Inflação: A Revanche

12 de novembro de 2015

Recordações amargas

Tenho que confessar que há algum tempo saio deprimido das reuniões da Rosenberg, e ontem não foi diferente. A análise da situação econômica em que o Brasil se encontra é péssima, e politicamente horrorosa. Sei também, se algo é ruim para todos acaba não acontecendo, afinal as coisas sempre podem mudar de uma forma que não se imaginou.

Outro fator que complicou o cenário, foi o fato de a  Presidente Dilma ter pedido socorro ao Lula. Ao fazer isso, se colocou na pior situação para um gestor, têm a responsabilidade sem a autoridade. Os objetivos do ex-Presidente, em minha leitura, são claros, levar o país a uma melhora na margem, para que possa se candidatar em 2018. E se conseguir essa mudança, passa a ser uma possibilidade que não se deve, de maneira nenhuma, descartar.

Pelo que se noticia na imprensa, já estaria montando uma nova equipe econômica para substituir a atual e pretende fazer tudo para reverter a espiral descendente que vivemos. E aqui entendam tudo mesmo, aumentar os gastos, intensificar o crédito pelos bancos estatais, e etc.. A la moda antiga - "deixa cumigo". Só esqueceram de avisá-lo que, o mundo mudou, e a abundância de recursos que existia antes, não existe mais.

Mas nada que está ruim, não pode ficar pior. Se o governo entrar por este caminho, a situação externa tende a piorar significativamente, e já antevejo, um posicionamento seu a la bolivariano, culpando os USA, especuladores e etc...

Para aqueles que acham que ele está acabado, não teria tanta convicção, afinal sua imagem perante a maioria da população brasileira é de Midas, e não importa o que o mercado financeiro ache, ele ainda tem o aval do povo. Tomara que não aconteça!

Vamos aos dados apresentados na reunião. Inicialmente o déficit público, que já mostra algum resultado das medidas implementadas pelo governo, o que pode ser visto no gráfico abaixo.
Mas as projeções para o futuro não deixam muitas esperanças de gerar um superávit. Para este ano é esperado um déficit de R$ 50 bilhões, e para o próximo ano, com premissas até menos pessimistas, repetiria-se o mesmo resultado, vislumbrando novos rebaixamentos.

Um fato importante que ocorreu na noite passada foi a aprovação da lei de repatriação de recursos de brasileiros no exterior, pela Câmera dos Deputados. Embora ainda seja prematuro, o governo espera gerar uma arrecadação de impostos extra de R$ 100 bilhões, o que alteraria de maneira significativa, o cenário de curto prazo.

Em relação ao crescimento do PIB, já era esperado que 2015 estivesse perdido, mas a projeção para 2016 não deixa muita esperança. Com todos os indicadores apontando para baixo, na atividade Industrial, emprego, concessão de crédito, a Rosenberg está trabalhando com uma queda de -2,3%!
No setor externo as coisas melhoraram, embora não da melhor forma. O Déficit em transações correntes esperados para este ano caminha para U$ 65 bilhões, e para 2016 uma nova queda para US$ 55 bilhões. Aqui o câmbio fez o seu trabalho ao diminuir um pouco as exportações em bases anuais, bastante influenciado pela queda dos preços das commodities, e muito as importações pela queda da atividade econômica.
Quando o assunto foi a inflação a discussão ficou mais intensa, a "jovem guarda" projeta uma inflação na casa dos 8% a.a para 2016, enquanto a "velha guarda", baseando-se nos conceitos acadêmicos que, com essa recessão os preços tenderão a cair, prevê um patamar inferior a 7%. Acabou prevalecendo 7%.
Num determinado momento, me veio a memória o jogo entre Brasil X Alemanha. Se vocês lembrarem-se de como o jogo decorreu, nos primeiros 20 minutos, o placar já estava 3 x 0 para a Alemanha, naquele momento, eu queria que o jogo terminasse logo, mais ainda faltava metade do primeiro tempo e todo o segundo. E foi isso que eu associe a situação que vivemos, pois ainda faltam mais de 3 anos para o término deste governo.

Quando publiquei o post Dilma-melhor-opção-para-o-momento, imaginei o cenário que estamos vivendo, e não está sendo muito diferente. Agora me arrependo de não ter seguido minha própria sugestão!: ...teremos que aguentar mais quatro anos. Para quem quiser chutar o "pau da barraca", recomendo que vá estudar no exterior, tire um ano sabático, ou etc ... No curto prazo espere muita volatilidade por aqui... Será que ainda está em tempo! Hahaha...

No post acertando-mão, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...O gráfico acima contempla períodos semanais fornecendo uma visão de mais médio prazo. Neste momento, duas situações poderão acontecer: ou uma continuação da queda (A) e neste caso o nível de 1,045 é crucial; ou uma recuperação (B) a níveis que não posso calcular ainda. O caso A é mais provável, mas não tenho nenhum trade a sugerir no momento...
Nada aconteceu, os níveis ainda são muito parecidos aos daquela data. Resolvi postar hoje, um gráfico de mais longo prazo, com dados mensais.
Como vocês podem notar, eu acredito que o euro ainda vai cair abaixo dos níveis atuais, a dúvida se será mais devagar ou mais rápido. Deste ponto de vista, comprar só muito especulativamente, vender é mais tranquilo. Acontece que se vocês notarem bem, se a opção for a  trajetória traçada em verde, um ajusta atual dos 1,075 para algo em torno de 1,12 - 1,13, não será nada prazeroso, e é bem provável que seremos stopados. 

É por essa razão, que estou aguardando sinais observando prazos mais curtos, e estabelecendo os limites acima. Somente no rompimento de 1,045, poderia afirmar que o movimento de queda esperado - vermelho, estaria se iniciando, até lá, pode ser o estabelecido pela linha verde. Tenham paciência, prefiro propor um trade com mais evidências.

O SP500 fechou a 2.045, com queda de 1,40%; o USDBRL a R$ 3,7707, com alta de 0,28%; o EURUSD a 1,0817, com alta de 0,70%; o ouro a US$ 1.083, com baixa de 0,10%.
Fique ligado!

2 comentários:

  1. David,
    Nao pude deixar de asociar o contraste entre seu post e a declaração do ex-presidente Clinton. É que essa diferença tem caracterizado os "achismos" das rodas de amigos atualmente. Há os que como você escreve se deprimem com a fotografia, e há os que creditam ao filme seu otimismo, como Clinton (até Krugman não está mais tão otimista conosco...).
    Em que cenário este filme otimista poderá prevalecer sobre a foto pessimista?
    (Clinton: "Há poucos lugares para ser tão otimista como no Brasil" :
    http://mobile.valor.com.br/brasil/4313196/clinton-ha-poucos-lugares-para-ser-tao-otimista-como-no-brasil)
    (http://m.infomoney.com.br/mercados/noticia/4397021/problema-brasil-que-historia-nao-esta-lado-voces-diz-nobel)

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  2. Jael, achei muito boa sua colocação, e por conta disso, resolvi responder a todos os leitores incluindo-o no post a ser publicado hoje.
    Peço que leia, e caso queira replicar, publique um comentário.
    O assunto merece discussão.
    Abçs

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