Inflação: A Revanche

25 de setembro de 2015

Mal-entendido

Ontem a noite a Presidente do FED, Janet Yelen, fez quase que uma apresentação acadêmica na Universidade de Massachusetts, com inúmeras citações de artigos publicados, gráficos e etc... O principal objetivo, entretanto, foi a de confirmar que a taxa de juros deverá subir este ano ainda, e mais, que ela também é favorável. Com isso, buscou dirimir um mal-entendido que ficou depois da última reunião do FOMC, a de que o FED estaria enxergando algum aspecto negativo que o mercado não. Foi o que precisava para os mercados se animarem, as bolsas operam em alta em todos os mercados.

Um fator preocupante deste evento, ocorreu durante três minutos onde ela mal conseguiu falar, ficou visível que teve um mal estar, seguido de tosse muito forte. Nesse intervalo, durante alguns segundos, permaneceu muda diversas vezes. Ao término da apresentação, foi atendida pelos médicos e aparentemente nada de mais sério foi reportado. Ainda bem!

Aqui no Brasil, não posso deixar de comentar as declarações do Presidente do BC, a de que poderia usar as reservas para agir no mercado de câmbio. Essa declaração foi suficiente para iniciar uma queda do dólar de mais de 7%, do pico atingido ontem a R$ 4,25. No post de ontem, que foi escrito como de costume na parte de manhã, antes dessa declaração, externei minhas idéias, do porque o BC já deveria ter atuado no câmbio.

Como uma atitude paternal do tipo : ..."se você não se comportar vai ficar de castigo"..., essas declarações comprovam ainda mais minha tese, vejamos por que: Primeiro que esse anúncio e descabido de qualquer informação nova, afinal se as reservas estão lá são para serem usadas e não ficarem de lembranças para os netinhos; segundo se o BC não vendeu dólares quando a cotação estava a R$ 4,25, é porque não acha que este é um nível "bom" para atuar; e por último, se com essa "inação" o câmbio caiu, é porque tem muito especulador do outro lado.

Acho que faltam executivos corajosos como Gustavo Franco, Ibrahim Eris, que com migalhas de reservas seguraram a moeda contra os especuladores, no passado. Com US$ 370 bilhões, o BC poderia ter evitado a alta quase que exponencial do dólar, ocasionando enormes prejuízos às empresas, sem que haja qualquer evidência de problemas nas contas cambiais. Mas não relaxem, o mercado deve testar o BC em breve. Por sinal, depois da queda no grito, como se diz no jargão de mercado, deveria ter atuado hoje, US$ 1 "bizinho" para testar. Coragem!

O termo "Samba do Crioulo Doído" parece se aplicar bem aos movimentos dos últimos dias da bolsa americana. Para quem não conhece a sua origem, é uma paródia composta pelo escritor, cujo pseudônimo é Stanislaw Ponte Preta, em 1968. Procura ironizar a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas de enredo, somente fatos históricos. Depois disso, a expressão se popularizou para se referir a cosias sem sentido. Não que tenha acontecido algum desastre, mas depois da queda do SP500 ocorrida no final de agosto, quando a China ameaçou mudar sua política cambial, não há definição se vai continuar a cair, ou ensaia uma recuperação mais forte.

No post excesso-de-pessimismo, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...marquei dois pontos que indicariam movimentos opostos, no de alta, é fundamental que o índice recupere o nível de 2.000 e fique acima dele, por outro lado, abaixo de 1.865, o tom azeda para os otimistas e novas quedas estão nas cartas, e pior significativamente inferiores aos níveis atuais...


No gráfico, destaquei o dia em que o mercado negociou acima do nível de 2.000, mas fechou abaixo. Depois disso voltou ao intervalo que não indica nenhuma direção. Neste momento encontra-se exatamente no meio. Continuam as mesmas observações acima, apenas alterando o nível para 2.020, no caso de uma alta.

Mesmo com as declarações da Yelen, que os juros subirão em breve, tirou-se a dúvida de que existia um fantasma que o FED estava enxergando, mas as outras dúvidas continuam. Falando em dúvidas, ontem participei de um encontro com o economista Michael Pettis, grande conhecedor da China, uma vez que leciona e vive lá desde 2002. Ele tem uma visão bastante pessimista para o futuro daquele país. 

Em resumo, acredita que existem dois cenários para China, um mais benigno onde o PIB deveria cair para níveis muito baixos, próximo de zero, propiciando o aumento de consumo interno em detrimento dos investimentos, e outro em que a economia continuaria crescendo da forma que vem crescendo, através de dívidas, e que repentinamente o PIB colapsaria. Em ambos os casos, acredita que o ciclo de queda das commodities ainda não terminou, prevendo mais 20% - 30% de baixa.

Independente se suas visões irão se confirmar ou não, fiquei extremamente impressionado com que simplicidade e clareza, explica conceitos econômicos muito complexos, além de seu conhecimento das economias mundias. Está anotado!

O SP500 fechou a 1.931, sem variação; o USDBRL a R$ 3,9735, com alta de 0,93%; o EURUSD a 1,1202, com baixa de 0,22%; e o ouro a US$ 1.146, com queda de 0,63%.
Fique ligado!

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