Inflação: A Revanche

9 de novembro de 2015

Emprego ou "bico"?

Depois dos excelentes resultados apontados no relatório de empregos, publicado na última sexta-feira, os mercados já contam como certo uma elevação dos juros agora em dezembro. Como havia comentado no post acertando-a-mão, a criação de 270.000 novas vagas e a elevação dos salários, foram bem acima do que era esperado pelo mercado.

Como diz o famoso ditado "o diabo mora nos detalhes", parece ser esse o caso quando a abertura dos dados é feita considerando as faixas etárias. Essa informação é obtida em outro relatório, através de uma pesquisa feita com uma amostra da população. Sob essa métrica foram criados 378.000 vagas na faixa de idade acima de 55 anos, enquanto que, uma queda de 35.000 na faixa entre 25 - 54 anos.

Talvez essa seja uma boa razão porque os salários não vem subindo, uma vez que, os empregados nessa faixa etária não demandam grandes salários nem agora nem no futuro.

O próximo gráfico mostra a quebra no crescimento de postos de trabalho desde dezembro de 2007. Enquanto foram criados 7,5 milhões de empregos para os trabalhadores com idades acima de 55 anos, para os com idade abaixo de 55 anos houve uma perda de 4,6 milhões.

Entretanto, o dado mais frustrante deste relatório é o participation rate da faixa etária entre 25 - 54 anos, que continua declinando continuamente, desde o pico atingindo no ano 2000 - 85%. Situa-se agora, em 80,7%, próximo das mínimas.
Emprego é emprego, e quem define qual o perfil que deseja contratar é o empregador. O argumento de que é mais "barato" contratar funcionários com mais idade, não parece ser a principal razão, uma vez que, se nesta faixa etária existe esta vantagem, muitas outras desvantagens vêm junto. O que dizer do espírito inovador de um jovem que contamina o ambiente, enquanto os "vovôs" vem cheio de vícios? 

Outra suposição que pode-se fazer é que, estes empregos não são qualificados, pois se esse fosse o caso, seria fundamental que o funcionário estivesse tecnicamente atualizado.

Assim, os empregos criados com o perfil descrito acima, seria melhor descrito como "bico". Se for o John ou a Mary, tanto faz!

Neste final de semana foram publicados os dados da balança comercial chinesa, e como vêm acontecendo nos últimos meses, um novo recorde foi obtido no superavit comercial, com um saldo mensal de US$ 61,6 bilhões. Como no caso brasileiro, esse recorde foi obtido mais pela queda das importações que aumento das de exportações.
Mesmo com os trilhões injetados pelos países desenvolvidos, não se conseguiu reanimar a demanda agregada. Na verdade, um comércio global anêmico parecer ser a nova realidade. Essa fraqueza parece ser estrutural e endêmica, e não conjuntural e transitória.

No post kiss-preço, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Você tem duas estratégias neste momento: primeiro vender dólar no rompimento do R$ 3,72; ou se tivermos sorte, e o real seguir até o nível de R$ 3,95, e vendemos dólar. É natural, que os riscos de perda sejam distintos, e isso deve ser levado em consideração... E o gráfico publicado.
O "dólar-dólar' está numa posição crucial, muito próximo de romper para cima, vislumbrando novas altas, veja meus comentários no post a-loira-que-esta-chacoalhando-o-fed. Na verdade vários outros mercados encontram-se próximos de níveis de ruptura, onde poderia citar: SP500; Juros de 10 anos; ouro; franco suíço, e etc... 

Caso essas rupturas aconteçam, seria muito difícil não vislumbrar novas altas para o dólar contra o real. Assim, estou tratando esse eventual trade de venda como oportunístico, meu viés ainda continua de alta do dólar.
O target para essa mini-queda seria algo em torno de R$ 3,60 - 3,50. Sendo assim, a sugestão de venda citada acima, caso o dólar caia direto, fica cancelada. Sobra somente uma venda especulativa a R$ 3,90 - 3,95, com stop a R$ 4,15. 

Se tudo acontecer como o planejado, depois da atingir o intervalo citado acima (R$ 3,60 - 3,50), vou buscar pontos de compra do dólar, que sempre tem a enorme desvantagem dos juros elevados do real.

O SP500 fechou a 2.078, com queda de 0,98%; o USDBRL a R$ 3,8001, com alta de 0,80%; o EURUSD a 1,0755, com alta de 0,15%; e o ouro a US$ 1.091, com alta de 0,28%.
Fique ligado!

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