Inflação: A Revanche

13 de novembro de 2015

Todos os dias são sexta-feira 13!

Matematicamente existem duas sextas-feiras 13 por ano. Deste modo, devo ter comentado no mínimo oito vezes esse dia. Vocês sabem que eu procuro ser pragmático, faz parte do meu “negócio”. Não deveria me influenciar por esse tipo de data, mas não conheço até hoje nenhum trader que não tenha algum tipo de superstição.

Já que o assunto é superstição, assim como eu adoro o número nove, odeio seis. Surpreso? Sou capaz de apostar que você tem alguma também.

Acredito não ser necessário explicar o porque do dia 13 numa sexta-feira, mas para quem quiser pode pesquisar no link Sexta-Feira_13.

Hoje pela manhã, ao ler as notícias, concluiu que estamos vivendo aqui no Brasil, sextas-feiras 13 todos os dias. Faço um desafio, procurem algo de bom acontecendo!

Fui indagado por um leitor sobre o post que publiquei ontem: ...Não posso deixar de associar o contraste entre o seu post e a declaração do ex-presidente Clinton. É que essa diferença tem caracterizado os "achismos" das rodas de amigos atualmente. Há os que como você escreve se deprimem com a fotografia, e há os que creditam ao filme seu otimismo, como Clinton (até Krugman não está mais tão otimista conosco...).
Em que cenário este filme otimista poderá prevalecer sobre a foto pessimista?”...

Acho que a sua colocação é pertinente, razão pela qual resolvi incluir no post de hoje, afinal, como podemos descartar a opinião de um estadista como Bill Clinton? Vários pontos citados são importantes, e é verdade que a crise política tem efeitos benéficos, no longo prazo.

Mas será que sua visão não é generalista de mais? Ou está se baseando no que foi conquistado no passado? Minha resposta é sim para ambos. Analisando os rankings publicados em diversas áreas, e que de tempos em tempos eu público, não me lembro nenhum em que o Brasil avançou, ao contrário, nos negócios, índice de corrupção, qualidade escolar, tiveram quedas expressivas.

No campo econômico as melhoras que citou foram conseguidas por conta de uma bolha que aconteceu nos preços das commodities. O nosso governo, ao invés de ter aproveitado para fazer investimentos, “distribuiu” ao povo. Como a bolha foi temporária vem se esvaziando (veja a seguir). Agora não tem mais caixa e a realidade bate na porta com muito mais força. 

Como já citei algumas vezes, daqui a trinta anos, alguém irá publicar uma biografia do ex-Presidente Lula, mostrando o mal que causou a nosso país, e que embora seja uma pessoa carismática, está longe de ser um estadista. Acredito que você não discorda de mim neste ponto.

Quanto ao Professor Krugman discordo da forma como ele sugere seja resolvido a letargia que a economia americana se encontra. Não sei se você sabe, porém ele é um crítico feroz do FED, pois acha que eles estão errando muito. Errando não porque injetaram liquidez no sistema bancário, mas porque injetaram muito pouco!

Mas eu posso estar errado, e até gostaria muito que estivesse, afinal todos nos queremos que o Brasil seja um país do presente para nossos filhos. Mas infelizmente, acredito que seja pura torcida. Por outro lado, nada é definitivo, e se houver mudanças estruturais. poderemos ser um país realmente do futuro!

Como este assunto é de suma importância, a cada vez que tiver uma informação comparativa entre Brasil e outros países, vou compartilhar com os leitores. Para começar, vejam os dados a seguir da idade média de aposentadoria. 
As commodities continuam ladeira abaixo. Ontem, várias delas, depois de um período de estabilidade, voltaram a cair rompendo alguns pontos de mínimas. Vejam a seguir algumas delas:
Caso uma nova rodada de baixa esteja se inciando, tecnicamente pode se esperar mais 30% de queda aproximadamente, o que não seria nada, nada, bom para nós.

Hoje foi publicado o índice de inflação dos produtores PPI, - equivalente ao índice por atacado. E mesmo não levando ainda em consideração as quedas das commodities mais recentes, o resultado foi o pior dos últimos 5 anos - em bases anuais (1,60%). Será que a inflação está tendendo para normalidade como espera o FED, ou ainda poderá cair mais? 


No post look-well, alertei para alguns pontos importantes para quem está otimista com a bolsa americana: ...Tecnicamente, precisa esperar o rompimento de 2.135 - Pivô. Não deverá ser fácil, é uma região que encontrou resistência forte, como aconteceu durante esse ano. Mas se romper, e não for "falso", vamos às compras. Enquanto isso, o que anotei em roxo pode ser uma possibilidade, a do índice estar completando uma maldita onda B... Gráfico a seguir.
Neste últimos dias, como já existe praticamente unanimidade que os juros subirão em dezembro próximo, os investidores de bolsa ficaram mais receosos.
Do mesmo jeito que eu alertei que o Pivô seria difícil para romper, não significa que este  recuo dos últimos dias indica uma mudança de rumo. Assim, espero dois cenários: Para quem aposta na alta (1) recomendo uma compra entre 2.020 - 1.990, com stop a 1.960; e para quem aposta na baixa (2), uma venda nesse níveis atuais de 2.045, com stop a 2.120.

- E você David, no que aposta?
Por enquanto em nenhum dos dois, como você pode perceber pelos stops, ambos são trades de curto prazo. Mas não vejo problema caso você queria fazer uma "apostinha", vou acompanhar atualizando os níveis de stop.

O SP500 fechou a 2.023, com baixa de 1,12%; o USDBRL a R$ 3,8441, com alta de 1,95%; o EURUSD a 1.0749, com queda de 0,63%; e o ouro a US$ 1.082, com queda de 0,15%.
Fique ligado!

2 comentários:

  1. E que sexta-feira feira 13 !!!
    Sim David, concordo com vários pontos que você anotou. Sem dúvida estatísticas comparativas vão nos ajudar a decifrar melhor esta dúvida. Aguardo seus posts futuros!
    De certa forma o enigma, nada novo por sinal, é o de como pessoas inteligentes, com aproximadamente a mesma base de informação chegam a conclusões opostas. Estamos assumindo que pessimistas e otimistas estão bebendo da mesma fonte - afinal há fartura e ampla disseminação de dados. Apenas concluem diferentemente.
    É aí que tenho percebido sintomas de viés.
    Relendo entrevistas do Paul Krugman (para todos os efeitos aqui considerado um otimista com o nosso país) de 2014 onde ele conclui que "o país vai bem" e que "há confiança que a política fiscal será mais responsável" conclui-se que ele, como muitos de nós, acreditaram nos dados que o governo divulgava.
    O viés, no caso dele e de outros com a mesma crença, pode estar aí. O cara vem com a vivência de país desenvolvido e nos "lê" como se aqui valessem as mesmas premissas.
    Será que um professor com o histórico dele (ou um ex-presidente norte-americano como o Clinton) podia supor que a narrativa do governo Dilma estava tão enviesada? Que o superavit proposto em 2014 para 2015 escondia na prática um deficit de R$100 bi plus...?
    Os pessimistas, claro, também devem ter algum viés, talvez desconsiderar os efeitos cíclicos, etc...

    "O Brasil vai bem"
    http://www.cartacapital.com.br/dialogos-capitais/paul-krugman-1851.html

    "Há maior confiança que a política fiscal (no Brasil) será mais responsável " :http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-deixou-de-ser-vulneravel-ha-muito-tempo-diz-paul-krugman,179851e

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  2. Jael
    É difícil imaginar qual é o nível de informação que o Krugman e Clinton tem sobre nossas contas públicas. Tentar inferir, é um trabalho de futurologia.
    O que posso dizer é sobre a análise que faço sobre elas e qual a minha avaliação. É provável que a política fiscal seja mais responsável daqui em diante, isso se permanecer na equipe econômica Levy, ou se for substituído por alguém que pensa do mesmo modo. Mas algumas ameaças surgem, quando se diz que Lula já estaria comandado as ações. Aí o perigo se eleva, e muito. Seus objetivos são claros, que ser eleito em 2018, a qualquer custo.
    O grande problema das contas públicas, qualquer que seja o governo, é que mais de 2/3 delas são indexadas e não permitem qualquer manobra, sem que haja mudança na Constituição. E para que haja mudança aí, este governo não tem a menor credibilidade.
    Enquanto não ver essas mudanças, não dá para ficar otimista, seria ingenuidade.

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