Inflação: A Revanche

28 de setembro de 2015

Silêncio Inquietante

Desde que a China deixou muitas dúvidas em agosto de qual seria a sua política cambial, quase não se houve falar mais nada sobre esse assunto. O mercado financeiro naquele país se estabilizou, pelo menos aparentemente. A taxa de câmbio do Yuan, voltou ao velho padrão com pequenas flutuações, como se pode verificar no gráfico a seguir.
Em relação a bolsa de valores, depois das quedas expressivas iniciadas a partir de junho, o índice acionário também ganhou estabilidade.
Então podemos relaxar? A calmaria é um sinal de estabilização? Não é pudente. Os mercados estão longe de acreditar que a economia está evoluindo conforme a publicação do PIB feita pelo governo, apontando um crescimento de 7% a.a. Sob outra ótica, e usando as variáveis que o Premier Li Keqiang acredita ser a melhor forma de avaliar a saúde da economia (uso de eletricidade, transporte ferroviário, volume e crescimento de crédito), sugere que o PIB está crescendo menos de 4% a.a.

Mesmo que você não esteja satisfeito, os efeitos da queda de preços de commodites começou a atingir o que a China mais preserva, o emprego. Na sexta-feira, o Grupo Longmay, a maior mineradora de carvão metalúrgico, que vem lutando para reduzir seus massivos prejuízos nos meses recentes, resultado do colapso no preço das commodites, confirmou que está a caminho de reduzir sua força de trabalho de 240.000 em 40%. Ou seja, uma demissão de 100.000.

Além dessa empresa, muitas empresas públicas estão enfrentando o mesmo tipo de problema, e está ficando mais profundo, uma vez que o setor continua numa espiral de queda. Os problemas sociais que essas dispensas podem causar, sugerem uma redução dos benefícios e salários, como uma melhor forma de cortar os custos, uma "socializada", modelo que o povo Chinês não quer lembrar mais.

Se tem uma situação que o governo fica extremamente preocupado, é a possibilidade de agitação e violência civil, além de uma economia que não está indo bem. Mas por enquanto percebe-se somente um silêncio inquietante.

Considerando as declarações da Presidente Dilma nesse final de semana, acredito que ela está lendo o Mosca! Hahahaha... Afirmou que o Brasil vai usar as reservas para atuar nas cotações do câmbio, pois está muito preocupada com os efeitos da alta do dólar no balanço das empresas. Estes argumentos estão em linha com o post mal-entendido, da última sexta-feira.

Como venho argumentando, os dados cambias não justificam tamanha deterioração do real. Por mais que a situação política seja mais obscura que as águas do rio Pinheiros - e olha que elas estão imundas, não houveram saídas de dólares recentemente. Pelo contrário, no mês de setembro, o fluxo foi levemente positivo.



Como se fazia necessário, refiz minha análise do real, considerando o rompimento da barreira dos R$ 4,00. Com esse novo cenário, e como já havia adiantado, o movimento de mais longo prazo é de alta do dólar. Entretanto, com a queda da última semana, pode ser que durante algumas semanas, o dólar recue.

- David, como assim, primeiro você disse que o dólar vai subir, e em seguida que vai cair. Assim qualquer um acerta até na pulga! Hahaha....
É verdade, disse isso mesmo, mas você suprimiu os prazos, está querendo manipular meus leitores? Hahahaha ....

Vamos então por partes, primeiro para que essa previsão de queda se confirme, é necessário que a cotação caia abaixo de R$ 3,88 e não ultrapasse R$ 4,25. Eu sei que é um intervalo grande, mas como eu não estou propondo nenhum trade, não tem custo ficar observando. Partindo do pressuposto que essas premissas sejam respeitadas, teremos condição de entrar mais a frente num trade de venda de dólar.

Ainda existem algumas dúvidas na interpretação do movimento de alta, mas que não elimina, nem distorce muito os objetivos dessa correção. O primeiro intervalo - em vermelho, cujo objetivo é de R$ 3,40/3,50, e o segundo em azul, R$ 3,10/3,20.

É difícil enxergar hoje, como o dólar poderia recuar 15% - 20%. Localmente, ou internacionalmente, não parece haver evidências para que isso aconteça. Mas isso não é problema da análise técnica, pois essa não procura "adivinhar" o que vai acontecer. Isso é problema para os economistas!

O SP500 fechou a 1.881, com queda de 2,57%; o USDBRL a R$ 4,0979, com alta de 3,01%; o EURUSD a 1,1233, com alta de 0,34%; o ouro a US$ 1.131, com queda de 1,30%.
Fique ligado!

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