Inflação: A Revanche

18 de setembro de 2015

Sentindo no bolso

Pelas notícias publicadas hoje, percebe-se que o mercado não gostou da decisão do FED. Diferentemente de outras ocasiões, onde a manutenção dos juros em 0% faziam as bolsas subirem, desta vez, uma ação de vendas se iniciou no final do pregão de ontem em Wall Street e se propagou pela Ásia e Europa.

Eu comentei no post excesso-de-pessimismo, quatro possíveis alternativas sobre a decisão do FED, que repito a seguir:
1 - Status Quo: Não sobe os juros e mantém o mesmo discurso.
2 - A bala está na agulha: Não sobe, mas deixa claro que não passa da próxima.
3 - Isso é só o Começo: Sobe e avisa que é o inicio da normalização.
4 - Só vai por os pés: Sobe 0,25% e permanece aí até que fique mais claro o efeito da alta.


Aparentemente foi escolhida a primeira, mas fiquei na dúvida se não existe uma derivada:
4a - Nem põe os pés: Não sobe nunca mais! Hahaha...

Ontem fiz alguns comentários iniciais sobre os resultados da reunião, mas hoje vamos ver alguns detalhes. Primeiro e mais importante, no meu ponto de vista, é a projeção do PIB feita pelo FED.
Não, o gratifico não está de ponta cabeça. O FED acha que a economia vai melhorar desta forma com o PIB caindo para 2% a.a no longo prazo? Com certeza, eles estão visualizando um futuro muito mais sombrio que o mercado. Isso se eles não errarem superestimando, como vem sendo o padrão dos últimos anos. 

Para o trimestre em questão, a estimativa efetuada pelo FED de Atlanta, projeta um PIB já bem inferior ao mercado de 1,5% a.a.
Ontem mencionei também, minha surpresa pela ênfase dada pelo FED no mercado de trabalho. Talvez tenha encontrado a razão, através dos dados do censo americano, relativo a distribuição de renda, veja a seguir.

Os únicos que poderiam estar mais felizes são os velhinhos, que tiveram uma elevação de seus ganhos nos últimos 50 anos. Mesmo assim, é de longe muito menos que a alta da bolsa, pois enquanto os salários praticamente dobraram, a bolsa subiu nominalmente 1.900%. Talvez o que a Yellen esta enfatizando é que para o mercado de trabalho tornar-se mais saudável a condição de criação de vagas é necessária, mas não suficiente, os salários tem que aumentar também. Os americanos estão sentindo no bolso, todas as mudanças estruturais que estamos vivendo.

De todos os mercados, os de juros foram os que tiveram uma reação imediata, com queda das taxas. No post post-it-para-Yelen, fiz os seguintes comentários: ...os juros entraram no intervalo que poderá sedimentar novas altas no futuro. Mas por enquanto, ainda está tentando. O nível apontado no gráfico de 2,40% é muito importante do ponto de vista técnico, se romper poderá ultrapassar 2,80%. Mas tudo isso ainda são conjecturas, e o que acontecer amanhã pode definir se vai mesmo, ou dá meia volta...
Eu poderia muito bem ter embarcado na onda de alta de juros e proposto um trade naquele momento, afinal, eu esperava que o FED subisse os juros. Mas os dados técnicos não se apresentavam tão favoráveis. Estou enfatizando isso, pois minha imagem tem sido associada a falta de direção - "pode ir para um lado ou para outro". E nesse caso foi o que aconteceu. O que eu deveria fazer hoje se tivesse feito a aposta? Não vou cansar de repetir que, quando os mercados estão num movimento de correção, tudo pode acontecer.

Voltando ao mercado de juros, continuo sem uma posição definida. Pode: reverter e subir, nesse caso 2,40% é importante; ou continuar a queda, e nesse caso 1,95% é importante. Não tenho opinião e não arrisco dinheiro em "palpites". Já é difícil acertar quando os indicadores estão a seu favor, imagina quando não fornecem nenhuma informação! 

Estamos com duas posições em aberto: euro comprados a uma média de 1,1275 com stoploss a 1,1085, que será mantido; e o ouro a US$ 1.110, e estou subindo o stop para US$ 1.098.

O SP500 fechou a 1.958, com queda de 1,61%; o USDBRL a R$ 3,5947, com alta de 1,48%; o EURUSD a 1,1294, com queda de 1,22%; e o ouro a US$ 1.138, com alta de 0,67%.
Fique ligado!

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