Inflação: A Revanche

10 de setembro de 2015

Reprovado!

Finalmente a tão esperada perda de grau de investimento aconteceu. Ainda faltam as outras duas agências, mas não se pode esperar que tenham uma reação diferente da Standard & Poor´s. Um recado que foi dado por essa agência foi a de colocar o Brasil em perspectiva negativa, o que quer dizer claramente, mãos a obra rápido.

Primeiro é importante que se entenda como são as classificações de risco e o que elas implicam.
Como podem notar é quase um abecedário! Hahahaha... Com o rebaixamento o Brasil voltou para o lugar em que sempre esteve antes 2008. A maior implicação é que, vários fundos de investimento em seus regulamentos não permitem investir em títulos sem grau de investimento. Isso não necessariamente significa que hoje uma batelada de papéis de empresas brasileiras serão liquidados, pois, uma coisa é a classificação de risco soberano do país outra coisa é a classificação de risco das empresas brasileiras. Um estudo do JP Morgan calcula que entre todos os títulos brasileiros, o valor a ser liquidado é da ordem de US$ 20 bilhões, lógico considerando que ainda não tenham sido vendidos.

Fiquei impressionado pelo destaque dado a esse anuncio, o Jornal Nacional explicou e conversou com uma série de economistas, acho que foram mais de 20% do programa. A noite, depois da vitória incontestável do Santos por 3 x 0 sobre São Paulo, que vem melhorando a olhos vistos. Vamos Santosssssssss..., assisti ao Jornal da Globo.

O Ministro Joaquim Levy deu uma entrevista ao vivo, bastante sereno e conhecedor do assunto, nem precisava perguntar se ele estava esperando. É incrível como o movimento da S&P, virou uma comoção nacional, semelhante a derrota na Copa do Mundo para a Alemanha. As duas eram previsíveis? Com certeza a perda de grau de investimento era, no post publicado em julho passado zona-de-rebaixamento, mostrei como o mercado internacional já classificava o Brasil como "non Investment grade", ao analisar o custo do Credit_default_swap.

O que se pode dizer, é que foi uma surpresa a rapidez como essa agência tomou essa decisão. Mas se eles acompanham minimamente o que vem acontecendo por aqui, entenderam que o governo estava querendo dar uma de "macho", ao enviar o orçamento com um déficit para o Congresso. Na verdade o Ministro Nelson Barbosa e Companhia, acharam que podiam ditar regras diferentes das aceitas pelo mundo financeiro. Assisti ontem sua entrevista, estava bastante nervoso, sentiu rapidinho que suas ideias são Wishful thinking".

Com uma postura muito pragmática, existem fatos positivos deste evento, primeiro espero que a Presidenta abandone as ideias do grupo "desenvolvimentistas a qualquer custo" e siga o que o diz o Ministro Levy, o único que pode salvar a Pátria e a sua pele! É melhor antes, que mais tarde. Já quanto a parte política ainda permanece um mistério o que o PMDB quer - empurrar a Dilma para o precipício ou deixar ela próxima dele até 2018? Tenho dificuldades de imaginar como as coisas podem melhorar antes das próximas eleições, na melhor das hipóteses, somente uma ajuda externa poderia nos tirar desse buraco. A ajuda externa a que me refiro, é uma melhoria das economias desenvolvidas e com consequente alta dos preços das commodities. Agora se acontecer o contrário...

O dólar, como não poderia ser diferente, abriu com uma alta superior a 3%, próximo a R$ 3,90. O importante hoje é observar como será o fechamento. O BC pelo seu lado promoveu um leilão de linha no valor de US$ 1,5 bilhão. É na verdade um semi refresco, pois só fornece liquidez ao mercado sem influenciar na cotação diretamente. Se quisesse atingir esse último objetivo teria atuar somente vendendo a moeda. Como diria Milton Leite: "Que fase!"

Enquanto o mercado aguarda a tão esperada decisão do FED, na próxima semana, os juros dos títulos de 10 anos americanos encontram-se em compasso de espera. No post bons-tempos, fiz as seguintes colocações: ...Permanecemos com a mesma opinião, caso o mercado recupere esse nível e ultrapasse 2,25% - 2,35% a.a., a alta dos juros ganham mais sustentação. Por outro lado, caso não consiga sustentar os 2,18% a.a., pode levar a novas quedas...
Desde esta última postagem, o mercado buscou romper o intervalo superior apontado pelo Mosca, mas resolveu esperar, afinal está totalmente indefinido o que vai acontecer. 

Para vocês terem uma ideia vejam a seguir os comentários do economista chefe do Deustche Bank ..."My days and nights here are a flurry of emails and phone calls with clients all around the world about what the fed will do next week, and rarely have I heard so many different arguments pointing in all kinds of directions... ...my best guess is that the committee is also confused about what the right decision is, and as a result they are waiting to the last minute with making a decision because they want to see all incoming data and market developments"... Eu também não me recordo de uma situação semelhante, porém também nunca os mercados financeiros foram tão manipulados pelas injeções de recursos por meio de vários Bancos Centrais. 

Não adianta reclamar, meu conselho é use os gráficos, eles tem como argumentação básica que a reação das pessoas seguem em ciclos e com uma certa tendência. 

O SP500 fechou a 1.952, com alta de 0,53%; o USDBRL a R$ 3,8539, com alta de 2,01%, como comentei acima, o fechamento do dólar considero neutro, uma nota 5; o EURUSD a 1,1273, com alta de 0,61%; e o ouro a US$ 1.110, com alta de 0,41%.
Fique ligado!

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