Inflação: A Revanche

16 de março de 2016

Você contrataria seu ex-chefe?


Agora que está definido que Lula é o Ministro da Casa Civil, fico pensando se ele realmente vai trabalhar sério. Por exemplo, vai se mudar para Brasília? Bem, isto é problema da sua chefe a Presidente Dilma. Uma vergonha inacreditável, nós brasileiros vamos passar por um constrangimento enorme, para dizer pouco. Mas agora não adianta chorar pelo leite derramado.

Eu nunca passei na minha vida profissional, uma situação onde eu contratei um ex-chefe, nem o contrário. Imagino que essas situações, quando acontecem, o elo fraco é de quem é contratado. Não faz nenhum sentido, você contratar alguém que irá te sobrepujar. Normalmente é um "quebra galho" para seu ex-chefe, voltar a trabalhar. Mas esse caso é inverso, o Lula pretende comandar pela beirada, ou seja, terá a autoridade sem a responsabilidade, a antítese de qualquer manual de gestão.

Agora só nos resta esperar para ver se este remendo desesperado, dará algum resultado ao governo.

Antes da reunião do FED, que comento a seguir, foi publicado o CPI - índice de inflação, que apontou para uma elevação de 2,3% a.a., a maior alta desde outubro 2008.



Os grandes vilões são os aluguéis que subiram 3,3% em 12 meses. Como pode-se verificar no gráfico abaixo. Agora está nos patamares anteriores a da crise de 2008.

Essas informações estão disponíveis aos membros do FED, antes do término. O resultado deixará o Comitê mais tranquilo quanto ao risco de uma deflação. Resta saber se eles estão confiantes que a economia está em franca recuperação, ou ainda existem riscos de, mais á frente, entrar em recessão. Analisando a previsão feita pelo Federal Reserve de Atlanta, em relação ao PIB deste trimestre, não me recordo tamanha convergência entre o mercado e esse indicador.


O FED usou a retórica que vem usando há muito tempo, irá subir os juros, mas isso depende dos dados. Vocês poderão verificar na tabela abaixo, que a previsão média dos juros, em 2016 e 2017, ficou menor que a da outra reunião.


A média dos juros para esse ano era de 1,4% na reunião de dezembro, e agora é de 0,9%. O argumento foi a incerteza global na política de juros. Traduzindo, com os juros negativos em vários países, por que deveriam ser mais pró-ativos? A reação dos mercados foi mista, enquanto a bolsa sobe moderadamente, o dólar e os juros caem. Na queda do dólar, inclui-se o real, e o "cumpanheiro" vai achar que foi por sua causa!

No post mundo-frágil, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ..."O gráfico acima é de médio prazo, e parece que está se configurando um triângulo que, neste  caso, tem mais chances de romper para baixo"... Naquele momento o BCE ainda não tinha se reunido. 

Na semana passada, depois desse evento, fiz os seguintes comentários: ..."O motivo era que todo mundo estava na mesma ponta, e o anúncio pegou o mercado de surpresa, que forçou uma liquidação em cadeia."...


Com o anúncio do FED o euro subiu 1% e, de reunião em reunião, já se encontra próximo de níveis importantes. A área em verde no gráfico acima, entre 1,14 e 1,17, deveria conter a moeda única, caso o triângulo rume para baixo. Quero lembrar os leitores, que a maior chance é de rompimento para baixo (2/3), mas existe também uma chance de 1/3 de romper para cima. Let´s the market speak!

Agorinha a tarde, um leitor inconformado me mandou uma mensagem: ..."se o dólar caiu hoje com a nomeação do Lula, não entendo mais nada"... Eu venho enfatizando que o dólar contra o real, depende da situação interna, mas também do 'dólar - dólar'. Essa é a razão pela qual o real hoje subiu 0,59%, enquanto o dólar australiano subiu 1,3%. Se não fosse pela nomeação do Lula, já estaria em R$3,40.

Mas para consolar esse leitor, enfatizo que não está sozinho nessa lamentação. Os investidores europeus que aplicam seus recursos à taxas de juros negativas, estão assistindo sua moeda, recentemente, subir ao invés de cair. Também devem dizer: ..." I can´t beleive this fucking euro going up"!... Hahaha...

O SP500 fechou a 2027, com alta de 0,56%; o USDBRL a R$ 3,7414, com queda de 0,62%; o EURUSD a 1,1222, com alta de 1,04%; e o ouro a US$ 1,262, com alta de 2,46%.
Fique ligado!

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