Inflação: A Revanche

21 de março de 2016

Bipolar



Com um fim de semana mais calmo que os anteriores, em consequência do desenrolar da operação lava-jato, retorno a assuntos mais voltados a economia. Isso não significa que haverá uma estabilização política, longe disso, apenas um refresco como se diz na gíria.

No post de sexta-feira frisei que comentaria hoje sobre as informações mais recentes da economia americana. Um relatório elaborado pelo banco Goldaman Sachs, enfatiza que os últimos movimentos da maioria dos BC's, parece uma tentativa coordenada para aliviar as condições financeiras, e ao mesmo tempo, evitar uma pressão maior na moeda americana, em especial ao yuan Chinês.



Mas a economia americana está numa posição cíclica mais forte que seus pares, fazendo com que, esse episódio tenha curta duração. Esse banco está mais confiante que, tantos os salários como a inflação começaram a subir. Acreditam que, ao final desse ano, um crescimento acima da trajetória, será menos desejado.

No gráfico a seguir, com sete medidas distintas para a o núcleo PCE, indicador usado pelo FED para medir a inflação, e o CPI - foram calculados extraindo os itens mais voláteis como alimentos e combustíveis, enquanto outros cálculos apresentados abaixo, usam ferramentas estatísticas para reduzir a volatilidade do índice. A conclusão que se pode tirar é que, essas sete medidas se aceleraram consistentemente nos últimos 6-9 meses. É importante ressaltar que, a inflação ainda está abaixo do objetivo do FED, porém sua diferença vem se reduzindo sensivelmente.

No próximo gráfico são apontadas cinco métricas distintas do custo de produção, através de diversas medidas. De novo, se observa uma aceleração gradual, de uma média de 2% a.a. em 2012, para algo em torno de 2 1/2% agora. Considerando outras variáveis como a produtividade que se mantém abaixo das expectativas, o banco conclui que os dados do mercado de trabalho são consistentes com uma folga limitada de oferta, mas não muito.


Recentemente, um argumento importante para uma política monetária cautelosa, em função de um crescimento baixo de 1% do PIB no 4º trimestre, desapontou a maioria dos economistas. Entretanto o gráfico a seguir, mostra que ultimamente as surpresas nos USA tornaram-se levemente positivas. Além do mais, os dados publicados mais recentemente, como o desemprego e vários outros, apontam para resultados ainda melhores.



Colocar novamente a economia dentro da trajetória desejada implicará um aumento significativo nas taxas de juros, acima do que os mercados vêm precificando. .

O banco admite que essas análises estatísticas podem acarretar um risco de minimizar o impacto da elevação de juros nos USA, nas condições financeiras globais e crescimento, no mundo atual. Em particular, suas análises sobre a contaminação da China sobre o crescimento global, simplesmente não suporta esse excesso de sensibilidade que vem ocorrendo atualmente. Assim, eles esperam que o FED eleve os juros mais três vezes esse ano, embora admitam que o viés seja para baixo.

O banco Goldman Sachs, tido como um dos maiores players no mercado financeiro global, e com uma equipe de analistas destacada, tem uma visão que nada de negativo deveria se esperar para o futuro, ao contrário, se existe algo à se preocupar, é com o excesso de liquidez que está presente hoje nos mercados.

Minha única observação seria para um evento exógeno, que poderia modificar esse raciocínio, como a nomeação de Donald Trump como o próximo Presidente dos USA.

Bipolaridade é uma doença caracterizada por variações acentuadas do humor. Esse conceito pode ser estendido aos mercados, uma vez que, os investidores são seres humanos, e movimentos do mercado podem gerar reações diversas sobre as pessoas. Essa alternância de expectativas entre esses dois grupos - os economistas e o mercado, terão alguma convergência em algum momento. Mas até que alguma das partes não se junte às crenças da outra, podemos esperar movimentos bipolares do mercado.

No post duro-na-queda, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ..."O ouro negociou acima de US$ 1.260 por cinco dias, porém em nenhum deles fechou acima de US$ 1.265. E o que é pior, no dia que ultrapassou essa marca, chegou a US$ 1.280, e fechou com pequena queda."... ..."Agora acredito que, o movimento que eu estava esperando, poderá ocorrer. Vale então a sugestão de trade antiga: ..."comprar o metal a US$ 1.190, com um stop a US$ 1.140"...


Nem uma coisa, nem outra, depois de ameaçar queda abaixo de US$ 1.230, o que poderia completar nossa ordem, recuperou em dois dias US$ 40 e agora encontra-se no meio do caminho a US$ 1.245.


Vou continuar com a hipótese que o ouro está consolidando, e fazer um pequeno ajuste na ordem original, onde o novo preço de compra passa para US$ 1.200, mantendo o stoploss a US$ 1.140. Por outro lado, não posso garantir que o metal chegue  nesse nível, Pode ser que, o mesmo suba de um nível superior. Mas prefiro ficar com as evidências técnicas e estatísticas.

O SP500 fechou a 2.051, com alta de 0,10%; o USDBRL a R$ 3,6130, com baixa de 0,26%; o EURUSD a 1,1243, com queda de 0, 21%; e o ouro a US$ 1.243, com queda de 0,86%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário