Inflação: A Revanche

1 de março de 2016

Juros 101


Quando iniciei o Mosca expus alguns assuntos teóricos para embasar o raciocínio em diversos assuntos. Esta fase está completa, acredito que os leitores já conhecem, os conceitos básicos de economia. É natural que esteja me referindo aos que não são especialistas no assunto.

Hoje vou estender alguns conceitos relativos ao mercado de juros.

Relembrando, a curva de juros é um conjunto de pontos no tempo, de títulos de mesma qualidade de crédito, com vencimentos distintos. A mais comum toma a forma do gráfico abaixo, onde num prazo maior, os juros são mais elevados.


Uma outra configuração possível acontece em momentos onde é esperado que a autoridade monetária suba os juros de maneira rápida. Esta curva é chamada de "Steep", e tem o formato abaixo, que é semelhante a anterior, porém os juros são mais elevados no curto prazo.




Quando o mercado espera que o BC baixe a taxa de juros, motiva os investidores a comprar títulos mais longos, aproveitando-se dos juros elevados. A curva neste caso é chamada de "Flat".



E por último "Inverted", onde os juros mais longos estão abaixo dos mais curtos. Esta estrutura é a mais rara e aparecem quando existe um prognóstico de recessão.




Como deveria ser a curva de juros nos USA atualmente? Considerando o que o FED deseja normalizar os juros num espaço de 2-3 anos, seria razoável assumir uma curva de juros normal, e se tivesse que acelerar as altas, "Steep".

Outra análise que é muito usada nos mercados internacionais, é através da diferença entre os juros dos títulos do governo de 10 anos, e o do juros de 2 anos. O racional é que, até 2 anos os juros são muito influenciados pela ação do BC, enquanto num prazo de 10 anos o mercado precifica a inflação em conjunto com os juros reais. Para melhor compreensão do texto, vou usar o simbolo 2/10, quando me referir a essa diferença.

O gráfico a seguir é uma construção de longo prazo sobre 2/10. Alguns pontos chamam a atenção. No lado superior observa-se que 2/10 tende a ser no máximo 2,5%. Isso ocorreu no início dos anos 90, 2000 e 2010.

O que estes momentos têm em comum? Depois de uma recessão, no período seguinte aconteceu a normalização da economia. Assim, o FED começou um ciclo de alta de juros. Assim 2/10 atinge o topo quando a virada da economia é eminente. Em seguida 2/10 tende a cair, quando efetivamente os juros de curto prazo sobem.



Quando 2/10 fica negativo, o mercado aponta uma recessão, e foi o que aconteceu em cada um dos casos em vermelho.

Notem que no final dos anos 80, a inflação atingiu níveis muito elevado. O FED usou uma política monetária austera. Nos outros casos, a recessão ocorreu por fatores econômicos clássicos.

Assim chegamos a situação atual. É natural que 2/10 caia quando da normalização dos juros pelo FED. Notem também que, a velocidade de queda 2/10 nos anos 90 e 2000 foi bem acentuada. Isso deve-se ao fato do FED ter subido os juros seguidamente. Acontece que atualmente, com míseros 0,25% de alta da última reunião, por que 2/10 já se encontra no meio do caminho?

Isso está deixando os analistas financeiros confusos. Se o FED fizer o que está programado, e em 2018 os juros estiverem a 3%, quanto estará os juros de 10 anos?

Em função desse quebra cabeças, e considerando o observado no 2/10, existem as seguintes possibilidades:

1) 2/10 reverte e volta a subir - dado o nível de taxas atuais, isso só seria possível se os juros de 10 suba substancialmente.
2) 2/10 mantém-se nos níveis atuais - O FED teria que interromper a alta de juros, pois a economia estaria debilitada.
3) 2/10 continua a cair - Isso só é possível, caso uma deflação esteja por perto.

Só para colocar um pouco mais de pimenta no assunto, uma empresa especializada em análise de juros, argumentou que o aumento de inflação recente nos USA, significa que o ciclo econômico já está mudando. Estes momentos no passado terminam com uma recessão.


Quem será pego de "calças curtas", o FED ou o mercado?

No post seduzido-pelos-números, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Notem que as cotações, ao se aproximar da linha azul, não caíram abaixo dela, isso se denomina suporte. Assim, poderia estar se formando uma figura já bem conhecida por vocês, o triângulo, que tende a romper na mesma direção do movimento anterior, que no caso é para cima... E ainda continua de forma lenta a "surfar" sobre essa linha.



Como pode se observar, já faz um ano que o dólar chega próxima da linha azul, mas não consegue romper. Parece que atualmente vem acontecendo o mesmo. O dólar de forma lenta, se aproxima da cotação máxima atingida em setembro à R$ 4,25.

Os dados de curto prazo de momentum aceitam qualquer cenário, ou uma alta ou uma baixa de curto prazo, está totalmente dividido.

- David, sai do muro, dê um palpite se vai subir ou cair! Mesmo que seja para o curto prazo.
Você definiu bem, palpite. Vou lembrar meu amigo um dos post mais lidos do Mosca, cujo título é: $ não-é-capim, leia de novo! Foi à quatro anos e já naquele momento havia essa cobrança. Vou ficar esperando mais definição, dinheiro continua não sendo capim!

O SP500 fechou a 1.978, com alta de 2,39%; o USDBRL a R$ 3,9260, com baixa de 2,22%; o EURUSD a 1,0864, com queda de 0,14%; e o ouro a US$ 1,231, com baixa de 0,57%.
Fique ligado!

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