Inflação: A Revanche

29 de setembro de 2015

O FED está na contra mão?

A alguns meses venho externando minha preocupação com o preço das commodities, de uma forma geral, todas estão caindo e não é pouca coisa. Sabemos que sua evolução é cíclica, além de depender do clima quando se pensa nas agrícolas. Mas todas caírem ao mesmo tempo não é um indicador saudável. Isso pode acontecer por dois motivos, excesso de oferta ou falta de demanda.

Se a análise estivesse focada em cima do petróleo, existem motivos suficientes para sua queda. Com a elevação de produção advinda dos USA, que implantaram um programa bem sucedido de extração de óleo de xisto aumentando significativamente a oferta. Mas o que dizer do minério de ferro, cobre, zinco, platina e assemelhados, por que estariam caindo tanto?

Outro setor do mercado financeiro também está emitindo sinais de perigo. Os títulos de renda fixa emitidos pelas companhias são avaliados pela diferença de rendimento sobre os títulos governamentais. Com a pressão sobre os mercados de crédito, os investidores estão se desfazendo das posições mais populares, até agora conhecidas como de alto rendimento.

E por último, as bolsas de valores foram afetadas nas últimas semanas com quedas em todas as partes do mundo. A seguir, comento o SP500, que se aproxima de um nível bastante perigoso.

Será que  os USA está entrando numa recessão? Uma respeitada casa de consultoria acredita que sim. A Gavekal criou um indicador de atividade econômica que contém 17 componentes, desde preço da madeira para construção, spread de títulos, estoque sobre vendas e etc... Para entender o gráfico deve-se considerar: Quando é positivo o investidor não tem com o que se preocupar, e aproveitar qualquer queda da bolsa como uma oportunidade de compra. Quando é negativo, uma recessão é possível, e abaixo de -5 deve-se ficar preocupado.


Notem que todas as vezes que esse indicador passou desse nível, uma recessão se sucedeu. Os problemas atualmente são dois, primeiro que os dados não apontam para essa situação, o que pegaria todos os economistas de calça curta; e segundo que o FED não tem mais bala na agulha.

Agora, imaginem que daqui a 6 meses a economia americana entre numa recessão e o FED já tenha subido os juros, em quem sabe, 0.75% - 1.00%. Não tenho muita dúvida que a Yellen iria convocar os pilotos de helicópteros à toque de caixa e baixar os juros. Mas o mercado vai comprar a ideia que desta vez vai funcionar? Estamos á base de suposições, mas eu acredito que, caso esta situação aconteça o dólar vai se esborrachar e o ouro subir forte, 2016 promete!

No post mal-entendido, comentei que haviam dois níveis do SP500 que mereciam especial atenção: o que indicaria alta da bolsa 2.020 e baixa 1.865. Ontem as bolsas caíram no mundo inteiro e não foi diferente nos USA. Quem busca diversificação de investimentos, como indicaria um modelo de portfolio, pode jogar no lixo, uma vez que, ultimamente "one bet fits all" adaptando a frase usada no comércio americano indicando que uma roupa serve para qualquer manequim. Todas as bolsas estão tendo movimentos na mesma direção.

Como pode-se verificar no gráfico, se o SP500 cair abaixo dos 1.860, a linha azul construída desde a queda de 2008 será violada. O que pode acontecer depois? Vários cenários são possíveis, um menos profundo seria o de quedas até 1.750 ou 1.650, o que já ocasionaria uma boa retração do nível máximo atingido de 2.080 - 15% a 20%. Mas pode não parar por aí.

Não vou entrar em muitas conjecturas nesse momento, pois nem o rompimento do primeiro nível aconteceu, e poderá acontecer como das outras vezes, onde ao chegar nesse ponto extremo, reverte e começa a subir. Mas quero chamar a atenção para o momento delicado em que a bolsa americana se encontra. Fiquem atentos.

O SP500 fechou a 1,884, com alta de 0,12%; o USDBRL a R$ 4,0619, com queda de 0,88%; o EURUSD a 1,1245, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.127, com queda de 0,35%.
Fique ligado!

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