Inflação: A Revanche

6 de novembro de 2015

Acertando a mão

Em dezembro de 2008 foi descoberto um esquema fraudulento nos USA que ficou conhecido como o caso Madoff, nome do proprietário desta empresa de investimentos. Esse é um caso clássico denominado de Ponzi, que envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos aos investidores, à custa de recursos que são investidos posteriormente, ao invés da receita gerada pelo negócio.

No post china-its-to-good-to-be-true, eu contei uma passagem de minha vida profissional que repito a seguir: ... Em 2.006, quando estava envolvido na administração de fundos, recebi a visita de um grande banco estrangeiro que puxou um folheto para mostrar a performance de um fundo administrado por Bernard Madoff (se não ouviu falar veja o link). Eu olhei o histórico de mais de 5 anos e nenhum mês negativo, incrível! Para complementar, rendia como um "reloginho", não tinha grandes ganhos mensais. Como sou do ramo fiquei perplexo e perguntei: 

- Como ele consegue isso?  
Ah, ele tem um sistema único de compra e venda de opções, que não corre risco e ganha sempre.
Não corre risco? Sistema único? Estas duas premissas não são verdadeiras, em seguida comentei:
- Não recomendo, pois não sei o que ele faz, mas algum dia isso não vai funcionar.
Conclusão: Foi o maior estouro de um fundo, ao redor de U$ 50 bilhões, que sumiram do dia para noite...

Na noite passada, nos deparamos em mais um caso de pacto, ou melhor, aconchavo. O Estadão publicou em manchete "Pacto com Cunha e Renan poupa Lula, seu filho e aliados de convocações em CPIs". Além da declaração do ex-Presidente dizendo que não tem medo de ser preso. Vocês estão surpresos que coisas deste tipo aconteçam? Eu não!

Mas o que mais chamou a atenção, foi o racional que o Presidente da Câmera, Eduardo Cunha, usará para se defender na comissão de ética instaurada ontem. O relator destacado para essa tarefa, é o deputado estreante, Fauto Pinato, que é alvo de processo no STF, onde é acusado de falso testemunho e denuncia caluniosa contra um suposto inimigo político de seu pai. Pelo menos ele tem experiência própria nesse assunto!

Segundo o referido jornal ..."o deputado afirma que amealhou a parte maior do seu patrimônio no mercado de capitais com "operações de inteligência", e que sempre teve "mão boa" para negociar ativos"...

Essas afirmações podem me levar a algumas conclusões, a mais purista é que nosso legislador é dotado de uma capacidade extraordinária de acertos, que deixariam o pessoal de Wall Street no bolso, usando a mesma linguagem coloquial. Nesse caso, uma pergunta que não quer calar, por que teria abandonado a carreira de Titã do mercado financeiro, para ser um político? Acho que parece mais um argumento semelhante ao de Madoff, ao explicar seus brilhantes resultados, esse último não perdia um só mês! Quanto às outras possibilidades, prefiro não abordar, fica a sua imaginação.

Em todo caso, seu advogado poderia consultar um especialista do mercado financeiro a fim de buscar termos melhores para a atividade de seu cliente. O que diria de ao invés de "operações de inteligência" - operações sofisticadas com o uso de derivativos e modelos quantitativos; e "mão boa" - elevado grau de acerto. "Mão boa" era um termo raramente usado no passado, coisa de "operadorrrr" - o excesso de erres, é porque a maioria ficava no Rio de Janeiro! Hahaha....

No post gestão-101, fiz uma proposta para vender euro: ...Mesmo não tendo confirmado completamente que o movimento de queda abaixo de 1,045 se iniciou, vou arriscar um trade. Quando existe um rompimento de uma reta de suporte, é provável que os preços tendam a retornar a este ponto e depois cair, o que se chama em análise técnica last kiss. É nessa hipótese que vou montar a estratégia de venda de euro: 50% a 1,1130, 50% a 1,1200 e stoploss a 1,1280.... E com o gráfico a seguir.
Acontece que o euro nem deu bola, está tão fraco que continuou o movimento de queda. Estamos à uma hora do anúncio dos dados de desemprego. Caso afete os mercados, farei um comentário ao final. Pode ser que nos reserve uma surpresa, mas mesmo assim, ficam cancelados os trades propostos acima.
O gráfico acima contempla períodos semanais fornecendo uma visão de mais médio prazo. Neste momento, duas situações poderão acontecer: ou uma continuação da queda (A) e neste caso o nível de 1,045 é crucial; ou uma recuperação (B) a níveis que não posso calcular ainda. O caso A é mais provável, mas não tenho nenhum trade a sugerir no momento.

Os dados de emprego foram para ninguém botar defeito, com a criação de 271.000 novas vagas, taxa de desemprego em 5%, e os rendimentos dos salários com alta de 2,5% a.a., fizeram com que o dólar tivesse uma forte alta sobre o euro, e os juros de 10 anos subissem. Um fator interessante são de quais setores vieram estes ganhos.
  • Education and Health: +57K
  • Professional Services: +54K
  • Retail Trade: +44K
  • Leisure and Hospitality: +41K
  • Temp Help: +25K
  • And Manufacturing workers: +0
Mais e mais, a economia americana tende para os serviços em detrimento da indústria. Veja o gráfico a seguir a comparação entre o crescimento dos empregos na indústria e as de garçom.
Mas nem tudo foi maravilhoso, ao se verificar com mais detalhes os números. Mas isso é assunto para próxima segunda-feira.

O SP500 fechou a 2.099, sem variação; o USDBRL a R$ 3,7698, com baixa de 0,26%; o EURUSD a 1,0739, com queda de 1,31%; e o ouro a US$ 1.087, com queda de 1,47%.
Fique ligado!

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