Inflação: A Revanche

10 de março de 2016

Virada no 2º tempo


Quando criança era um torcedor fanático do Santos. Tinha bons motivos, pois as vitórias superavam muito as derrotas. Naquela época permitia-se fumar na concentração, os jogadores não eram atletas como agora, e para quem prezava sua condição física, levava vantagem em relação aos outros jogadores. Esse era o caso do Pelé que, além de jogar muito, era bem condicionado fisicamente.

Certa vez fui ao Pacaembu assistir um clássico São Paulo x Santos, e aconteceu uma situação imprevista, o placar virou o primeiro tempo em 3 x 0. Aí pensei, o que adiantava ficar no estádio sofrendo mais 45 minutos? Mesmo assim resolvi ficar, afinal com 13 anos não tinha nada melhor à fazer.

Logo no início do segundo tempo Pelé fez um gol desconcertante, e assim, acendeu uma pequena chama de esperança. Aos 25 minutos, prevalecia 3 x 1. Quase ao final do jogo, uma tabelinha Pelé - Coutinho, deixou a defesa são paulina tonta e saí o segundo gol. Será que haveria tempo? O São Paulo estava desnorteado, como poderia perder aquela partida? Não se passaram cinco minutos, e o Santos virou o jogo em 4 x 3.

Nesse dia aprendi uma grande lição, o jogo só termina quando o juiz apita o seu final!

Ontem comentei que, o "Médio Mário" poderia anunciar novos cortes de juros e aumento nos helicópteros, na reunião do ECB. Antes de comentar a decisão, enfatizo que Mario Draghi declarou recentemente, que faria o que fosse necessário para colocar a inflação em 2%. O mercado entendeu, com essa declaração, que os juros poderiam ficar ainda mais negativos.

E foi o que aconteceu ao término dessa reunião: cortou os juros de -0,30% para -0,40%, e expandiu a compra de títulos para 80 bilhões de euros a partir de abril.

Qualquer operador principiante ao receber essa informação, sabia que só tinha uma coisa a fazer, vender euros. E foi como o mercado reagiu inicialmente. Esse operador viu as cotações caírem mais de 1,5% do seu preço de venda, então resolveu nem esperar a secção de perguntas e respostas, que acontece 45 minutos depois do anúncio. Convidou um amigo para comemorar o trade num restaurante.

Ao retornar à mesa de operações, quase teve um ataque, o euro tinha subido como um foguete. Seu primeiro pensamento foi a de que teria entendido errado o comunicado, não era o caso. Em seguida pensou o que Mario Draghi poderia ter dito na conferência? Foi quando se inteirou da frase mortal: ..."novos cortes de juros podem não ser mais necessário"... Ou seja, esse foi o último, a não ser que aconteça uma desgraça.


Eu também estava longe das cotações pela manhã, e só soube da decisão do ECB. Ao chegar no escritório levei o mesmo susto que aquele operador, o que aconteceu? Ao ver a extensão do prejuízo que as mesas de operações dos bancos tiveram, concluí que só poderia ser por conta da elevada posição vendida em euros.

Mas quem não estava? Eu sei pelo menos um, o Mosca. Se vocês lembrarem, comentei no post mundo-frágil: ..."Estou aguardando melhores níveis para vender a moeda única"...

O que aconteceu na realidade, não justificaria uma oscilação tão expressiva do euro. Os juros não irão cair mais, porém já estão num nível ridículo de -0,40%. O euro merece subir tanto? Não! O motivo era que todo mundo estava na mesma ponta, e o anúncio pegou o mercado de surpresa, que forçou uma liquidação em cadeia.

Assim como na situação acima, os São Paulinos não deveriam cantar vitória antes do jogo terminar, o operador novato aprendeu que não pode cantar vitória antes de fechar as suas posições, por mais óbvio que o lucro pareça ser.

No post os-filhos-do-trabalho, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ..."Não dá para confiar nem num sentido, nem no outro. Antes de ultrapassar o nível de 2.000 para cima, ou 1.810 para baixo, é como andar num campo minado, você compra e de repente estoura uma bomba. Eu sei que vocês não gostam da indefinição, mas I´m sorry!"... Vejam o gráfico publicado naquela data.



Passados alguns dias, não tenho nenhuma sugestão a ser dada. Agora notem como o mercado foi testar o nível que apontei acima.



Para dizer que não tenho mais nada a comentar, marquei no gráfico níveis a acompanhar. Entre 1.890 e 2.010, é o que se denomina como terra de ninguém. Rompendo para baixo, o nível 1.890 e principalmente abaixo de 1.810, uma nova onda de quedas deverá acontecer. Na parte superior, acima de 2.010, o próximo ponto será 2.100, que caso seja ultrapassado, novas máximas estariam nas cartas.

Tenho uma pequena preferência pela alta, e se alguém quiser se aventurar, sugiro um stoploss "pão duro" a 1.940, ou mais correto 1.890. Mas eu não vou colocar dentro da minha lista de trades, por hoje já chega o susto do "Super Mário", que passou a ser odiado pelo mercado. Já aprontou duas e dificilmente terá a terceira. Sugiro trocar o seu apelido para "Mário pé trocado"! Hahaha...

O SP500 fechou a 1.989, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,6193, com queda de 1,74%; o EURUSD a 1,1180, com alta de 1,66%; e o ouro a US$ 1.270, com alta de 1,42%.
Fique ligado!

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