Inflação: A Revanche

15 de setembro de 2015

Raspando o prato

Nesta época do ano comemora-se o Ano Novo Judaico, o Rosha Shana. É costume nesse período jantares e almoços na casa de familiares, onde são servidas comidas típicas. Quando minha mãe era viva, ela mesma preparava todas as comidas, que saudades! Minha esposa tradicionalmente convida toda a família e serve o jantar de maneira impecável. Uma orgia alimentar!

O que isso tem a ver com a economia? Ontem a equipe econômica, liderada novamente por Joaquim Levy, anunciou um pacote de medidas contendo corte de despesas e aumento de impostos. Os itens constantes dessa medida encontram-se publicados nos jornais, mas o que eu gostaria de ressaltar são os valores de cada item, nenhum deles muito expressivos individualmente, com exceção da CPMF, embora essa última ainda seja uma incógnita a sua aprovação.

Desde o anuncio do rebaixamento da dívida brasileira pela S&P, algumas mudanças ocorreram dentro do governo. Mesmo com o que foi noticiado nos jornais, que Joaquim Levy tinha conhecimento da ação dessa agência de risco com antecedência e não avisou sua chefe, a Presidente, ela percebeu que a situação poderia sair de controle se não agisse rápido. A turma dos "desenvolvimentistas" liderada pelo Ministro Nelson Barbosa, foi colocada de lado. Optou-se pelo certo ao invés de experimentos, que só antecipariam novos rebaixamentos. Boa notícia!

O mais importante a ser observado nas próximas 48 horas é se os políticos irão dar apoio ou não às medidas. Imagino que um mínimo de consultas foram feitas neste sentido, antes do anúncio, embora não seja garantia de nada, os políticos podem mudar de opinião. Em todo caso, se o governo conseguir ir em frente um período de calmaria poderia acontecer, diminuindo as pressões de movimentos de impeachment e derivados.

Agora se essas medidas serão suficientes para estabilizarem as contas públicas e vislumbrar algo menos horrível para o futuro, ninguém sabe. O que se sabe, é que o governo está raspando o prato, como o meu, no jantar de Ano Novo!

A ilustração a seguir mostra como o real vem sendo castigado pelos motivos internos e externos. O tema do Mosca para 2015, "dólar - dólar" x "Dilma", vem se somando de forma negativa.
Com uma situação cambial superior ao dos países emergentes, como mostrei no post excesso-de-pessimismo, é inacreditável a performance de nossa moeda. De duas uma, o mercado está exagerando em sua percepção, ou o Banco Central está errando muito em não vender reservas para acalmar os ânimos. Em outras palavras, ou acontecem fatos ruins daqui em diante para confirmar este pessimismo, ou é arriscado ficar comprado em dólar nesses níveis.

Como vem sendo largamente noticiado, esta semana promete muita emoção. Na quinta-feira, a Janet Yelen e sua turma terão muito trabalho para justificar sua decisão sobre os juros americanos. No post excesso-de-pessimismo, listei quatro possíveis alternativas, e para qualquer uma delas, na secção de perguntas e respostas, o ambiente será tenso, pois as opiniões estão muito divididas. Copiei abaixo para relembrar quais são.

1 - Status Quo: Não sobe os juros e mantém o mesmo discurso.
2 - A bala está na agulha: Não sobe, mas deixa claro que não passa da próxima.
3 - Isso é só o Começo: Sobe e avisa que é o inicio da normalização.
4 - Só vai por os pés: Sobe 0,25% e permanece aí até que fique mais claro o efeito da alta.


Os membros do FED que querem o aumento, justificam que, mesmo a inflação estando abaixo da meta, ela tenderá a ficar a ficar dentro da meta no futuro. Acontece que o mercado não está achando isso. O gráfico a seguir apresenta a expectativa futura da inflação: daqui a um ano (azul); e três anos (vermelho), e ambas apontam para baixo.
Do outro lado as bolsas de valores ao redor do mundo encontram-se em posições tecnicamente perigosas. Veja a seguir.
E o que é pior, a correlação entre elas está em níveis muito elevados, o que significa não haver diversificação neste momento, uma influencia a outra.
Ao analisar os vários ativos pela manhã, nenhum deles merece algum comentário adicional aos últimos já publicados, devem estar aguardando a decisão do FED. Para não passar em branco, o euro é o único que mostrou pequena tendência de alta, no curto prazo.

Desde que publiquei o post a-Europa-esta-na-moita, o euro está num movimento de alta de "tartaruga", devagarzinho.

Acredito que é mais provável que o euro suba até 1,185, ou até um pouco mais, antes de voltar a cair, mas como vocês sabem, este é um movimento de correção. Se você quiser fazer uma "apostinha", poderiam comprar entre 1,125/1,13, com stop a 1,1080. "Ficha na traiçoeira"! Hahaha...

O SP500 fechou a 1.978, com alta de 1,28%; o USDBRL a R$ 3,8630, com alta de 1,39%; o EURUSD a 1,1266, com queda de 0,47%; e o ouro a 1.105, com queda de 0,27%.
Fique ligado!

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