Inflação: A Revanche

11 de setembro de 2015

Excesso de pessimismo?

O ambiente está tão ruim por aqui que só se esperam notícias ruins, e olha que não têm faltado. Mas como tudo na vida, são ciclos que tendem a se alternar. Ontem passou desapercebida a publicação do IPCA, índice de inflação de agosto, 0,22%. Não que esse número indique uma reversão do processo inflacionário, mas pela trajetória do dólar, é esperado que exerça pressão nos preços. A taxa anual ainda está num nível totalmente fora do limite superior estabelecido pelas metas do Banco Central, recuando marginalmente para 9,5%.

O recuo deveu-se especialmente a descompressão no grupo de alimentos, habitação e transportes com uma forte queda em passagens aéreas, também quem pensa, ou melhor, pode viajar nos dias de hoje?
Outro fator importante é o índice de difusão que permaneceu estável em 65,1%. Os preços livres tiveram descompressão no mês passando para 0,18% e a taxa anual permaneceu estável em 7,7%, nível ainda muito elevado e que merece acompanhamento, pois é onde poderá haver contaminação dos preços em geral. Os preços administrados, fonte de maior pressão no último ano, registram queda expressiva relativamente ao mês anterior - de 1,17% para 0,32%.
Na expectativa da Rosenberg a taxa anual atingiu o pico recentemente e deverá terminar o ano em 9,3%. Para 2016, o câmbio passa a ter papel relevante sobre as projeções, eles trabalham com uma projeção de 6%.
Então, dado o mar de sangue que se tem visto, o fato de a inflação não ter subido, não é uma boa notícia?

Um artigo publicado pelo Wall Street Journal, aponta a vulnerabilidade dos países emergentes, destacando que os investidores estão apostando que a Turquia e o Brasil não irão honrar suas dívidas. Esta conclusão baseia-se nos elevados níveis a que atingiram as cotações dos credit-default swaps, que são contratos de seguros contra esse evento.

O jornal publicou junto uma figura que mostra a proporção de reservas de vários países, relativas a sua dívida externa (parte superior), bem como a participação dos estrangeiros na dívida interna.
Analisando estes parâmetros a situação do Brasil é de longe a melhor de todos os emergentes, então por que estamos sendo tão castigados? Credibilidade!

É impressionante a quantidade de relatórios técnicos que alertam para uma queda da bolsa americana. O motivo principal é que vários indicadores foram acionados evidenciando esse receio. Sem entrar muito em tecnicidade, o Mosca postou braço-de-ferro, quais são os pontos onde uma definição pode se materializar: ...Se tivesse que decidir com um revólver na cabeça, optava pela venda, mas como não é esse o caso, prefiro aguardar. Acima marquei dois pontos que indicariam movimentos opostos, no de alta, é fundamental que o índice recupere o nível de 2.000 e fique acima dele, por outro lado, abaixo de 1.865, o tom azeda para os otimistas e novas quedas estão nas cartas, e pior significativamente inferiores aos níveis atuais...
O mercado está dando um recado, antes da reunião do FED, nada feito. Agora fiquei pensando qual deveria ser a reação da bolsa nas quatro alternativas. Quatro? Me explico a seguir:

1 - Status Quo: Não sobe os juros e mantém o mesmo discurso.
2 - A bala está na agulha: Não sobe, mas deixa claro que não passa da próxima.
3 - Isso é só o Começo: Sobe e avisa que é o inicio da normalização.
4 - Só vai por os pés: Sobe 0,25% e permanece aí até que fique mais claro o efeito da alta.

Não tenho muita convicção, mas acho que as hipóteses 1 e 4 são ruins para a bolsa, enquanto as 2 e 3 positivas. Em todo caso, a 4 é a pior de todas, pois externaria muita insegurança dentro do comitê. Uma decisão para agradar a todos.

Como comentei acima, com um revólver na cabeça, tecnicamente a bolsa tende para a queda. Por outro lado, foi reportado que houve muitos saques dos fundos de bolsa na ultima semana, e o grau de pessimismo subiu. Ao contrário do que possa parecer, estes fatores podem acelerar a alta, caso algum fato mude o sentimento. Ficamos de fora observado se vai dar verde ou vermelho.

O SP500 fechou a 1,961, com alta de 0,45%; o USDBRL a R$ 3,8700, com alta de 0,41%; o euro a 1,1339, com alta de 0,58%; o ouro a US$ 1.107, com queda de 0,32%.
Fique ligado!

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