Diferente de Hillary Clinton que foi ao casamento da minha filha, porque foi obrigada, uma vez que doei US$ 100 mil para sua Campanha em 2012".
"Nós não gostamos dos Chineses e eles também não gostam de nós".
"Vou retirar todos os imigrantes dos USA, os mexicanos que vem para cá, não são os bons, são os traficantes, bandidos".

Dos candidatos Republicanos é o que já tem maior popularidade, ficando a frente de vários candidatos tidos como os mais prováveis a concorrer, há seis meses.

Veja no gráfico a seguir uma das possíveis razões de sua popularidade. No último relatório de emprego publicado na última sexta-feira, enquanto os americanos tiveram um decréscimo nos postos de trabalho, os estrangeiros tiveram um acréscimo.
No próximo ano haverá eleições para presidente nos USA e para sorte dos americanos, o atual Obama, não poderá concorrer, terminado um mandato de oito anos medíocre, sem conseguir nada de muito importante. O surgimento da popularidade de um candidato tão polêmico, indica que os americanos estão em busca de um "louco", pois toda revolução precisa de um. Tomara que ele não ganhe, assim quem sabe ele se naturalize e venha concorrer aqui em 2018, precisamos urgente de um "louco"! Hahahaha....

Eu me comprometi a fazer um estudo do real, caso a cotação ultrapasse os R$ 4,00. A situação de nossa moeda é delicada, e ultrapassar essa barreira, do ponto de vista técnico tem implicações importantes. Os indicadores de momentum não indicam nenhum refresco, qualquer janela que se observe: diário, semanal ou mensal, continua firme e forte. Abaixo está o gráfico mensal, com a possível trajetória.

Se, e aqui o "se" é muito importante, ultrapassar os R$ 4,00, o nível que aponta o término de um movimento seria R$ 4,40. Depois disso, alguns meses de queda do dólar, até o nível de R$ 3,00, para depois uma nova rodada de altas do dólar, rumo aos R$ 4,80 ou R$ 5,50. Pronto falei! É inegável que existe um fator emocional envolvido com uma projeção tão ruim para a nossa moeda, desagradável. Mas como o compromisso é com o bolso, vamos em frente.

Para quem estuda Elliot Wave pode entender a razão do porque o nível de R$ 4,00, é tão importante, até que esse nível máximo histórico não seja atingido, pode ser que, o dólar ainda está num movimento de correção, que foi o que eu estava esperando. A partir do momento que ultrapassou os R$ 3,00 a probabilidade começou a trabalhar contra este cenário. E a cada vez que o nível sobe, a  chance da correção cai, mas ela só é eliminada após ultrapassar, até lá, pode ser que seja uma correção "anormal".

Para 2015, o Mosca focou no movimento do dólar, o que pareceu acertado até o momento. E para entender se o real seria movido pelo "dólar - dólar" ou pela "Dilma", como eu caracterizei essas situações, venho acompanhado os dois. O "dólar - dólar" ainda não se definiu, desde o último comentário no post china-o-teste-de-múltipla-escolha, fiz os seguintes comentários: ...Até o momento parece que uma nova alta ainda está no radar, mas somente depois dessa correção terminar. Falando sobre ela, no gráfico acima desenhei duas hipóteses, na alternativa 1 - pode-se esperar uma queda até o nível entre 92 e 90; enquanto na alternativa 2 - a formação de um triângulo entre 94 e 98. Depois disso, em ambos os casos, novas altas...


O nível de 92 foi atingido conforme anotei no gráfico, assim do ponto de vista técnico, estaria pronto para voltar a subir. Mas a correção pode ainda continuar mais um pouco, pois correção é correção! Acredito que nestas ultimas semanas o mercado ficou na dúvida sobre como o FED irá reagir às volatilidades das bolsas e os dados piores da China, o que está refletido no gráfico. Vamos ficar de olho, pois acima de 100, mais uma roda de alta é esperada.

O SP500 fechou a 1.969, com alta de 2,51%; o USDBRL a R$ 3,8185, com queda de 0,65%; o EURUSD a 1,1199, com alta de 0,48%; e o ouro a US$ 1.121, sem variação.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário