Inflação: A Revanche

24 de setembro de 2015

Mundo sem sincronismo

Enquanto aqui no Brasil o dólar não para de subir, resquícios de políticas e atitudes de um governo medíocre e mal intencionado, em outros locais, Bancos Centrais estão baixando os juros com o intuito de reativar suas economias, como foi o caso da Noruega que baixou seus juros a 0,75% a.a., recorde histórico e Taiwan que fixou sua taxa em 1,75% a.a. No caso brasileiro, com as recentes altas do dólar, que não demonstra sinal de estabilização, é quase certa, que a inflação nos próximos meses será impactada.

A Rosenberg elaborou algumas estratégias que o BCB poderia usar neste momento bastante delicado, onde pode ocorrer a perda de controle da situação.
  • Intervir no câmbio, diretamente, para reduzir o seu impacto sobre a inflação. Esta não parece ser uma jogada sobre a mesa - até porque uma parte significativa de empresas já possui hedge, o que reduz as chances de um efeito deletério significativo sobre balanços, como tivemos em 2009. E, também, porque a incerteza política é tão grande que a intervenção poderia bem resultar apenas em jogar reservas fora.
  • Intervir no câmbio via aumento de juros. Isso só surtiria efeito se a dose fosse cavalar - o que o ritmo de atividade não parece permitir e, pelo histórico deste Banco Central, também não parece ser uma opção.
  • Elevar juros a conta-gotas, num novo ciclo de 50 bps por reunião, por algumas reuniões. Seria uma tentativa de conter as expectativas, sinalizar que o BC ainda está no jogo (vigilante), mas que teria poucos efeitos práticos sobre a inflação em 2016. Esta, a permanecer o câmbio no atual patamar, já está irremediavelmente contaminada. Poderia, talvez, conter os efeitos sobre 2017.
  • Manter o nível atual da taxa de juros, apontando que já há um ajuste de atividade em vigor, que ajudará a conter os efeitos de segunda ordem deste novo choque de preços relativos, arcando com os custos de perda da credibilidade decorrentes.
Eu sempre fui contra a política do BC de não atuar no câmbio de forma mais direta, vendendo no mercado à vista, sem compromisso de recompra. A grande diferença entre as duas situações, é que na segunda tudo se passa como um empréstimo em dólares, sem impacto nas cotações, somente na liquidez. Fazendo um paralelo com o futebol, é como se o técnico do Barcelona decidisse escalar os reservas para "poupar" os titulares. Depois de inúmeras derrotas, e já em último lugar na tabela, próximo ao rebaixamento, resolvesse escalar os titulares. Tarde demais!

A estratégia usada pelo BCB, coloca o Brasil como o primeiro caso na história moderna, onde se assiste uma desvalorização desenfreada de uma moeda, com um elevado volume de reservas e baixo endividamento externo. Mas, por não atuar na hora exata, muitos devedores que não tinham feito hedge, bateram o seu stoploss. Além disso, um outro grupo que detinha grande parte de sua poupança em reais, se apercebeu que seu portfólio desvalorizou-se muito, e resolveu comprar dólares. E para terminar, os estrangeiros que estavam aguentando o tranco, também resolveram sair. Uma bolha está se formando neste mercado, e bolha é bolha, não tem previsão de quando termina.

Agora, com a pressão elevada pelos mercados internacionais, a situação tende a piorar. Vejam abaixo, o gráfico que mostra a evolução do real relativo às moedas dos emergentes.

Eu destaquei em verde o período onde houve certa estabilidade entre o real e o dólar australiano, canadense, peso mexicano e rand sul-africano. Porém, em meados deste ano, enquanto essas moedas experimentaram desvalorizações contra o dólar - a linha em preto indica cotações dessas moedas em relação ao dólar, o real intensificou o movimento, pois perdeu mais ainda.

Se o BC tivesse vendido US$ 100 bilhões, o que é uma quantia grande, nos meses anteriores, talvez a cotação estivesse em R$ 3,00 - R$ 3,20, compatível com o nível relativo do início do ano. Esta bem, você acham otimismo, que seja R$ 3,50 pela conturbação política. Agora a R$ 4,25, vai ter que gastar muito mais reservas para evitar uma espiral desenfreada, e sem garantia que isso não ocorra.

Parece coincidência mas hoje o Presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que pode vender dólares a vista, o mesmo que sugeri acima. Só com estas declarações, o dólar teve uma queda de quase 5%. Agora, não tenham dúvida, que o mercado irá testar suas declarações nos próximos dias.

Antes de entrar na análise de mercados, ontem comentei o caso Volkswagen e minha perplexidade com o que ocorreu. Levantei algumas hipóteses do porque, e parece que hoje surgiu o motivo.

As vendas nos USA da Volkswagen estavam indo de mal a pior, o seu preço relativo a seus concorrentes era mais caro. Como diz aquela frase famosa: ..."o barato sai caro"...

No post trader-new-wave, fiz os seguintes comentários: ...Por enquanto nada a se comemorar, nem atualizar. Hoje a tarde deu "mais um gás", subindo mais um pouco. Como anotei no gráfico, o nível de 1.170 precisa ser rompido... E no post sentindo-no-bolso, alterei o stop para US$ 1.098. Hoje pela manhã o ouro deu um salto de US$ 24, algo que não se via há um bom tempo, e a cotação se aproxima do nível anotado acima de US$ 1.170.
Não teria nada a acrescentar e nem modificar, apenas que os movimentos dos últimos dias espelham a incerteza que reina nos mercados financeiros, e nestes momentos o ouro é um refugio secular.

 O SP500 fechou a 1.932, com queda de 0,34%; o USDBRL a R$ 3,9930, com queda de 4,46%; o EURUSD a 1,1223, com alta de 0,34%; e o ouro a US$ 1.153, com alta de 1,99%.
Fique ligado!

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