Inflação: A Revanche

26 de novembro de 2015

Memorias de infância

Com o passar da idade, memórias da infância e da adolescência são lembradas com maior frequência. Esse é um processo natural de envelhecimento, assim dizem os médicos. Posso dizer, por experiência própria, que isso acontece e é uma sensação mista, pois naturalmente essas lembranças nos remetem aos bons momentos. É interessante também, que mesmo em situações não tão boas assim, o que se lembra, são os flashes positivos. Agora, a memória recente fica mais fluída.

Imagino como a Presidente Dilma acorda todos os dias, será que ela lê os jornais? Existem relatos dizendo que pessoas que possuem poder preferem alienar-se dessas informações, a fim de evitar influencias, ou será uma defesa? Se ela não se enquadrar neste modo, deve estar muito nervosa.

Esse pensamento me fez lembrar de uma passagem da minha vida profissional, quando fui contratado pelo Deutsche Bank para reformular a área de administração de fundos. Fiquei alguns meses imaginando muitas mudanças. Para vocês entenderem meu problema, tinha uma equipe muito boa de gestores, porém carecia de uma estrutura de distribuição dos fundos.

Eu, juntamente com o Presidente do banco, contratamos uma empresa de consultoria para fazer um estudo de viabilidade do negócio. Como é de praxe, antes da implementação do projeto, essa empresa entrega o que se denomina  tizer, que nada mais é que, um resumo dos principais pontos e o custo de seus serviços. É esperado que eles sempre achem uma boa solução, é claro!

Ao refletir sobre esse trabalho, que já contém alguns grandes números, cheguei a conclusão que esse ramo de negócio era ruim para o Deutsche. Talvez por não ser um executivo "padrão", que está mais interessado em manter meu cargo, levei minha conclusão: "Missão Impossível, melhor vender a área"! O Presidente ficou chocado, como assim? Eu usei um argumento cabal: Como nós poderíamos competir com os grandes bancos, construindo uma estrutura para unicamente distribuir fundos, quando 85% das receitas de uma agência desse bancos eram da concessão de crédito? Além do mais, as taxas cobradas nos fundos vinham caindo consistentemente.

Entre esse momento e a venda, se passaram três longos anos, e durante este período, em vários momentos, espasmos de motivação aconteciam. Porém mensalmente, a ter acesso aos resultados, a realidade de pequenos lucros e prejuízos se sucedendo, era frustrante.

Imagino que é dessa forma que a Presidente irá completar seu mandato, sensações de pequenas melhoras que serão confrontadas com a dura realidade de comandar um país sem poder. Como ela é alguns anos mais velha do que eu, deve estar lembrando de seu tempo de estudante, quando tornou-se membro da famosa VAR-Palmares, organização que defendia a luta armada contra o regime militar.

Sinto informar que isso são só lembranças Presidente, a realidade é que o país está parado e somente com uma mudança radical poder-se-ia ter alguma esperança. Tenho a impressão que como eu, ela já chegou à conclusão que é melhor "vender" essa área!

Um relatório citando o Super Mario chamou minha atenção, dizia que ele deveria ganhar o prêmio de o "homem econômico do ano", se é que poderia haver tal denominação. O seu principal argumento é a comparação entre o que se temia há um ano, uma "Japanificação" da Europa, com os resultados que obteve. Vejamos alguns deles: Primeiro que o risco eminente de uma deflação não se materializou, como pode-se verificar nos gráficos abaixo.
Outro receio que tinha-se naquela data, era que uma queda da atividade econômica acarretaria num aprofundamento do nível de desemprego que beirava níveis perigosos. Porém não foi o que aconteceu. Países como a Espanha, mostram altas do PIB que são animadoras.
Mas o que este analista não comentou, é que hoje 1/3 dos países europeus tem taxas de juros nominais negativas, e a quase totalidade, se considerar a taxa de juros reais. O grande financiador dessa recuperação são os poupadores, que veem seus patrimônios serem corroídos pela perda de valor. E para finalizar, o FED deverá, no próximo mês, iniciar o processo de saída desse modelo, e muitas dúvidas ainda pairam no ar. Será que toda essa melhora da Europa não é fake?

No feriado de Thanksgiving o mercado americano está fechado, e quando isso acontece, nada acontece. Gostou do trocadilho! Hahaha... Mesmo assim, vou comentar sobre o ouro. No post Fed-we-have-problem, comentei que o ouro precisa romper o nível de US$ 1.080, para buscar o grande teste dos US$ 1.050: ...já enfatizei diversas vezes, se o ouro romper o nível de US$ 1.050, terei que refazer meu cenário, onde esperava uma alta em breve... Numa visão de mais curto prazo, o ouro está "tentando" romper, já algumas vezes, o nível de US$ 1.080...
Como pode-se notar, durante o mês de novembro o ouro está buscando romper o nível de US$ 1.080, mas não conseguiu de um forma definitiva. Anotei no gráfico uma situação semelhante, que ocorreu durante o mês de julho. Naquela data, depois de "cansar" os vendidos, o metal ensaiou uma recuperação mais consistente, subindo US$ 200, mas devolveu toda essa alta em alguns dias.

Tecnicamente, quando um mercado tenta romper um nível e não consegue, é provável uma reação em sentido contrário, quando isso acontece por duas vezes, chama mais a atenção ainda. Parece que o mercado está esperando o movimento do FED em dezembro. Não podemos descartar a famosa frase: sobe no boato e caí no fato. Mas por enquanto é tudo wishfull thinking. Nada a fazer neste mercado.

O USDBRL fechou a R$ 3,7419, sem variação; o EURUSD a 1,0608, com baixa de 0,19%; e o ouro a US$ 1.071, sem variação.
Fique ligado!

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