Inflação: A Revanche

11 de novembro de 2015

Resultado dos helicópteros

Já faz um bom tempo que os helicópteros saíram de foco. Com exceção do BCE que aumentou seu tom sobre uma possível intervenção com novas medidas, o BOJ e o FED, principalmente, estão com outras intenções. O Banco Central japonês titubeia de um lado para outro, mas nada fez ultimamente, enquanto o Banco Central americano já está em outra, praticamente pronto para elevar os juros.

O grande experimento macro econômico deste século, foi a utilização do modelo Keynesiano para estimular a demanda agregada. O cartel dos BC's, através de seus acionistas majoritários, Kuroda, Yellen e Draghi, usaram expedientes monetários desesperados, que teriam sido considerados suicidas á 15 anos atrás. A ideia de ZIRP - "Zero interest rate policy",  por 82 meses seria considerada loucura limítrofe. A noção que os balanços dos BC's poderiam se multiplicar por 10 vezes em duas décadas, seria vista como incendiária.
Quando os BC's criaram US$ 19 trilhões de novos ativos, sem nenhuma contra partida de recursos, alimentaram uma bolha de crédito a nível mundial de proporções épicas. Após duas décadas de impressão desenfreada de dinheiro pelos BC's, o crédito do mundo cresceu de US$ 40 trilhões para US$ 225 trilhões, ou quase 4 vezes mais que o crescimento do PIB global.
Esta expansão maciça da dívida barata, alimentou um boom de maus investimentos motivado por recursos baratos.

Primeiro, o excesso no mundo desenvolvido alimentou um boom de investimentos na China e os países emergentes produtores de matérias primas, anteriormente a crise de 2008 e , em seguida os investimentos em infraestrutura e assemelhados, alimentou uma segunda onda de gastos de capital para energia, metais, fábricas de processamento, transporte, armazenagem, etc...

Como é mostrado no gráfico a seguir, as empresas de capital aberto do mundo, multiplicaram seus investimentos em CapEx em 5 vezes, ou acima de US$ 2 trilhões anuais.
Os índices oficiais de inflação estão beirando a zero, porque os preços de commodities estão sendo massacrados pelo excesso de oferta. Mas este excesso não se limita ao setor de mineração e petróleo, empresas como a Alcoa que já anunciou sua intenção de fechar a maior parte de sua capacidade de fundição de alumínio dos USA. É provável que em alguns anos todas as indústrias americanas irão desaparecer.

O efeito colateral será um colapso nos lucros, baixas de ativos e um longo período de gastos em capital. Na verdade, a depressão em commodities e os gastos de capital em desenvolvimento, é o que está impulsionando o ciclo deflacionário global.

Assim, o mundo não está sofrendo de uma falta de "demanda agregada". A demanda para ser sustentável, em todos os lugares e sempre, é advinda da produção e renda, e este último está em queda devido ao desperdício do excesso de capacidade que pesam sobre a economia global.

E não existe nenhum atalho possível baseado em mais crédito. Isso porque o mundo está agora saturado de dívidas, nos indivíduos e empresas, bem como as instituições oficiais de Estado. O que os BC's propiciaram foi que o crédito inflasse a especulação de ativos.

Em contra partida, a inflação de serviços continua a subir com uma taxa de 2,4% a.a, desde que as commodities e bens tiveram seu pico em 2011. No gráfico a seguir, a linha verde indica a evolução dos preços das commodities e a vermelha dos produtos acabados. Ambos, são as causadoras da baixa inflação.
Eu acredito que os BC's não irão alterar sua política monetária, e caso a inflação permaneça baixa e a economia sem ímpeto, deverão intensificar suas ações na esperança que, em algum momento, haja essa reversão. O grande perigo que se pode estar incorrendo, é uma desconfiança das moedas por parte dos investidores, o que geraria um ambiente diametralmente oposto ao atual. Sugiro que se tenha uma visão aberta para todos os possíveis cenários.

Antes de entrar na análise de mercado, espero que depois de quase 5 anos de Mosca vocês não acreditaram que a possibilidade de troca do Ministro Levy por Henrique Meireles, foi o que causou a queda do dólar ontem a tarde. Se mesmo assim ficou na dúvida, pense no seguinte: primeiro não é fácil tirar um Ministro como o Levy neste momento; segundo que, a Presidenta precisa estar de acordo; e terceiro e mais importante, o que essa troca mudará a economia brasileira, os empresários irão correndo investir com esse governo? Na verdade o motivo real da queda, como sempre, é o preço!

No post um-dos-gêmeos-passa-bem, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...Para cima o rompimento de 2,20% pode fazer com que o mercado teste os 2,4% , ou abaixo de 1,90%, eles tentariam os 1,63%. Mas parece que em algum momento, não muito distante, deve-se ter uma direção mais clara...
Neste momento, o mercado está tentando penetrar na área que denominei de "Key", caso tenha sucesso os juros deveriam caminhar para o primeiro nível de 2,80% , e caso ultrapasse 3,30%, ambos seriam considerados uma alta expressiva. O movimento após a publicação dos dados de emprego na sexta-feira, tem características impulsivas. Acredito que vale uma aposta na alta dos juros, ao nível de 2,25% a.a. com um stop a 2,13% a.a. Isso, no contrato futuro, corresponde a uma perda de 1%, com a possibilidade de ganho de 4% no primeiro intervalo, e 7% no segundo. Vamos lá Yellen! Hahaha...

O SP500 fechou a 2.074, com queda de 0,33%; o USDBRL a R$ 3,7600, com alta de 0,24%; o euro a 1,0741, com alta de 0,17%; e o ouro a US$ 1.084, com queda de 0,43%.
Fique ligado!

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