Inflação: A Revanche

3 de novembro de 2015

Só pensa naquilo

Assim como tem um grupo no FED que não quer mexer nos juros, existe outro que não vê a hora de subir. Como o quadro de Chico Anísio nos anos 80, Dona Bela, representada por Zezé Macedo, uma aluna que acreditava ser pornografia tudo que o professor falava ..."Só pensa... naquilo"...

Está começando a ficar incrivelmente claro que, dados decepcionantes, falta de inflação, ou o diabo, fará o FED subir os juros, o mercado gostando ou não. Vejamos as declarações dos membros que estão com esse viés.

Em outubro, Stanley Fisher, declarou que o FED deve ignorar o objetivo de inflação por causa de fatores transitórios, " existem boas razões para acreditar que a inflação se moverá para cima quando as forças, que estão agindo em sentido inverso, se dissiparem". Ele quis se referir que, os efeitos de um dólar mais forte e a queda nos preços do petróleo, já começaram a diminuir.

Depois foi a vez de Yellen, que na última reunião do FOMC, desconsiderou qualquer preocupação com a incerteza global, enfatizado anteriormente em agosto. Assim, independente o que aconteça no exterior, está tudo claro para elevação de juros.

E agora, o FED de São Francisco acaba de descartar o aumento dos salários como item importante na elevação futura da inflação. "Pesquisadores estudaram exaustivamente como as informações dos salários pode ajudar a prever a inflação futura. A conclusão da literatura é que, os salários geralmente fornecem pouca visão sobre os preços futuros e alguns outros indicadores. Na verdade os modelos que não incorporam os salários resultam em projeções superiores".

Embora eu não seja um especialista em economia, todos esses anos de acompanhamento e leitura sobre o assunto, me permitem um julgamento. Em nenhuma ocasião até hoje, tive acesso a algum estudo que comprovasse as afirmação acima.

Entretanto, essas visões permitem que o FED justifique uma alta dos juros já em dezembro, não importando quanto ruim estejam os dados, conforme gráfico a seguir.
A linha verde refere-se a evolução do SP500 nos últimos dois meses, a marrom, projeção dos lucros futuros das empresas, e em vermelho um índice que engloba os dados macro econômicos publicados. Ontem foi publicado o PMI da indústria que agora está beirando a retração, que acontece quando, o valor fica abaixo de 50.

Os analistas podem atualmente dar menor importância a esse número, justificando sua pequena participação no PIB - 12%. Parece que, como a Dona Bela, o FED só pensa naquilo,,, aumentar os juros, é claro! Hahaha...

Os gurus de Wall Street não estão em boa fase, alguns deles preconizaram uma queda das bolsas em outubro, que acabaram não se concretizando. A figura abaixo é sugestiva. O Mosca, ao invés de dar "palpites" prefere as dicas dos gráficos.

No post não-é-igual-do-seu-tempo, o ouro deu naquele dia um salto, que foi revertido integralmente no final: ...O ouro hoje pela manhã estava se comportando diferente dos últimos dias, subindo US$ 13... ...O FED anunciou que não vai alterar os juros... ... alguns ativos reagiram imediatamente, especialmente o euro e o ouro, que acabou devolvendo a alta da manhã e mais um pouco. Mantenha o mesmo stoploss de US$ 1.130... 
Fomos stopados durante o dia. Embora somente abaixo de US$ 1.085 poder-se-ia afirmar que o movimento de baixa ganha força, a configuração que se esperaria para uma alta mais duradoura, não se configurou. O ouro continua ainda num movimento de correção, no curto prazo.

Esta posição foi executada a dois meses quando-o-empate-é-uma-derrota com o preço de US$ 1.110. Neste período, houve idas e vindas, sem uma direção clara. O resultado serão meros 1,80%, que em todo caso, é melhor que um prejuízo, mas que não é o esperado com este tipo de ativo, mas foi isso que conseguimos extrair desta vez.

O SP500 fechou a 2.109, com alta de 0,27%; o USDBRL a R$ 3,7697, com queda de 2,25%; o EURUSD a 1,0966, com queda de 0,26%; e o ouro a US$ 1.117, com queda de 2,10%.
Fique ligado!

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